O novo marco regulatório e a fábrica de projetos do BNDES elevaram o saneamento básico da posição de “primo pobre da infraestrutura” para a de “noiva da vez”. Isso porque há demanda de investimento que supera R$ 700 bilhões para universalizar e melhorar o atendimento em um mercado bastante resiliente a crises econômicas. A nova lei determina que, até dezembro de 2033, 99% da população deve ser atendida por água potável e 90% por coleta e tratamento de esgoto, com flexibilidade para janeiro de 2040 em casos excepcionais. Para Rogério Tavares, conselheiro e coordenador do Comitê de Recursos Hídricos e Saneamento Básico da Abdib e vice-presidente de Relações Institucionais da Aegea, o cenário mais realista é acreditar que, em 2033, boa parte do problema, mas não ele todo, estará resolvida. E, para 2040, é plenamente possível cumprir as metas, fazendo em 20 anos o que não foi feito nos últimos 50. Ele aposta na formação de blocos regionais para viabilizar investimentos em municípios menos atrativos e explica os benefícios da atuação da ANA, agora agência reguladora também do saneamento, para criar normas de referência nos próximos dois anos.