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Nesta EBD, o Pastor Fabricio Corrêa tratou da autoria do Pentateuco, confrontando a hipótese documentária do liberalismo teológico. O liberalismo teológico iniciou-se no século XVI, influenciado pelo Iluminismo, especialmente na França e Alemanha. O pai do liberalismo teológico é Friedrich Schleiermacher. Essa corrente busca redefinir o cristianismo para torná-lo aceitável ao homem moderno, tratando textos bíblicos como mitos, alegorias ou poesia, não como literalidade.
John Machen, teólogo presbiteriano de Princeton (1906-1929), escreveu o clássico "Cristianismo e Liberalismo" contra essa corrente. Machen disse: "O liberalismo não nega a Bíblia, reinterpreta ela até ela dizer o oposto. Não nega a Cristo, o reduz a um exemplo moral. Não nega a salvação, transforma em programa social. O vocabulário permanece, mas o evangelho desaparece." Para Machen, o liberalismo teológico não é uma forma mais leve de cristianismo — é outra religião.
A hipótese documentária (JEDP) foi construída por vários autores: Robert Lowth (1753) tratou o texto como poesia, não literalidade. Johann Eichhorn tratou Gênesis como mito. Jean Astruc (1753) separou o Pentateuco em códigos de escritores (javistas e eloístas) baseado nos nomes de Deus. Karl Heinrich Graf criou a teoria do código sacerdotal. Julius Wellhausen consolidou a teoria JEDP: J (javistas, ~950-850 a.C.), E (eloístas), D (deuteronomistas, ligados ao rei Josias), P (sacerdotais, pós-exílio). Essa teoria diz que o Pentateuco é uma colcha de retalhos de grupos ao longo de séculos, não obra de Moisés.
Quatro problemas com a hipótese documentária:1. Problema linguístico (anacronismo filológico): Se esses homens escreveram 600 anos depois de Moisés, existem termos e elementos culturais no texto que não existiam mais no período deles.2. Problema histórico: Se a fonte sacerdotal fosse de pessoas do templo de Jerusalém, por que o texto só fala do tabernáculo? Autores futuros trariam elementos do seu tempo para interpretar o passado.3. Problema literário: Não há razões para separar as fontes — os livros formam unidades perfeitas de narrativa, com coesão, coerência e conexão entre si. Gênesis abre porta para Êxodo, e assim por diante. Várias pessoas sem contato não conseguiriam essa coerência.4. Problema teológico (o mais importante): Vários autores do AT e NT atestam que foi Moisés: Josué cita a lei de Moisés, Davi instrui Salomão a seguir o livro de Moisés, Esdras, Neemias, Daniel e Malaquias falam do livro de Moisés. Descredibilizar a autoria mosaica faria desses homens mentirosos ou ignorantes. Mais grave: faria de Jesus um mentiroso. Em Marcos 12: 26, Jesus diz "no livro de Moisés". Em João 5: 46: "Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito." Em João 7: 19: "Moisés não lhes deu a lei?"
Conclusão: Se você se deparar com pessoas que não creem que Moisés escreveu o Pentateuco, a pergunta é simples: o que o nosso Senhor Jesus falou sobre esses livros? Ele disse que foi Moisés o autor. Cremos no Espírito Santo capacitando de forma milagrosa o texto bíblico. Dizer que dezenas de escritores ao longo de séculos construíram essa narrativa perfeita também exigiria um milagre.
Preletor: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTextos base: Marcos 12: 26, João 5: 46, João 7: 19
Neste culto de homens, o Pastor Arlei Carvalho (@pr.arleicarvalho), da Igreja Batista do Alto Monte, pregou sobre 1 Coríntios 6: 12-20, tratando da verdadeira liberdade cristã em contraste com a libertinagem. Paulo escreveu para confrontar uma igreja profundamente influenciada pela cultura local. Corinto era uma cidade rica, com um grande porto e um templo dedicado a Afrodite, a "deusa do amor livre", onde prostitutas templárias serviam no culto pagão. O termo "corintianizar" significava devassidão moral. A igreja que deveria ser luz passou a ser moldada pelos hábitos corrompidos da cidade.
