Como cobrar de uma forma mais efetiva o seu deputado federal ou senador? Aliás, você lembra para quem foi o seu voto nas últimas eleições? A partir de maio, o aplicativo "Poder do Voto" promete descomplicar a vida do eleitor, permitindo o acompanhamento de projetos e a interação com os parlamentares, além de possibilitar a fiscalização do cumprimento das propostas dos congressistas.
Em entrevista ao Instituto Millenium, o executivo Mario Mello falou sobre a criação do app, fruto da necessidade de uma ferramenta de trabalho que resgatasse a esperança no país. Ao acompanhar a reforma política brasileira, em 2017, Mello sentiu-se indignado com a ausência de transparência e a falta de proximidade entre o Congresso Nacional e os eleitores, e decidiu dar início a plataforma abandonando o comando do PayPal na América Latina:
"Em vez de transformar minha indignação em revolta negativa, lembrei de uma frase que diz 'não existe problema que a tecnologia não possa resolver', e pensei no fato das pessoas estarem digitalmente conectadas. Percebi que conseguiria criar uma ferramenta para promover uma clareza de representação para ajudar as pessoas a cobrarem e terem um diálogo construtivo com seus congressistas, e aí surgiu o 'Poder do Voto'".
O aplicativo será gratuito para o uso dos cidadãos e parlamentares e funcionará de forma bem simples: o usuário escolherá um deputado, três senadores e o tema que deseja acompanhar. A partir disso, toda vez em que leis relevantes entrarem em votação, a pessoa receberá uma notificação no celular e poderá dizer ao político se é a favor ou contra a medida e, depois, conferir como ele procedeu. O aplicativo pretende também emitir um relatório específico para os deputados e outro para os usuários, para que possam identificar o nível de sintonia entre eles. Dessa maneira, o cidadão terá um panorama do desempenho do seu candidato e poderá decidir se quer vê-lo reeleito ou não ao final do mandato.
"Todas as leis que o usuário se envolver, vou emitir um relatório automático no app abordando se ele e o deputado escolhido pensam igual, essa é a sintonia. A ideia é simular o processo não só de participação, mas também de acompanhamento pois acredito que hoje exista uma energia muito negativa no Brasil, e se eu pegar um pouquinho dessa energia e direcioná-la para a construção de debates, acho que já vou estar cumprindo um papel importante no 'Poder do Voto'", diz.
O "Poder do Voto" disponibilizará espaços chamados "comunidades", onde algumas organizações da sociedade civil irão contribuir para que o cidadão possa formar sua opinião através de fontes variadas e de diferentes visões ideológicas, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outros.
"Todas as entidades importantes vão estar lá como ferramentas de opinião. As comunidades são papel fundamental para divulgarem e influenciarem o eleitor. Quem vai dar cor no 'Poder do voto' são as comunidades, e o eleitor poderá decidir qual comunidade ler ou optar por ler nenhuma delas. Talvez o app possa fazer com que a pessoa veja mais de uma opinião e gerar um debate construtivo", explica Mello.
A expectativa do executivo é que o aplicativo alcance 50 milhões de pessoas até o próximo ano e que, até lá, consiga romper algumas barreiras e estabelecer uma aproximação entre o eleitor e parlamentar: "As pessoas não acreditam no poder do seu voto e eu quero que elas voltem a acreditar que têm o poder quando votam em alguém".