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Desde que eu me entendo por gente, quis trabalhar como escritor. Infelizmente, não virei daqueles que trabalham com romances e poesias. Passaria fome se tivesse feito isso. Mas, depois de muito esforço, finalmente arranjei um emprego na editoria de entretenimento de uma revista voltada para o público adulto.
Eu sei, não é nada glamouroso, mas, para quem está se afogando, jacaré é tronco.
Agora me sobrava dar a notícia para as pessoas importantes na minha vida. Elas me dariam apoio e me ajudariam a ver se minha decisão tinha sido acertada.
A primeira pessoa a quem contei foi o meu pai. Apesar de ele ser muito sério e machão, sempre foi muito acolhedor. Fiquei completamente sem jeito de falar com ele, então resolvi desembuchar logo. “Pai, arranjei um emprego de redator numa revista de entretenimento adulto.” Meu pai ficou em choque. Disse que isso não era trabalho de gente. Não sabia que ele torceria o nariz para isso, mas fazia sentido. No fim das contas, ele disse que não sabia o que pensar, mas também não ia falar mais nada, porque eu era bem grandinho para me virar por conta própria.
Entendi isso como uma aprovação.
O primeiro desafio estava superado.
Agora tinha de falar com a minha mãe.
Com ela a barra não ia ser tão pesada. Minha mãe sempre viveu livre, leve e solta, especialmente depois que se divorciou do meu pai. Mas, ainda assim, não acho que ela fosse querer ver um filho se embrenhando nessas áreas tão questionáveis para algumas pessoas. Pensei que ela fosse fazer cara feia para a minha escolha profissional, sendo pega de surpresa com essa bomba que eu ia largar no colo dela. Mas, no final das contas, ela só sorriu de orelha a orelha e me perguntou se eu estava contente. Claro que estava! Eu ia finalmente conseguir parar de depender do salário da minha esposa. Então minha mãe me abraçou e me desejou boa sorte.
E agora tinha de contar para minha esposa.
Aqui eu estava receoso. Escrever para uma revista desse tipo significa que, com frequência, ia ver fotos de modelos em poses inusitadas. Isso não influenciaria em nada o meu casamento, mas tinha medo da reação de minha esposa. Se ela me olhasse atravessado ou fizesse a mínima careta que fosse, eu provavelmente agradeceria a oportunidade na revista e declinaria da oferta.
Então resolvi contar a ela, mas antes precisava preparar o terreno. Disse para ela que tinha conseguido um emprego e que iríamos jantar fora para discutir o assunto. Mas ela não se aguentou e pediu para eu adiantar o assunto, porque estava muito curiosa para saber mais detalhes. Quando abri o jogo, ela fez a maior cara de paisagem e perguntou se podia ver também um exemplar da revista para a qual eu ia escrever. Claro. Eu lhe mostrei uma edição e ela olhou lentamente cada página e cada foto, demorando-se em cada uma, e disse que era um trabalho honesto como qualquer outro. O que importava era se eu gostava.
Eu gostava, mas eu acho que ela tinha gostado da novidade mais do que eu.