Leia Erika, Leia

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By Erika VerissimoArts
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Leia Erika, Leia episodes

  • #08 - Ficções do Interlúdio 1 - Alberto Caeiro
    Erika lê Alberto Caeiro
    Quando vier a Primavera
    Se eu já estiver morto,
    As flores florirão da mesma maneira
    E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
    A realidade não precisa de mim.
    Sinto uma alegria enorme
    Ao pensar que a minha morte não tem importância  nenhuma
    Se soubesse que amanhã morria
    E a Primavera era depois de amanhã,
    Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
    Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu [tempo?
    Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
    E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
    Porque tudo é real e tudo está certo.
    Podem rezar latim sobre meu caixão, se quiserem.
    Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
    Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
    O que for, quando for, é que será o que é.
    2 min
  • #06 - Manuel Bandeira - A vigília de hero
    Erika Lê: Manuel Bandeira " A vigília de hero"
    Tu amará outras mulheres
    E tu me esquecerás!
    é tão cruel, mas é a vida. E no entretanto
    Alguma coisa em ti pertence-me!
    Em mim alguma coisa és tu.
    O lado espiritual do nosso amor
    Nos marcou para sempre.
    Oh, em pensamento nos meus braços!
    Que eu afeiçoe e acaricie...
    [...]
    3 min
  • #05 - Florbela Espanca - EU
    Erika lê: Florbela Espanca "EU"
    Eu sou a que no mundo anda perdida,
    Eu sou a que na vida não tem norte,
    Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
    Sou a crucificada... a dolorida....
    Sombra de névoa ténue e esvaecida,
    E que o destino amargo, triste e forte,
    Impele brutalmente para a morte!
    Alma de luto sempre incompreendida!...
    Sou aquela que passa e ninguém e vê...
    Sou a que chamam triste sem o ser...
    Sou a que chora sem saber porquê...
    Sou talvez, a visão que Alguém sonhou,
    Alguém  que veio ao mundo pra me ver
    E que nunca na vida me encontrou!
    2 min
  • #04- Carlos Drummond de Andrade - AMAR
    Erika Lê: Carlos Drummond de Andrade
    AMAR
    Que pode uma criatura senão,
    entre criaturas, amar?
    amar e esquecer,
    amar e malamar,
    amar, desamar, amar?
    sempre, e até de olhos vidrados, amar?
    Que pode, pergunto, o ser amoroso,
    sozinho, em rotação universal, senão
    rodar também, e amar?
    amar o que o mar traz à praia,
    o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
    é sal,  ou precisão de amor, ou simples ânsia?
    Amar solenemente as palmas do deserto,
    o que é entrega ou adoração expectante, 
    e amar o inóspito, o áspero,
    um vaso sem flor, um chão de ferro,
    e o peito inerte, e  a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
    Este o nosso destino: amor sem conta,
    distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
    doação ilimitada a uma completa ingratidão,
    e na concha vazia do amor a procura medrosa,
    paciente, de mais e mais amor.
    Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
    amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
    2 min
  • #03 Adriano Lobão Aragão - Não cantaremos o amor
    Erika lê Adriano Lobão Aragão
    Não cantaremos o amor
    ainda que nos fosse permitido
    não cantaríamos o amor
    se há profusão de tradições
    diante da dúvida
    não reclamaremos
    se parecermos pobres
    demais para os cantares
    nem traremos à tona sensações submersas
    do passado da infância
    das profundezas de onde provém a própria vida
    e ainda que em nossos túmulos
    habitem novamente flores amarelas e medrosas
    não cantaremos este amor
    que resultou inútil.
    1 min
  • #02 - Hilda Hilst - Poema LXIII- do livro Cantares de perda e predileção
    Erika lê Hilda Hilst: 
    " Tens a medida do imenso? 
    Contas o infinito? 
    E quantas gotas de sangue 
    Pretendes 
    Desta amorosa ferida 
    De tão dilatada fome? 
    Tens a medida do sonho? 
    Tens o número do Tempo? 
    Como hei de saber do extenso
     De um ódio-amor que percorre 
    Furioso
     Passadas dentro do vento? 
    Sabes ainda meu nome? 
    Fome. De mim na tua vida. "
    1 min
  • #01 - Cecília Meireles - Mulher ao espelho

    Erika lê Cecília Meireles:

    Mulher ao espelho

    Hoje, que seja esta ou aquela,

    pouco me importa.

    Quero apenas parecer bela,

    pois, seja qual for, estou morta.

    Já fui loura, já fui morena,

    já fui Margarida e Beatriz.

    Já fui Maria e Madalena.

    Só não pude ser como quis.

    Que mal faz, esta cor fingida

    do meu cabelo, e do meu rosto,

    se tudo é tinta: o mundo, a vida,

    o contentamento, o desgosto?

    Por fora, serei como queira

    a moda, que me vai matando.

    Que me levem pele e caveira

    ao nada, não me importa quando.

    Mas quem viu, tão dilacerados,

    olhos, braços e sonhos seus,

    e morreu pelos seus pecados, falará com Deus.

    Falará, coberta de luzes,

    do alto penteado ao rubro artelho.

    Porque uns expiram sobre cruzes,

    outros, buscando-se no espelho.




    2 min

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