26/04/2026
Aprofundando a Meditação: Acolhendo a Inteireza
Essa meditação nos convida a observar, acolhendo o que vier, agradáveis e desagradáveis imagens e experiências. Buda nos falou que reconhecer o sofrimento é a primeira nobre verdade. É a partir disso que podemos buscar meios para lidarmos e transformarmos nossas percepções, reconhecendo que aquilo que nos assombra, uma vez reconhecido, pode nos abrir portas para uma potência criativa e um novo posicionamento no mundo, mais alinhado com quem somos mais profundamente.
A filosofia do yoga, chama de “klesha” aquilo obscurece a mente e provoca aflição, o budismo chama dos venenos da mente, a psicologia de Jung, nos leva a reconhecer as sombras e a atuação de complexos autônomos que atuam e que no processo da análise e do trabalho interno podem vir para a consciência. Todas essas visões reconhecem a ignorância e a inconsciência, como a principal razão do sofrer.
Nossa primeira reação frente a dor, seja ela qual seja, é buscarmos as razões dela fora de nós, criando um elo de causa e efeito com situações e pessoas. Sim, fatores externos provocam sofrimento pelo impacto de circunstâncias sobre nosso sistema, mas sempre existirá um link em nós que de algum modo nos levará a vivenciar de um determinado modo àquela experiência.Nos responsabilizamos pelo que depende de nós e o que fazemos com as situações e vivências é nosso aprendizado.
Isto não é um processo simples e nos convida a uma descida aos reinos mais profundos da alma e aos nossos sótãos. Quando nossa meditação se aprofunda, podem surgir desses níveis mais profundos memórias, imagens e o se dar conta de quanto guardamos ou reprimimos determinadas emoções por algum medo ou por estas ainda não estarem tão claras e conscientes para nós.
O reconhecimento disto pode levar a uma liberação, mas mais do que isto, deve nos convidar a uma contemplação equânime das condições envolvidas e da nossa própria condição.
A compaixão não é um sentimento passional, nem é a negação de nenhuma dor, ao contrário, ela só desperta realmente num coração que já passou por provas e se mantém fiel a seus valores internos, para além de qualquer coisa.
Que a divina Mãe nos ajude a lidarmos com todos os desafios externos e internos que nos testam na nossa capacidade de amar e ouvir a sabedoria da alma.