Grupo Arauto

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Grupo Arauto episodes

  • Para o que você tem dito sim e não?

    Nos primórdios da televisão brasileira, um programa fez muito sucesso. Era um quadro de escolhas: Você escolhe! O candidato entrava numa cabine. Nada ouvia, nem tinha a possibilidade de ver a reação do auditório.

    O apresentador fazia uma proposta e o candidato apertava um botão com duas alternativas: Sim ou Não, aceitando ou rejeitando a oferta. Você troca um automóvel zero quilômetros por uma caixinha de fósforos? E, lá de dentro, vinha a resposta: Sim. E ele se constituía o feliz proprietário de uma caixinha de fósforos. Outra pergunta: você troca um tomate maduro por um cheque de trezentos mil reais? Lá de dentro vinha a resposta: não. Ele preferiu o tomate.

    A vida imita este programa de televisão ou terá sido a TV copiar muitas das escolhas feitas no dia a dia na vida das pessoas? O calouro do programa tinha uma atenuante: sua escolha não seguia critérios objetivos. Era apenas questão de sorte ou intuição.

    Na vida possuímos critérios para nossas escolhas. Na Bíblia Sagrada encontramos o episódio de Esaú, filho de Isaac, vendendo seu valioso direito de primogenitura a Jacó, por um prato fumegante de lentilhas ( Gn. 25,29 ).

    Na descoberta da América, os marinheiros de Colombo ofereciam aos índios pequenos espelhos em troca de ouro e diamantes. Em nossa vida, a cada dia, precisamos fazer muitas escolhas, algumas delas de grande importância. Podemos trocar valores morais e espirituais, decisivos em nossa caminhada, pelas lentilhas dos bens materiais. Podemos trocar a ética por dinheiro. Podemos trocar normas morais que herdamos de nossos antepassados, homens e mulheres retos e de fé, por propostas fáceis e oportunistas. Podemos trocar a felicidade de um lar por uma aventura ocasional.

    Cada alternativa precisa ser estudada com critérios objetivos. Por vezes, nos oferecem a felicidade mas, depois, não a entregam. E o dia seguinte pode ser de arrependimento e amargura.

    Na vida temos, muitas vezes, a oportunidade de refazer nossas escolhas. Uma escolha feliz pode anular todas as decisões infelizes.

    Não adianta ficar olhando para os erros do passado, precisamos focar nas escolhas de hoje. Para o que você tem dito Sim e Não? Isto pode significar a conquista de uma caixinha de fósforos, de um tomate, ou de um grande tesouro. A decisão sempre será sua.

    4 min
  • Presente: onde a vida acontece de verdade

    Sabe quando a gente fica remoendo coisas que já aconteceram ou então se preocupando demais com o que ainda nem veio? Pois é, isso pode mexer muito com a cabeça da gente. É como se a gente estivesse sempre olhando para trás ou tentando adivinhar o futuro, e aí, o presente, que é onde a vida de verdade acontece, acaba passando batido.

    Ficar preso no passado pode nos deixar pra baixo, triste mesmo. Já ficar ansioso pelo futuro pode nos deixar nervosos, com aquela sensação de estar sempre no limite. Isso tudo cansa a mente e pode até nos deixar doentes.

    Quando a gente não presta atenção no presente, acaba perdendo um monte de coisa boa que está acontecendo. O presente é o único momento em que podemos realmente fazer algo e mudar o rumo das coisas. Se a gente não vive ele, perde a chance de construir uma vida que goste de verdade.

    Se a gente vive no passado ou no futuro, acaba não dando a atenção que as pessoas ao nosso redor merecem. Isso pode nos deixar meio isolados, porque amizade e amor precisam de presença, de estar junto de verdade.

    Tem uma coisa chamada atenção plena, ou mindfulness, que é basicamente aprender a curtir o agora, aceitando as coisas como elas são, sem ficar julgando. Isso ajuda a gente a ficar mais tranquilo e a aproveitar mais a vida.

    Superar as coisas ruins que aconteceram e não deixar que elas nos segurem é um jeito de a gente ficar mais forte. É como se, cada vez que a gente deixa pra trás algo que doeu, a gente ganhasse mais força pra lidar com o que vem pela frente.

    Então, é isso. Viver mais no presente é bom pra cabeça, pro coração e pra vida. É claro que a gente não vai esquecer o passado ou parar de pensar no futuro, mas o segredo é não deixar que eles tomem conta de tudo. O negócio é curtir o agora, porque é nele que a gente pode fazer a diferença.

    4 min
  • Quem ama, cuida

    Semana retrasada, minha filha, que fará 16 anos em julho, pediu para sair para passear com seu primeiro namorado. Eu disse a ela que autorizava, desde que ele viesse em casa buscá-la para que eu o conhecesse pessoalmente. Ela ficou com vergonha, mas era condição inegociável, portanto, assim foi feito.No dia marcado, eis que surge o jovem candidato a genro, acompanhado de outro amigo. Tocam a campainha e abro a porta para eles entrarem. Ambos nervosos, com medo, quase sem conseguir me olhar nos olhos. As novas gerações não estão acostumadas com esse tipo de "evento".

    Obviamente eu já tinha informações sobre ele, mas era a primeira vez que o via pessoalmente. Rapidamente faço um "raio-x" de ambos e percebo que as probabilidades de serem maus elementos está praticamente eliminada. Então digo ao rapaz:

    - Olha, a Ana é o meu maior tesouro. E como tal, eu vivo minha vida para protegê-la, para cuidar dela, para ter certeza de que nada de ruim a atinja. E pra isso, se for preciso até mesmo dispor da minha vida para salvar a dela, eu o farei. Antes de deixar vocês saírem juntos, a única certeza que eu quero ter é que você agirá em meu lugar, da mesma forma como eu agiria.

    Sem deixar que se passassem dois segundos (o que contou pontos pra ele), o rapaz respondeu:

    - Sim. Pode ter certeza de que eu cuidarei dela como se fosse o senhor. Meu amigo está aqui para me ajudar e, qualquer coisa que precisarmos, nós telefonaremos.

    - Ok, obrigado. Façam um bom passeio, e juízo.

    Minha filha, claro, estava com aquela cara de "aimeudeusdocéupaipraqueisso" o tempo todo.

    Quando Ana retornou para casa perguntei:

    - E aí filha, foi tudo bem? Seus amigos me acharam muito esquisito por causa daquela conversa?

    - Não, pai. Pelo contrário. Eles ficaram um tempão comentando como você era legal, o quanto você me amava, e chegaram a ficar com lágrimas nos olhos dizendo que adorariam que seus pais fossem assim também.

    Primeira moral da história:

    A juventude de hoje pode parecer desprendida porque quer ser aceita pelos pares, mas os valores fundamentais de amor, carinho e cuidado continuam fazendo parte de suas almas. Não deixemos isso morrer.

    Segunda moral da história:

    Dane-se a opinião do mundo. Quem ama, cuida.

    4 min

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