"Magia Negra”, macumba ou “coisa do demônio” são termos que, infelizmente, muitos ainda usam para falar sobre religiões de matriz africana. É bom lembrar que vivemos em um país que, historicamente, criminalizou a prática da religiosidade afro-brasileira com a aplicação do Código Penal de 1890, que proibia a manifestação de seguidores da umbanda e do candomblé. Hoje, teoricamente, o Brasil é um país laico, segundo o artigo 5º da Constituição de 1988. Porém, apesar disso, não há uma lei específica para tratar somente dos casos de intolerância religiosa, algo que é comum no Brasil.
Para você ter uma noção, o último levantamento do Disk 100, de 2019, contabilizou 506 casos de discriminação religiosa no país, sendo 29% referentes aos praticantes de religiões de matriz africana. No Ceará, em 2018, 8 denúncias de agressões ligadas à religião foram registradas. Entre elas, metade aponta o desrespeito com praticantes da Umbanda, outras duas atingem o Candomblé, uma o Espiritismo e outra não teve religião informada. Ao analisar esses números, fica evidente o preconceito contra tais religiões.
Remando contra a intolerância, seguidores de religiões de matriz africana resistem pelo amor e conexão que mantêm com a ancestralidade. No Ceará, existem mais de 5 mil terreiros, segundo dados de instituições ligadas ao ramo, com praticantes que pedem respeito há muito tempo. Para discutir sobre o assunto e refletir sobre o vínculo entre religião e ancestralidade preta, a Alice, que você já conhece, entrevistou Jandson Fonte e Larissa Vasconcelos.