Em Corinto existia o provérbio "todas as coisas me são lícitas" — uma cultura influenciada pelo gnosticismo, que polarizava corpo e espírito, desprezando o corpo. Paulo corrige: nós somos seres integrais, corpo e alma criados para a glória de Deus. A libertinagem sexual revela uma visão errada sobre Deus, sobre o pecado e sobre o próprio corpo.
Três lições do texto:1. A liberdade cristã não é licença para o pecado (v. 12). Os coríntios distorceram uma verdade. Fomos libertos da condenação e do legalismo, mas não para seguir o curso do nosso mau coração. "Tudo é lícito" no sentido de ser possível — posso mentir, adulterar, me drogar — mas não significa que convém. Não ande a 79 km/h quando o limite é 80. O pecado promete liberdade, mas entrega correntes de escravidão. A pergunta certa não é "posso fazer isso?", mas "isso glorifica a Deus?"2. O corpo do cristão pertence ao Senhor (v. 13-14). Os coríntios diziam "os alimentos são para o estômago" para justificar que "o corpo é para o sexo". Paulo corrige: o corpo não é para a impureza, mas para o Senhor. O sexo não é o centro da existência humana. Jesus, o homem mais pleno que existiu, viveu em absoluta pureza. A vitória sobre os impulsos da carne é possível — não pela força humana, mas pela palavra, pelo Espírito, pela mortificação do pecado e pela comunhão com Cristo.3. O corpo do cristão é santuário do Espírito Santo (v. 15-20). Estamos unidos a Cristo. "Tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente não." Quando a mensagem chegar no WhatsApp, a resposta tem que ser "absolutamente não". Quando convidarem para um café, absolutamente não. A Bíblia não manda resistir à concupiscência — manda fugir. O que é para fugir é porque você não consegue resistir. Seja homem e fuja.
Três aplicações: (1) Pare de alimentar aquilo que deseja destruir você — pare de assistir, ouvir, frequentar o que não deve. (2) Desenvolva vida intensa com o que fortalece você — palavra, oração, jejum, compromisso na igreja local. (3) Lembre-se diariamente de quem você pertence — sua vida custou o sangue de Cristo.
Ao final, o Pastor Fabricio Corrêa exortou os homens sobre três responsabilidades: glorificar a Deus e não a si mesmos (a vanglória deixa vazio); encontrar prazer em servir e sacrificar-se pela esposa (Deus nos fez assim); e assumir a responsabilidade primária de adoração no lar (não deixe sua esposa implorar para você orar ou vir ao culto).
Pregador: Pastor Arlei Carvalho | @pr.arleicarvalho | Igreja Batista do Alto MonteEncerramento: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: 1 Coríntios 6: 12-20
Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 8:1-6, tratando do ministério superior de Cristo no verdadeiro tabernáculo celestial. Antes do sermão, foram lidos os artigos 4 e 5 da Confissão de Fé Batista de 1689 sobre os decretos de Deus — Deus conhece o número definido dos seus eleitos, e a eleição não vem de nós, é dom de Deus, para que ninguém se glorie.
O verso 1 diz: "O mais importante do que estamos tratando é que temos um sumo sacerdote como esse" — o autor está chamando atenção para o centro da carta. Ele está mexendo com práticas que os judeus viveram a vida toda, assim como às vezes precisamos revisitar pressupostos que recebemos por cultura ou religiosidade.
O tabernáculo terreno era uma sombra, um modelo do que está nos céus. Moisés recebeu a planta de Deus no monte — como um arquiteto dando planta a um pedreiro. Jesus serve no santuário, no verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem. A criação é o templo cósmico de Deus — Deus criou céus e terra para sua glória, colocou o homem como imagem e semelhança para encher a terra com seu reflexo. Após a queda, Deus começa a criar pequenos lugares de adoração (altares), depois dá a Moisés o tabernáculo — um ambiente micro do cosmos de Deus, com cortinas representando os céus e querubins.
