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Now, here is the monologue for your benefit!
Não sei por que fui cair na besteira de convidar o Pedro para lanchar comigo. Agora estamos os dois aqui na lanchonete, plantados feito batata, enquanto ele tenta se decidir se pega coxinha de frango ou pastel.
Mas o Pedro sempre foi assim. Desde o ensino médio, ele pensa mil vezes antes de agir. Ainda no ensino médio, ele ficou na dúvida entre estudar Direito, Biologia ou Jornalismo. Três áreas nada a ver. Enquanto todo mundo já sabia que graduação queria cursar, o Pedro deixou para a última hora, quando finalmente escolheu Psicologia.
Ele dizia que não gostava de fazer nada às pressas. Precisava pesar os prós e contras de tudo, porque não queria bater o martelo precipitadamente e se arrepender depois. Não queria fazer como os pais dele, que sempre se afobavam numa decisão para depois mudar de ideia.
Na faculdade, não sabia que abordagem seguir. Dizia gostar da psicanálise, mas como esta demandava uma formação à parte, “seria uma escolha questionável.” Achava que a terapia cognitivo-comportamental trazia bons resultados na recuperação dos pacientes, mas dizia para si mesmo que não queria se prender a uma teoria apenas, perceber que tinha sido uma má escolha e depois ter de conviver com isso.
Nesse vai-e-vem, ficou com a psicanálise mesmo.
E se a indecisão já era um problema na vida acadêmica dele, na política então nem se fala.
Na faculdade, Pedro flertava com o comunismo. Costumava frequentar as assembleias, conversar com todo mundo a respeito das teorias e ler todo tipo de livro da área. Mas, ao conhecer uma garota muito interessante, virou a casaca e passou a se identificar mais com o conservadorismo moderado.
Quando chegaram as eleições, ele ficou em cima do muro. Disse que todos os candidatos tinham propostas muito boas, mas nenhum deles tinha a grande maioria das boas propostas. Ou seja, Pedro estava indeciso e não se decidiu até o dia da votação. E depois de votar, não contou para ninguém em quem votou, pois não queria ficar remoendo a sua escolha se ela fosse ruim. Só queria virar a página.
Aí agora já se vão 15 minutos e nada de ele escolher o que vai comer. A sorte é que o atendente é esperto e vai adiantando o lado dele com os outros clientes.
De repente, Pedro começa a apontar alternadamente para o pastel e para a coxinha, para a coxinha e para o pastel. O filho da mãe está fazendo Uni Duni Tê!
Bato na mão dele, interrompo o que ele está fazendo e peço logo duas coxinhas. Se ele não quiser, que bom! Sobra mais para mim.