Grupo Arauto

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Grupo Arauto episodes

  • Valorize mais os vivos antes que seja tarde

    Paremos para pensar como o ser humano é estranho...

    Briga com os vivos, mas leva flores para os mortos.

    Lança os vivos ao nada, na sarjeta, no esquecimento…Mas pede um bom lugar aos mortos

    Fica anos sem conversar com a pessoa. Mas se desculpa e faz até homenagem quando ela morre.

    Não tem tempo para visitar, mas fica o dia todo no funeral da pessoa.

    Critica, fala mal, ofende quando a pessoa está viva, mas o santifica quando ela morre.

    Não liga, não o abraça, não se importa com os vivos, mas se auto flagela quando estes morrem.

    Aos olhos cegos dos homens o valor do ser humano está na sua morte e não na sua vida.

    E sabe qual é a explicação para tudo isso???

    Os mortos recebem mais atenção, mais carinho, passam a ser notados, recebem mais flores.

    Porque o remorso é e sempre foi mais forte do que a gratidão.

    É bom repensarmos sobre isso enquanto estamos vivos…

    A vida é um sopro.

    Hoje estamos vivos e amanhã podemos não estar mais…

    Então valorize quem você ama, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje!!!

    Ame, perdoe e seja feliz ao lado da sua família, dos seus amigos…

    Pare de criar confusão por coisas tão pequenas.

    Lembre-se que a vida é um sopro.

    Antes de você homenagear quem já morreu, aprenda a valorizar quem ainda está vivo.

    Porque depois que a pessoa vai embora, até os seus defeitos viram saudades.

    Lembre-se: O maior presente que você pode dar a alguém é o seu tempo.

    A sua atenção, o seu amor, o seu carinho, o seu interesse.

    Faça isso antes que seja tarde demais.

    3 min
  • A casa cheia no fim do ano

    Um dos períodos mais perigosos é o fim de ano, entre o Natal e o Réveillon. Porque você sente que não fez tudo o que queria em 2023, e leva as pendências acumuladas para 2024. Eu sou adepto a não realizar promessas na virada, porque significam começar o ano endividado.

    O que atormenta neste apagar de luzes é que você se vê na obrigação de abraçar o mundo e dar presentes para meio mundo. Acaba escolhendo ficar ao lado de familiares que não lhe fazem bem, ou de pessoas que são extremamente invasivas e desagradáveis. Porque confunde as datas festivas com caridade, com sacrifício, com privação.

    É preferível passar sozinho a passar mal acompanhado só para não dizer que passou sozinho. A verdade é difícil e pouco popular: a mística da casa cheia não deve comprometer sua saúde emocional.

    O que adoece não é atravessar a virada isolado, é forçar a convivência com traumas e recalques, fingindo felicidade e harmonia, buscando corresponder às expectativas.

    É uma presença tóxica, mas você a visita achando que será diferente.

    Trata-se de um esforço soberbo e inútil, pois você jamais agradou durante a vida inteira e aspira a uma redenção em alguns dias. Não vai acontecer: somente será destratado, e mergulhará numa crise pessoal de desvalia. Repetirá feridas, abrirá a casca de machucados que julgava sarados, sofrerá as mesmas piadas e zombarias da sua formação.

    Os terapeutas são capazes de comprovar as minhas palavras: pela socialização indesejada, os pacientes entram em surto na última quinzena de dezembro.

    Aproxime-se de quem merece a sua companhia, sem que prevaleçam necessariamente os laços sanguíneos.

    E perdoe seus amigos por antecipação, já que eles, como você, assumirão a loucura de estar em vários lugares ao mesmo tempo (quem é casado e filho de pais separados, por exemplo, terá que se virar em duas ceias, a do seu pai e a de sua mãe, afora as duas ceias dos sogros separados).

    Marque encontros depois das férias. Proponha reuniões e homenagens individuais, caso a caso, amizade por amizade, seja um café, seja um almoço ou um jantar. Parcele a sua idealização.

    Poderá, sem sucesso, chamar o grupo de amigos para uma reuniãozinha natalina. Confusão não será comparecer, mas definir a data.

    Você sempre fracassará em nome do consenso.

    Maldita hora em que você pergunta na lista do WhatsApp:

    — Que dia vocês podem?

    Em vez de arriscar e determinar um momento específico — e azar dos ausentes —, transfere a responsabilidade para a torcida.

    Vira invasão de campo. Um pode, outro não pode; um se encontra com viagem marcada, outro assumiu compromisso com os parentes; um estará de plantão, outro não tem com quem deixar os filhos.

    É uma guerra, um cabo de força. Cada um puxa para seu lado, denunciando privilégios e favorecimentos.

    O único jeito de contentar a todos é não se encontrando com ninguém.

    Fique consigo. Proteja-se da megalomania da carência.

    Parece egoísmo. Mas não é. É só o melhor jeito de focar no que, realmente, interessa: viver dentro do seu coração o sentido do Natal.

    5 min
  • Todo trabalho tem valor

    Em um povoado havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo conselho municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.

    Com silenciosa regularidade, ele inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos e limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. Ninguém via as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.

    Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina. As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.

    Os anos foram passando. Certo dia, o conselho da cidade se reuniu e um dos membros resolveu questionar o salário pago ao zelador da fonte. Fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade. E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.

    Seu discurso a todos convenceu. O conselho municipal dispensou o trabalho do zelador.

    Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas. Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.

    Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura. Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. Os turistas abandonaram o local. A contaminação da água fez muitos ficarem doentes.

    O conselho municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária, e reconheceu o erro grosseiro cometido. Imediatamente, tratou de recontratar o zelador da fonte.

    Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. Voltaram os cisnes, os turistas, a saúde e a vida foi retomando seu curso.

    Assim como o conselho municipal da pequena cidade, muitos de nós desprezamos alguns trabalhos.

    Aqueles trabalhadores que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas. Que os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos. Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa. Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem notá-los.

    Mas, sem seu trabalho o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.

    O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável. Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá. Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para sermos felizes!

    5 min

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