O texto diz que Jesus "se assentou" à direita do trono — no tabernáculo não havia lugar para sentar. O sumo sacerdote entrava, servia e saía, porque seu trabalho nunca estava concluído. Jesus se assentou porque concluiu sua obra. O sumo sacerdote exercia cinco funções: ensino, supervisão do culto, supervisão dos sacerdotes, sacrifício da expiação, e intercessão. Cristo assume esse ministério — pelo Espírito Santo nos ensina, supervisiona o culto da igreja, e intercede por nós à destra de Deus.
O que isso tem a ver conosco? Na criação, o Espírito pairava sobre as águas. Quando Moisés terminou o tabernáculo, a nuvem desceu. Quando Salomão terminou o templo, a glória desceu. No Pentecostes, Deus derramou sua presença sobre a igreja. 1 Pedro 2:4-5: "Vocês estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo". A igreja tipologicamente aponta para novos céus e nova terra. Nós somos chamados como sacerdotes desse templo — não apenas para receber benefícios, mas para oferecer sacrifícios espirituais e ser canais para que outros conheçam o Deus Salvador.
Pregador: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTextos base: Hebreus 8:1-6, 1 Pedro 2:4-5
Nesta EBD, Mário Rodrigues encerrou a série sobre Teologia da Criação tratando de Gênesis 3, a narrativa da queda. Hebreus 11:3 nos mostra que pela fé entendemos que o universo foi formado — Deus não pede para provar, pede para crer. Agostinho nas Confissões confessa: "O pecado é feio, irracional, destrutivo — e mesmo assim eu amo". A questão não é só a origem do mal, mas como podemos ser seduzidos por aquilo que nos destrói.
Gênesis 3 não explica a origem do mal no mundo, mas a origem do mal na humanidade. A serpente é obra de Deus, mas já estava astuta antes da queda — Apocalipse 12:9 a identifica como o diabo. O instrumento dela não é força, é uma pergunta: "Foi isso mesmo que Deus disse?" Ela não nega Deus, ela distorce. Transforma liberdade ampla em proibição geral. Calvino: o primeiro pecado começou na mente antes de chegar às mãos. A serpente não ofereceu fruto, ofereceu uma interpretação errada de Deus.
Eva adiciona à proibição: "nem toquem nele" — uma regra exagerada que parece arbitrária e será questionada. A serpente mistura mentira com verdade: é verdade que os olhos se abriram (v. 7) e que conheceram o bem e o mal (v. 22), mas a mentira está na interpretação. Conhecimento do bem e do mal não é informação moral — é a prerrogativa de definir o que é certo e errado, autonomia moral absoluta. Geerhardus Vos: era uma proposta de inversão completa da ordem criacional.
Gênesis 3:6 e 1 João 2:16: agradável ao paladar (cobiça da carne), atraente aos olhos (cobiça dos olhos), desejável para obter discernimento (arrogância da vida) — o padrão original da tentação. Adão estava presente — Rashi, Calvino, R.C. Sproul, Matthew Henry interpretam assim. 1 Timóteo 2:14: Adão não foi enganado, caiu de olhos abertos. Calvino chama de "rendição covarde". Faltam homens que saibam liderar na crise pela virilidade bíblica.
Os olhos se abriram e viram a si mesmos — a primeira experiência foi vergonha. Cobrir-se com folhas de figueira é o primeiro ato religioso da história: o ser humano tentando com seus próprios meios cobrir o que expôs. Deus caminha no jardim e pergunta "Onde você está?" — não para localização, mas para oferecer a chance de ser encontrado. É a primeira vez que "medo" aparece na Bíblia em relação ao homem diante de Deus. Adão responde de forma covarde, culpando a mulher e Deus na mesma frase.
As sentenças: dor no parto e tensão no casamento não são criação de Deus, são consequência do pecado. O trabalho existia antes da queda (Gn 2:15), mas agora vem com resistência e frustração. Gênesis 3:15, o protoevangelium: Deus coloca inimizade onde havia cumplicidade — isso por si só é graça. A tensão entre duas sementes atravessa toda a narrativa bíblica (Caim/Abel, Ismael/Isaque, Esaú/Jacó). O descendente da mulher ferirá a cabeça da serpente.
