Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique.
Como são naturalmente lentas, levaram sete anos apenas para se preparar.
Finalmente, saíram de casa em busca de um lugar ideal. No segundo ano de viagem, encontraram o local perfeito.
Durante seis meses, limparam a área, organizaram tudo, abriram a cesta… até perceberem: tinham esquecido o sal.
E um piquenique sem sal… seria um desastre. Todas concordaram.
Depois de muita conversa, decidiram que a tartaruga mais nova voltaria para buscar o sal — afinal, era a mais rápida entre elas.
A pequena não gostou. Chorou, reclamou, esperneou… mas aceitou, com uma condição:
ninguém comeria até que ela voltasse.
A família prometeu. E ela partiu.
Passaram-se três anos… nada.
Cinco anos… nada.
Seis anos… nada.
No sétimo ano, já sem conseguir conter a fome, a tartaruga mais velha anunciou:
— Eu vou comer.
E começou a abrir um sanduíche.
Nesse instante, a pequena tartaruga saiu de trás de uma árvore e gritou:
— Eu sabia! Vocês não iam me esperar… Agora é que eu não vou mesmo buscar o sal.
Descontando os exageros…
A vida, muitas vezes, segue esse mesmo roteiro.
A gente perde tempo esperando que os outros ajam como esperamos.
Fica preso no comportamento alheio…
E esquece de viver o que é nosso.
No fim, não é o sal que falta.
É a leveza de seguir, mesmo quando o outro não corresponde.
(Conto chinês)