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  • Construa memórias

    Se alguém me perguntasse o que um pai (ou uma mãe) tem de dar a um filho, eu primeiro responderia sobre obviedades. Alimento para nutrir o corpo, escola pra ensinar as letras e as contas, roupas para aquecer, calçados para desbravar o mundo, algum brinquedo para entreter a infância. Se puder dar valores e princípios, ética e moral, exemplo e palavra, tanto melhor. Mas para além de tudo isso, eu tenho pra mim que um pai (ou uma mãe) tem o dever (ou será o direito?) de construir memórias com seu filho.

    Eu mesmo, carrego comigo, guardado no peito, os momentos singelos e que marcaram a alma, vividos com meu velho e já saudoso pai. E por saber o valor que cada lembrança tem, trato de construir com meu Pedro, as nossas próprias memórias.

    Nos dias na UTI dos prematuros, quando ele, recém nascido, ainda aprendia a respirar sozinho, não arredei pé do seu lado. Nos primeiros passos que deu, foi o meu abraço que ele correu a encontrar. No primeiro dia da escola, certamente foi importante olhar pra trás e me ver no portão, vigiando o seu seguir em frente. Quando sua testa de criança se deparou com qualquer objeto a lhe cortar a pele, foi a minha mão que ele segurou com força, para suportar medo dos primeiros pontos. Quando ele interpretou o sapo, de uma única frase, na apresentação da escolinha, não me custou largar todos os afazeres de um dia de trabalho e estar lá, pertinho dele. Como estive perto na primeira vez que ele, ainda cambaleante, descobriu as ondas do mar. No primeiro treino de futebol (e em quase todos os outros), era a mim que seus olhos procuravam a todo instante, como quem busca confiança e aprovação. E sobre o futebol, nosso gosto em comum, está marcado na minha retina o brilho dos olhos dele, na primeira vez em que, mãos dadas, pisamos o estádio do nosso clube do coração. Como ontem mesmo, demos outras vezes as mãos, para saborearmos a última chance de ver nosso ídolo, vestindo nossa camiseta.

    Portanto, se conselho eu pudesse dar, diria: construa memórias com seu filho. Algum dia, no entardecer na vida de um pai, quando ele se sentar ao lado do filho n’álguma varanda para contemplar o horizonte, serão estas memórias que embalarão o silêncio. E que farão a vida, ter valido a pena.


    Autor: Luciano Almeida

    4 min
  • Mensagem para mães atípicas

    Eu vejo você levando seu filho a para terapia, enquanto seus amigos levam seus filhos ao futebol ou balé.

    Vejo você sair da conversa quando todos os seus amigos se vangloriam de conquistas e notas de provas de seus filhos.

    Vejo você fazer malabarismos com o trabalho e as reuniões.

    Vejo você sentada no computador ou no celular por horas investigando o que seu filho precisa.

    Vejo você fazer uma cara feia quando as outras pessoas reclamam de bobagens.

    Vejo você desaparecer aos poucos, mas você continua indo além para sua família.

    Eu vejo você puxar força da fraqueza com uma coragem que nem sonhou que tinha.

    Vejo você demonstrando respeito e admiração por professores, terapeutas e médicos que ajudam seu filho a se desenvolver.

    Observo você acordar de manhã cedo para fazer tudo de novo, depois de outra noite caótica.

    Eu vejo você lutando para viver mesmo quando se sente à beira do precipício.

    Eu sei que você se sente invisível e pensa que ninguém percebe...

    Mas eu quero que você saiba que eu te vejo...

    Eu vejo você avançar sempre. Vejo que você escolhe fazer todo o possível para dar ao seu filho os melhores cuidados em casa, na escola, na terapia e nos médicos.

    O que você faz importa. Vale a pena a luta!

    Naqueles dias em que se pergunta se consegue aguentar mais um minuto, quero que saiba que estou vendo você. Quero que você saiba que você é linda. Quero que você saiba que vale a pena. Quero que saiba que você não está sozinha.

    E naqueles dias em que você vê uma melhoria, nos momentos em que o trabalho duro tem sua recompensa, e você pode provar o sucesso, eu também os vejo. E tenho orgulho de você...

    Quero que saiba que o amor é a coisa mais importante e que você é a melhor nisso.

    Você sabe Quem eu sou. E hoje só queria que você soubesse: eu vejo você!

    4 min
  • Ansiedade: a ladra de energia

    Você dormiu, mas a sensação é de que foi atropelada por um caminhão. Acorda cansada, com a cabeça a mil e o corpo está muito pesado. Sim, essa é a sensação mais comum de fadiga. É como se fosse impossível ter um sono reparador em que você deita e dorme rapidamente, e levanta descansado. Ao longo do dia, a tensão nos ombros aumenta e o cansaço também. Você se percebe completamente sem energia para se movimentar, tra preparar uma boa comida, cuidar da casa, brincar com os filhos ou simplesmente fazer o que gosta. Se você se identifica com essa rotina extrema de fadiga e baixa energia, saiba que uma das causas mais prováveis seja ansiedade.

    A ansiedade acontece de maneiras diferentes nas pessoas. Mas a característica fundamental persistente em todos os casos é o estado de alerta. É uma tensão constante, como se você estivesse imerso em um filme de suspense. Você não escuta a trilha sonora de terror, mas vive como essa sensação em seu peito de que a qualquer momento algo ruim irá acontecer. Manter-se nesse constante estado de alerta é muito desgastante. Justamente por isso você não tem energia para nada em sua vida. Nem mesmo para fazer o necessário para se livrar dessa sensação. É neste momento que as pessoas com ansiedade se percebem em um beco sem saída.

    Tem um incômodo em seu peito, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer. Mas você não sabe explicar exatamente o quê. Então, sua mente inicia um processo de busca para encontrar um motivo que justifique essa sensação ruim. Nesse momento, os pensamentos vão se formando em mente e você permite que eles se criem, afinal de contas, você precisa deles para lidar com a sensação instantânea de perigo iminente. Mas a mente é traiçoeira. Ela usa o recurso que está mais acessível e que será mais fácil de você mesmo acreditar que possa acontecer.

    A sua mente cogita então que seu trabalho não está legal, que você será despedido nos próximos dias. Você começa então a se lembrar de cada detalhe do que já fez de errado ou do que deixou de fazer para confirmar esse pensamento. Sua mente cogita que seus filhos não estão seguros e que algo vai acontecer com eles. Os pensamentos passam sobre o que eles comeram, o passeio que farão com a escola, a brincadeira que eles fazem. E mais uma vez, você permite que esses pensamentos fluam, pois é necessário uma justificativa para a sensação ruim. E assim, você passa seus dias, permitindo que sua mente crie eventos ruins e bons para justificar a sensação que você sentiu. Tudo isso gera um desgaste físico e emocional.

    Essa ‘liberdade’ da mente para criar evidências para justificar o que você sente é a verdadeira ladra de energia. É por isso que você está sempre cansada, irritada, tensa e com dificuldades para dormir. O ciclo de pensamento ansioso é cansativo demais. Quando você embarca nessa busca por um motivo ruim para justificar o aperto no peito, é impossível parar até que você encontre algo que conforme isso, pelo menos por algum tempo.

    Procure ajuda! Não deixe mais a ansiedade te roubar a força e a alegria de viver. Existe tratamento e a sua vida pode melhorar num espaço breve de tempo. Mas você vai precisar dar esse passo e buscar ajuda profissional. Não deixe pra depois! É só uma fase e ela vai passar.

    5 min

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