Gênesis 3:21: Deus faz roupas de pele — para haver pele, houve sangue. É o primeiro sacrifício, a primeira morte. Deus providenciou, não Adão. Bavinck: "A graça nunca espera o ser humano chegar até ela." A expulsão do jardim é graça disfarçada — viver eternamente em pecado seria inferno. Gálatas 4:4-5: "nascido de mulher" aponta para Gênesis 3:15. Jesus foi tentado onde Adão cedeu — e resistiu. Na cruz, recebeu o golpe no calcanhar; na ressurreição, esmagou a cabeça da serpente. O sétimo dia está aberto. Cristo entrou nesse descanso, e por ele todo aquele que crê entra também.
Preletor: Mário RodriguesLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTextos base: Gênesis 3, Hebreus 11:3
Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 7:11-28, tratando da superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico. O autor de Hebreus é o único do Novo Testamento que trata de Jesus como sumo sacerdote e da substituição do sacerdócio levítico — parece que os outros autores deixaram isso quieto, talvez por ser dificultoso. O autor faz um paralelo com o dia da expiação (Yom Kippur), o dia mais importante para Israel, e diz que era imperfeito — aquele dia tão especial não alcançava a perfeição.
O dia da expiação foi instituído após a morte de Nadabe e Abiú (Levítico 16). Os filhos de Arão entraram com fogo estranho e foram consumidos. Arão viu seus dois filhos queimados no santíssimo lugar — imagine o temor com que ele entrou depois. Uma semana antes, o sumo sacerdote ia para o templo em purificação e jejum; na noite anterior, não o deixavam dormir para não ter impureza nos sonhos. Os sacerdotes entravam com uma cordinha amarrada por medo de serem fulminados.
O sacerdócio de Cristo é maior por causa da sua vida indestrutível (v. 16). Aqueles homens morriam — quem levaria as orações no ano seguinte? Cristo ressuscitou, sua vida é eterna. É maior por causa da nomeação divina. Os levitas eram nomeados por genealogia — filho de peixe, peixinho é. Muitos sacerdotes eram corruptos (filhos de Eli, sacerdotes ligados aos saduceus). Jesus foi nomeado pelo próprio Deus: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque" (Salmo 110). Em nenhum lugar das Escrituras há juramento relativo aos levitas.
É maior por causa da mudança de lei e aliança melhor (v. 12, 22). Para mudar o sacerdócio, precisava mudar a lei. Deus está trazendo uma aliança superior. É maior por causa do sacrifício único (v. 27). Os sacerdotes, dia após dia, ofereciam sacrifício por seus próprios pecados e depois pelo povo. Jesus o fez uma vez por todas, a si mesmo se oferecendo.
Quais as qualificações de Jesus? Santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus (v. 26). Aqueles homens não eram santos — Arão não era, seus filhos não eram, o papa não é, nenhum pastor é nesse sentido de totalmente separado. Jesus se tornou o fiador de uma aliança superior — venceu a morte, tirou seu ferrão. Podemos olhar para a morte sem medo porque temos um sumo sacerdote que é garantia de vida eterna.
Se o dia da expiação era sombra, a cruz é onde a expiação foi completamente realizada. Aquela repetição interminável foi cumprida de uma vez por todas por alguém plenamente divino e plenamente humano. O sangue de Jesus é suficiente para propiciar a justa ira de Deus e é capaz de salvar definitivamente aqueles que por meio dele aproximam-se de Deus. Somos chamados a crer nesse Jesus Cristo e dizer: "Este é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo."
Pregador: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTextos base: Hebreus 7:11-28, Levítico 16:1-2
Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 7:1-10, tratando do sacerdócio de Jesus segundo a ordem de Melquisedeque. O capítulo 7 é o âmago e o centro da carta aos Hebreus. O autor escreve como um advogado argumentando quem Jesus é. O dilema: Jesus era da linhagem de Davi, poderia ser rei, mas não era da tribo de Levi — como poderia ser sacerdote e mediador?
