
Sign up to save your podcasts
Or


A historiadora Beatriz Kushnir (UFF) nos trouxe reflexões de sua obra Cães de guarda (jornalistas e censores: do AI-5 à Constituição de 1988), sustentando importante questionamento: como os regimes opressivos mantém controle sobre a população?
Com base em entrevistas e fértil documentação, a autora elabora a atuação dos mecanismos autoritários na imprensa brasileira entre os anos de 1968 (AI-5) até 1988 (Constituição Cidadã). Importante "colaboração" de setores da imprensa foi fundamental para que o regime autoritário transmitisse imagem de normalidade e omitisse as variadas formas de arbitrariedade comuns de regimes tirânicos.
Obra segue como importante fonte de pesquisa e compreensão das ferramentas de dominação de regimes ditatoriais, que utilizavam a imprensa censurada para transmitir atmosfera de falsa normalidade.
João da Mata (psicólogo e somaterapeuta) nos traz importantes reflexões sobre a criação e arcabouço teórico da Soma. Que é um dispositivo terapêutico que tem o Anarquismo com eixo ético-político, reconhecendo o corpo como primeiro território de luta e manifestação política no jogo relacional cotidiano.
Da Mata também trouxe a atualidade do pensamento revolucionário de Wilhelm Reich (famoso discipulo dissidente de Sigmund Freud) em meio às variadas formas de dominação e dinâmicas de poder geradoras de severos adoecimentos psíquicos. Ainda mencionou o recente lançamento Reich e os saberes insurgentes (2024, Editora Summus), em que
foi organizador.
Poema: Versos íntimos (1912)
Autor: Augusto dos Anjos
Voz: Anderson Soares
Música ambiente: O passeio da boa vista (Legião Urbana: o descobrimento do Brasil - EMI - 1994)
ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995, p. 78 (lançado originalmente 1912)
Gaiarsa foi um dos mais importantes percursores das ideias de Wilhelm Reich no Brasil. Em obras emblemáticas problematizou a constituição da couraça muscular do caráter, a partir de reflexões sociopolíticas que reconheciam o corpo como território subjetivado, político e detentor de capitais simbólicos na alteridade radical. Com escrita provocativa descortinou os efeitos adoecedores da teatralidade social responsável pelo sofrimento e submissão dos sujeitos. O resultado é manutenção de "armadura' corporal que visa produção de sujeitos obedientes e produtivos.
Nina Saroldi fala sobre seu livro, com reflexão contextualizada sobre ‘O mal-estar na civilização’ (obra de Sigmund Freud lançada originalmente em 1929) com base num inquietante subtítulo: As obrigações do desejo na era da globalização. A autora com base em pilares freudianos, corrobora que, a civilização resulta da renúncia à satisfação direta das pulsões e que esta mesma renúncia à satisfação pulsional, pressuposta por Freud como estrutural à constituição do processo civilizatório, é o que nos retira do estado de NATUREZA e nos faz ingressar no estado de CULTURA.
Mas a sua obra propõe refletir sobre este tema numa fértil contextualização com o tempo contemporâneo, o que inclui a relação sujeito, cultura e seus sintomas. A
Podemos pensar (de forma contextualizada) a permanente inquietação desta citada relação com base na atual infantilização da sociedade e no empobrecimento dos recursos simbólicos dos sujeitos diante da incapacidade de metabolizar derrotas e com cada vez menores condições de negociação de seus ímpetos pulsionais diante das implicações civilizatórias. São questões cada vez mais evidentes em dias atuais, em que facilmente podemos perceber uma violenta falência do sentimento de coletividade nas práticas e discursos das sociabilidades contemporâneas.
A autora resume que: “Nos tempos de Freud, havia uma configuração psíquica calcada na renúncia e na submissão aos ditames de um pai ainda severo. Hoje o
Neste episódio: Wallace A. Guedes (historiador e crítico de cinema) nos traz importante pesquisa sobre a relação da produção cinematográfica com os regimes autoritários. E em específico o contexto histórico/político que envolveu a produção do importante filme 'Pra frente, Brasil' (1982), produzido por Roberto Farias. Wallace pesquisou documentação produzida pelos órgãos de censura ditadura e revelou como foi complexa a atmosfera política que sustentava a relação entre os produtores de filmes do Brasil durante os anos de vigência do regime ditatorial. Sua pesquisa (doutorado pela UFF), foi transformada em livro e publicada pela editora Appris em 2020, é uma importante contribuição historiadores que utilizam filmes como objeto de pesquisa para variados contextos históricos.
Música ambiente: Os saltimbancos (Philips - 1977)
Foto: divulgação (internet)
From the publisher's feed