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Hoje voltamos a ter um imperdoável só do convidado. Neste caso é o podcaster António Araújo (um dos intervenientes dos "Universos Paralelos" e autor do "Segundo Take", que começou uma minissérie sobre LA vista pelo cinema), que nunca tinha visto a célebre comédia escrita por Richard Curtis e realizada por Mike Newell que conquistou as bilheteiras em 1994. Hugh Grant e Andie MacDowell protagonizam, mas é na constelação de personagens secundárias (como Kristin Scott Thomas, John Hannah e Simon Callow) que reside a força maior desta comédia sobre o amor verdadeiro, as relações e o egoísmo que pode envolver o romantismo. O autor deste podcast adorou rever o filme oito anos depois da primeira vez, e o convidado teve várias reservas quanto à narrativa e às personagens principais. No fim, deu para perceber que todas as deambulações amorosas suscitaram uma boa conversa com laivos filosóficos.
O autor deste podcast foi ver uma das obras maiores de Manoel de Oliveira, estreada em 1981 e que continua a ser um dos filmes mais estudados do cineasta. Um episódio a solo gravado na rua, no regresso a casa (à semelhança do que foi feito no episódio sobre "Fort Apache"), com ideias soltas sobre o porquê de já ter visto tanto filme de Oliveira e ter deixado para trás este mais consagrado (e outros), enquanto se fugia do frio e do vento (que infelizmente marcou presença na gravação).
O crítico e podcaster Pedro Correia (autor do projecto multiplataforma Vinyl n Celluloid) também ainda não tinha visto este épico de 1956, o canto de cisne da carreira de Cecil B. DeMille. O épico bíblico protagonizado por Charlton Heston, Yul Brynner e Anne Baxter (num elenco cheio de grandes actores até em pequenos papéis) é ainda hoje um dos filmes mais lucrativos da História do cinema, e continua a impressionar gerações com a sua escala e os efeitos especiais vencedores de Oscar. As opiniões dividiram-se na conversa, alimentada com outras referências de filmes religiosos hollywoodescos, as formas de se ver cinema ontem e hoje, e a marotice incluída nesta adaptação da narrativa do Êxodo.
Damos o pontapé de saída à terceira temporada (que será propositadamente menos regrada que as anteriores) com mais um episódio a solo, em que o autor do podcast discorre sobre sete filmes que descobriu nos últimos meses e que se enquadram nesta ideia de imperdoáveis: "Ma Nuit Chez Maud", "The Lost Boys", "Cria Cuervos", "Sei Donne Per L'Assassino", "São Paulo Sociedade Anónima", "The 7th Voyage of Sinbad" e "Dead Man".
Para a season finale, um episódio especial: como o autor do podcast não encontrou ninguém que não tivesse visto, como ele, o "Profondo Rosso" de Dario Argento, decidiu trazer três amigos (que ouvimos anteriormente por aqui), desafiando cada um deles a ver o seu Imperdoável do realizador italiano: o António Araújo viu "Tenebre", o Hugo Gomes ficou encarregue de "Opera" e o Tiago Laranjo tirou da watchlist "O Pássaro das Plumas de Cristal". Uma conversa informal e surpreendente sobre o cineasta, outros cinemas e uma série de temáticas mais ou menos parvas.
O podcaster e programador de cinema José Santiago (Passos no Escuro, Direto Pra Vídeo, SpinOff) também nunca tinha visto o terceiro tomo da saga do jovem feiticeiro a viver aventuras nas terras de Hogwarts. Uma conversa entre dois muggles em que o autor deste podcast revela como a estreia do primeiro filme nos cinemas foi marcante na sua infância, e de como o convidado só está a descobrir os filmes agora - mas ao longo dos últimos 25 anos, não conseguiu fugir inteiramente ao fenómeno. Nem que seja pelas expressões da feitiçaria que se tornaram parte da cultura popular. Com ou sem cicatrizes pintadas na cabeça, vamos à (re)descoberta da investida de Alfonso Cuarón no franchise, sem dúvida um ponto alto de criatividade nos oito filmes da série.
O realizador Guilherme Branquinho ("Vórtice", "Finisterra") também nunca tinha visto a adaptação de Robert Wise do romance de Shirley Jackson. O filme, estreado em 1963 e baptizado entre nós como "A Casa Maldita", tornou-se com o tempo numa das referências maiores do cinema de terror. Com Julie Harris, Claire Bloom e Russ Tamblyn, a história mantém o seu impacto e traz algumas notáveis proezas técnicas. Numa autêntica "conversa de café", o filme esteve em cima da mesa e serviu, depois, para falar de outros filmes, de outros cinemas, mas também de filosofia, comédia e coisas que nos tiram o sono.
O crítico e programador Tiago Bartolomeu Costa também ainda não tinha visto o épico de Fritz Lang com o vilão diabólico que o inspiraria ainda para dois filmes futuros (e outros de vários realizadores). Uma trama policial ao longo de mais de quatro horas que deu que falar em 1922, e que continua a ter muitos elementos impressionantes e irresistíveis. Uma conversa gravada (quase totalmente) no espaço da Cinemateca Portuguesa,« que passou por múltiplas referências cinematográficas, literárias e de outras artes, para nos tentarmos meter na pele do espectador de há mais de 100 anos... não esquecendo o que moldou a experiência do convidado com o cinema: e isso inclui pugilistas, dinossauros e a filósofa Jodie Foster.
Reflexões curtas em forma de monólogos sobre quatro filmes Imperdoáveis, num autêntico churrasco de cinefilia: "The Spiral Staircase" (1946), "Beau Travail" (1999), "The Thing From Another World" (1951) e "Dr. Jekyll and Mr Hyde" (1931).
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