O ser humano clama por mediação. Em todas as religiões, o homem busca paz através de anjos, espíritos, ofertas. O homem natural é abalado pela consciência do seu pecado — há algo de errado conosco. Os levitas mediavam a relação entre o povo e Deus, mas era sombra, passageiro, imperfeito — tinham que fazer sacrifício por eles mesmos, ano após ano.
O autor retorna a Gênesis 14 para mostrar que já existia sacerdote antes de Levi. Abraão, voltando da batalha para resgatar Ló, encontra Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Abraão lhe dá o dízimo de tudo. O autor interpreta: Melquisedeque significa "rei de justiça" (melec = rei); Salém vem de shalom, "paz" — é a cidade que depois seria Jerusalém.
Abraão, ao entregar o dízimo, reconhece em Melquisedeque alguém superior. O maior abençoa o menor. Quando Abraão dá o dízimo, Levi que ainda nem havia nascido (Abraão gera Isaque, Isaque gera Jacó, Jacó gera Levi) estava junto com Abraão entregando dízimo a Melquisedeque — mostrando que alguém era superior ao sacerdócio levítico.
Hebreus 7:3 diz que Melquisedeque era "sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao filho de Deus". A Bíblia não narra ele como anjo ou cristofania — quando quer falar de aparições espirituais, é clara. O que demonstra é que há um ofício de sacerdote que é eterno, e esse homem é feito semelhante a Jesus, nosso sacerdote eterno.
A criação mostra isso desde o início. Em Gênesis, céus e terra não eram divididos — o homem via o Senhor na viração do dia. A queda fez o homem perder a relação com Deus. Em Apocalipse, novos céus e nova terra não têm mais divisão. Adão era sacerdote e rei — deveria guardar e cultivar o lugar da presença de Deus. 1 Pedro 2:9: "Vocês são sacerdócio real, nação santa."
O que isso tem a ver conosco? Ainda buscamos mediação por meios humanos — achando que a oração do pastor dá acesso diferente, usando amuletos, terceirizando a fé por genealogia, criando coisas supostamente espirituais (chofar, quipá). Isso é paganismo. Deus não requer mais essas práticas cerimoniais. Temos um sacerdote eterno, inabalável, à destra de Deus. Jesus nos constitui sacerdócio real para que através de nós todas as famílias da terra sejam abençoadas — não porque somos mediadores, mas porque conhecemos aquele que é e anunciamos às outras pessoas.
Pregador: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: Hebreus 7:1-10
Nesta EBD, Mário Rodrigues expôs os sete dias da criação em Gênesis 1-2. Clemente de Alexandria falou sobre a metáfora do "teatro da glória de Deus" — Gênesis prepara o palco para a história da redenção. A expressão "sem forma e vazia" (tohu vabohu) não era caos maligno, mas estado inacabado à espera da ação de Deus. O Espírito "pairava" sobre as águas como uma águia sobre seus filhotes — Deus presente, pronto para agir. Calvino observava que Deus poderia ter criado tudo num instante, mas escolheu seis dias por razão pedagógica — ensinando que é um Deus de ordem.
Dia 1: Deus cria a luz sem o sol — desmontando o paganismo egípcio onde Rá era deus da luz e do sol. Dar nome é ato de autoridade. Dia 2: Único dia sem "era bom" (tov) — a obra ainda não estava completa, só se completa no terceiro. Deus não declara boa uma obra incompleta. Dia 3: Terra seca e vegetação, cada qual segundo sua espécie — existe mutação, não transmutação. Dia 4: Luminares criados sem nome próprio (não diz "sol" nem "lua") — são ferramentas para calendário, não divindades. Dia 5: Primeira bênção da Bíblia sobre peixes e aves — abundância segundo cada espécie.
