A morte do cantor sertanejo Rick, em um acidente de helicóptero, interrompeu uma trajetória, uma carreira, uma história. E notícias assim têm uma força… Por alguns instantes, elas fazem a gente parar. Não apenas para pensar em quem partiu. Mas para olhar de outro jeito para quem ficou. A vida tem uma característica que, na correria, a gente esquece: ela pode mudar completamente sem pedir licença. Tudo muda. Os filhos crescem. Os pais envelhecem. As pessoas chegam. As pessoas partem. Os encontros viram lembranças. E nós continuamos dizendo: “Depois eu ligo.” “Depois eu vou.” “Depois eu falo.” “Depois eu tenho tempo.” Ninguém sabe quanto tempo tem. Por isso, o tempo que recebemos merece ser vivido com mais presença. Penso nisso quando ouço “Filha”, uma das canções mais marcantes da trajetória de Rick. Uma música de pai para filha. Um sentimento transformado em melodia. E existe algo muito justo e verdadeiro neste contexto: quando colocamos amor em alguma coisa, ela pode continuar falando por nós mesmo quando a nossa voz já não estiver presente. Uma música permanece. Uma história permanece. Um ensinamento permanece. Um gesto permanece. E, principalmente, permanece aquilo que conseguimos deixar dentro de alguém. É por isso que algumas pessoas continuam presentes mesmo depois de partir. Não porque ficaram para sempre. Mas porque deixaram algo que o tempo não conseguiu levar. Então, enquanto houver tempo, não economize presença. Não deixe para depois a conversa que pode acontecer agora. Não guarde para outra ocasião o carinho que pode ser demonstrado neste instante. Não espere a ausência para reconhecer o valor de uma presença. Porque o tempo passa. As circunstâncias mudam. A vida segue. E ninguém recebe de volta o minuto que acabou de passar. A pergunta não é quanto tempo ainda temos. É: o que estamos fazendo com o tempo que temos? E uma boa resposta começa por uma coisa bem simples: estar inteiro onde a vida colocou você.