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Compacto de entrevista com a abordagem de temas pertinentes à comunidade do Vale do Rio Pardo e Taquari. A cada edição um tema relevante ou algum assunto específico de ampla repercussão
Diz uma parábola judaica que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.
A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade.
E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira.
- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade vendo que a mentira falava a verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:
-Venha dona Verdade, a água está uma delícia.
E assim que a verdade sem duvidar da mentira tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora.
A verdade por sua vez recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira e por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar na rua.
E aos olhos de outras pessoas era mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua.
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O pequeno Pedro perdeu a camiseta favorita do seu time. Dona Maria ficou sem os documentos e a receita dos remédios de todos os dias. Seu João ficou sem a TV onde via as notícias. Justo as notícias, que agora tão tristes, só falavam de trágicas perdas. O José perdeu a casa e tudo o que ela abrigava. A cidade de tantos, perdeu as ruas de árvores que floriam na primavera e a praça onde as crianças corriam depois da missa. Missa já não há, porque a igreja foi tomada pela água incontida. Foram-se uma vida de trabalho, as conquistas de muito suor, o conforto e a segurança que se pôde juntar. Há quem diga que se foram os sonhos, ainda que estes talvez estejam no coração, mergulhados nas lágrimas recolhidas. É certo que não se foram com as águas revoltas a força, a coragem e a capacidade de arregaçar as mangas e começar de novo. Mas o que não se pode ter perdido mesmo, ainda que esteja embarrado ou mofado de água suja, é a esperança. E a humanidade. A esperança vai sustentar a coragem, ainda que tudo o que os olhos vejam sejam entulhos, lama e destruição. A humanidade vai dar a sensação de que ninguém está só e de que com muitas mãos dadas e braços fortes, a vida vai voltar a ter a cor da camiseta do time, o remédio na hora certa, a TV com boas histórias, a casa, a cama quentinha, a rua e a praça. A esperança e a humanidade trouxeram comidas a quem, faminto, não tinha sequer onde se abrigar. A solidariedade, talvez o traço mais humano da humanidade, colocou quem poderia estar a salvo, dentro da água para resgatar desconhecidos. Tirou roupas do armário de quem tinha, para dar a quem ficou sem. Foi a esperança que salvou a senhora agarrada a uma torre de energia. E que deu nova vida ao cavalo Caramelo, 24 horas imóvel sobre uma fresta de telhado. Em meio ao caos, a humanidade espalhou esperança. De que a vida pode e vai se refazer. De que os sonhos devem estar mais vivos do que aquele filho, orgulhoso do pai, carregando a cesta básica na chuva e no barro para alimentar a família. E de que a coragem para recomeçar não vai faltar.
Autor: Luciano Almeida
Compacto de entrevista com a abordagem de temas pertinentes à comunidade do Vale do Rio Pardo e Taquari. A cada edição um tema relevante ou algum assunto específico de ampla repercussão
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Um homem tinha quatro filhos. Ele queria que seus filhos aprendessem a não julgar as coisas de modo apressado, por isso, mandou cada um em uma viagem para observar uma árvore que estava plantada em um distante local. O primeiro filho foi lá no inverno; o segundo, na primavera; o terceiro no verão e o quarto e mais jovem no outono.
Tendo todos retornado da viagem, o pai os reuniu e pediu que cada um descrevesse o que tinha visto.
O primeiro filho disse que a árvore era feia, torta e retorcida.
O segundo filho disse que não, que ela era recoberta de botões verdes e cheia de promessas.
O terceiro filho discordou. Disse que ela estava coberta de flores, que essas tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele já tinha visto.
O último filho discordou dos demais também. Disse que a árvore estava carregada e arqueada, cheia de frutas, vida e promessas...
Diante disso, o homem explicou a seus filhos que todos estavam certos, porque cada um tinha visto apenas uma estação da vida da árvore. O pai ensinou, então, que não se pode julgar uma árvore, ou ninguém, por apenas uma estação.
Que tal a gente passar um dia sem julgar acontecimento algum e nem pessoa alguma? Podemos começar o dia dizendo: "hoje não julgarei nada que me aconteça e nem a ninguém".
O não julgamento cria silêncio em nosso coração e mente.
Se estamos constantemente julgando, avaliando os fatos como certo ou errado, se ficamos constantemente rotulando, certamente estamos criando uma turbulência muito grande em nosso coração e abrindo caminho para que os outros nos julguem também.
Tente, ao menos por hoje, não julgar.
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