Dia 6: "Façamos o homem" — conselho divino trinitário. No mundo antigo, imperadores erguiam estátuas; Deus traz seres humanos como sua imagem viva. Moisés diz ao povo escravo: "Vocês são a imagem de Deus, não Faraó." O mandato de dominar não é explorar, mas cuidar — os cristãos deveriam ser os maiores defensores da criação. Ao final: "muito bom" (tov meod).
Dia 7: O clímax não é o homem, é o descanso de Deus. Shabat = cessar porque a obra está completa. Único dia sem "houve tarde e manhã" — está aberto. Kline: os seis dias constroem um templo cósmico; o sétimo é quando o Rei entra e toma seu trono. O sábado simbolizava a antiga aliança (trabalha, depois descansa); o dia do Senhor simboliza a nova aliança (crê em Cristo, depois descansa em Cristo).
Gênesis 3 é a peripécia — a serpente oferece interpretação diferente de Deus. Calvino: o primeiro pecado começou na mente antes de chegar às mãos.
Preletor: Mário RodriguesLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: Gênesis 1:1-2:3
Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 6:13-20, tratando das promessas de Deus e da perseverança dos santos. O autor de Hebreus traz o exemplo de Abraão para encorajar aquele povo que estava retrocedendo a fé por causa de perseguições e dificuldades. Abraão foi chamado por Deus da terra de Ur dos Caldeus, um lugar de paganismo, aos 75 anos. Deus prometeu que seus descendentes seriam como as estrelas do céu. Abraão esperou pacientemente — 25 anos até o nascimento de Isaque.
Quando esperamos pela promessa de Deus, temos uma tendência errônea a querer administrar o tempo da promessa. Sarai tentou alcançar a promessa por meios ilícitos, entregando sua serva Agar. Muitos de nós, no meio da espera, tentamos fazer a promessa acontecer a um custo diferente. Abraçamos o pecado como se disséssemos ao Senhor: "Não dá para confiar mais em ti, eu vou dar meu jeito." Mas Deus interveio — no monte Moriá, proveu um cordeiro para substituir Isaque. Deus naquele momento interveio para que um pai não sacrificasse seu próprio filho. Mas no monte da Caveira, sendo Ele também um Pai, não interveio e sacrificou seu próprio Filho para que a promessa fosse cumprida.
O segundo ponto é sobre o juramento de Deus. Os homens juram por alguém superior a si mesmos, mas a maioria das vezes esse juramento é falho. Deus não tem ninguém maior que Ele — jura por si mesmo. Quando Deus fez a aliança com Abraão, fez Abraão cair num sono profundo. Abraão participou de forma extremamente passiva. Deus fez o pacto sozinho. A natureza do propósito de Deus é imutável — Deus não pode melhorar nem piorar, não pode crescer nem diminuir, não se torna mais glorioso porque você veio no culto. É impossível que Deus minta.
O texto fala que nos refugiamos nele para tomar posse da esperança. Moisés estabeleceu cidades de refúgio onde a morte não alcançava quem fugia para lá. Há um lugar de refúgio onde podemos buscar consolo e segurança mesmo diante do nosso último suspiro. A promessa não é necessariamente para coisas terrenas — é que ao abrirmos os olhos nos novos céus e nova terra, encontraremos a beleza da face do nosso Criador e toda ansiedade, dor e luta será desfeita. Temos essa esperança como âncora da alma, firme e segura, que adentra o santuário interior por trás do véu. Navios no primeiro século, quando tomados por tempestades, lançavam suas âncoras em lugar firme. O templo era tripartite: Santo dos Santos (onde o sumo sacerdote entrava uma vez ao ano), pátio externo (onde os judeus faziam ofertas), e o último pátio (onde faziam purificação). Nós não conseguiríamos jogar nossa âncora no Santo dos Santos — não poderíamos entrar lá. Mas Jesus nos precedeu. Ele entrou onde eu e você não poderíamos entrar. Nosso barquinho não está mais à deriva, está ancorado no Santo dos Santos por meio daquele que nos precedeu.
Onde está a tua âncora? Se você tem colocado a âncora do seu coração fora do Santo dos Santos, nas coisas externas, na religiosidade, quando vierem os ventos fortes, seu barco não vai resistir. Somos peregrinos, mas somos peregrinos com um guia que já está lá. Por isso mantemos os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele sacrificou-se a si mesmo e ressuscitou para ser para nós uma esperança vívida de que também adentraremos por trás do véu.
Preletor: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: Hebreus 6:13-20
Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 5:11-6:12, tratando da maturidade cristã e do perigo da apostasia. O autor de Hebreus faz uma pausa no ensino sobre Jesus como sumo sacerdote da ordem de Melquisedeque para advertir aquele povo — aparentemente no meio da congregação eles não avançavam, não amadureciam, tinham dificuldade de receber alimento sólido. Eles eram "lentos para aprender" — a palavra pode ser traduzida como preguiçosos. Muitos já deveriam ser mestres após 15, 20, 30 anos, mas não conseguiam ensinar outras pessoas os elementos básicos da fé.
O leite não é ruim — as coisas fundamentais da fé são necessárias. Mas não seria estranho uma criança de 15 anos chegar ao culto com mamadeira? Crianças que não crescem reproduzem problemas. Uma característica da imaturidade é a birra. A birra dos cristãos adultos não é chorar no canto, mas parar de congregar, parar de ofertar, virar a cara para os irmãos. Quantos homens e mulheres que já deveriam ser maduros continuam agindo como crianças porque estão presos a atitudes infantis e não se alimentam de alimento sólido?
O autor menciona ensinos elementares que eles ficavam discutindo: arrependimento de atos que conduzem à morte (arrependimento externo para as pessoas verem), instrução sobre batismos (purificações rituais), imposição de mãos (transferência de pecados para animais sacrificados). Esses elementos da lei levítica haviam se encerrado em Cristo. Se você vem servir no culto ou demonstrar sacrifício externo para provar às pessoas e ser aceito, você vai se frustrar — você não vai receber das pessoas aquilo que só recebe em Jesus.
Do verso 4 ao 6, temos um dos textos mais polêmicos do Novo Testamento. Pessoas que foram iluminadas, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus — e caíram. O povo de Israel foi liberto do Egito, tinha nuvem de dia e coluna de fogo à noite, ouviu a voz de Deus da montanha, viu o maná cair do céu 40 anos, participou de dons espirituais — e a grande maioria morreu no deserto. Josué e Calebe são os únicos dois daquela geração que chegaram a Canaã. Judas Iscariotes esteve junto ao Verbo encarnado, foi enviado em missão, realizou sinais e maravilhas — e não foi crente genuíno.
Quando esses homens retrocediam ao judaísmo, precisavam declarar que Jesus era blasfemo e mentiroso. Não estavam se identificando com a cruz, mas com aqueles que crucificaram Jesus. É como se precisasse crucificar Jesus novamente. Pode uma pessoa que blasfema contra Cristo e diz que ele é maldito ser restaurada? 1 João 2:19 diz: "Eles saíram do nosso meio e isso evidencia que nunca eram dos nossos." Jesus disse: "Aqueles que o Pai me der, ninguém pode arrancá-los das minhas mãos."
O autor usa a parábola do semeador: terra boa absorve a chuva e produz colheita; terra ruim produz espinhos e ervas daninhas. Alguns se afeiçoam com os valores da fé cristã, mas quando a dificuldade bate — crise financeira, doença, morte — acham que Deus é injusto. O erro da teologia da prosperidade é pegar as bênçãos prometidas para a Nova Jerusalém e aplicar para hoje. O desejo do autor é que tenham prontidão até o fim, não sendo negligentes, imitando aqueles que por meio da fé e da paciência receberam a herança prometida. Aqueles que imitam a fé que preservaram até o fim continuam até o fim, porque sabem que esperança que se vê não é esperança. Estamos a caminho, mas ainda não chegamos lá.
Preletor: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: Hebreus 5:11-6:12
Nesta aula da Quinta Teológica, o Pastor Fabricio Corrêa continuou tratando do contexto religioso por trás do Pentateuco, agora focando na mitologia egípcia. A Bíblia foi entregue ao povo nas Campinas de Moabe por volta de 1450 a.C. e o autor bíblico está combatendo mitos, lendas e cosmogonias pagãs. Cosmogonia é a visão de como as coisas foram criadas — aquele povo tinha uma cosmovisão formada pela cultura em que viviam. Eles ficaram no Egito 430 anos e foram muito influenciados por essa cultura.
O povo do Antigo Oriente não pensava no "como" (estruturas), mas no "quem" — a mentalidade oriental é ontológica, focada no ser por detrás. Nossa mente ocidental quer entender estruturas científicas, mas essa não era a proposta do texto bíblico porque não era a pergunta dos leitores. A mitologia ocupava o lugar que a ciência ocupa hoje — fornecia explicação sobre criação e funcionamento do mundo. Quando vamos ao texto de Gênesis com nossa cosmovisão moderna, não achamos as respostas que gostaríamos porque o texto não é científico (embora seja exato).
Na cultura egípcia, o rio Nilo era as águas primordiais de onde surgiam os deuses. A ideia era que existia um caos ou desordem antes do mundo, e então o deus Num surge das águas e cria outros deuses. A epopeia de Enuma Elish e a epopeia de Gilgamesh são narrativas similares ao que vemos em Gênesis — inclusive Gilgamesh narra um dilúvio com um homem que construiu um grande barco. O dilúvio é narrado em cerca de 11 culturas diferentes, desde a China até o Oriente Médio. Na cultura egípcia-babilônica, a criação do ser humano era sempre um retrato ruim — homens criados para fazer trabalhos forçados dos deuses. Diferente de Gênesis, onde o homem é criado à imagem e semelhança de Deus como coroa da criação.
Quem foi o faraó do tempo de Moisés? Tutmoses I era o faraó quando Moisés nasceu — período mais expansionista do Egito. A mulher Hatshepsut (filha do faraó) muito provavelmente foi quem tirou Moisés das águas. Amenhotep II era provavelmente o faraó do êxodo. Tutmoses IV escreveu a "Estela do Sonho" na esfinge egípcia narrando que não era o primogênito, mas seu irmão morreu de "causas desconhecidas" e ele subiu ao trono — isso casa com a 10ª praga. Amenhotep IV, vendo um povo monoteísta conquistando Canaã, instituiu um único deus no Egito por um período.
As pragas do Egito não foram apenas para o faraó — foram para o povo de Israel. Eles também adoravam aqueles deuses. A primeira praga transforma o Nilo (de onde surgiam as divindades) em sangue. A morte do primogênito do faraó declara que nenhum deus pode parar o Deus de Israel. Deus realiza uma desordem para trazer uma ordem — depois, na peregrinação, Deus traz maná do céu, nuvem e coluna de fogo, abre o mar, abre a terra. Ele está reestruturando a cosmovisão daquele povo pagão.
Por que as narrativas de Gênesis são similares às epopeias pagãs? Duas perspectivas: (1) Todos os povos até o dilúvio viveram a mesma história e a recontaram de formas diferentes — por isso encontramos narrativas similares em várias culturas. (2) Satanás, que estava no princípio e sabe como Deus fez todas as coisas, criou falsas ideias na mente de homens caídos com histórias parecidas mas com "um nó no meio" — mais deuses e destituição do propósito do homem. Deus usa similaridade cultural para zombar dos mitos e demonstrar que Ele é o único Deus verdadeiro. A zombaria ao politeísmo egípcio é ênfase central das pragas.
Hebreus 11:3 diz: "Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus". A ciência nunca vai comprovar a criação de forma reproduzível — sempre será teoria. Se corrermos atrás disso, corremos atrás de vento. Deus deixou Israel 40 anos no deserto para colocar a mente no lugar. O que Deus estava fazendo? Reestruturando a visão deles para que cressem em um único Deus e lembrassem que como filhos de Deus podem usar a criação com sabedoria, adorando ao Senhor através das coisas criadas — não adorando as coisas, mas ao Senhor.
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