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Partimos das reflexões do geógrafo Milton Santos em Por uma outra globalização e de Fredric Jameson sobre a pós-modernidade a partir da Interdisciplinaridade do livro: Ensaio sobre a cegueira (1995) de José Saramago; do Filme: Um dia de fúria (1993) Direção de Joel Schumacher e do clipe Black or White (1990) de Michael Jackson...
O que vemos? será que vemos o que realmente vemos? Será que nossa visão não distorce ou deixa de ver aquilo que nos faz humanos?
Eric Hobsbawm em A era dos extremos (1995) chamou o século XX de breve - o breve século XX. Recortando seu início em 1914 (com o prolongamento do século XIX) e encerrando o século XX no ano de 1991 (antecipando o século XXI). Tal operação historiográfica decorreu dos eventos que ocorreram durante o século XX, mas por duas compreensões de fundo: o horror da guerra - em contraposição ao fracasso da civilização do século XIX (e assim poderíamos estabelecer uma paralelo maior com Euclides da Cunha: progredir ou desaparecer?); e uma outra compreensão que é a da rápida perda da memória desses horrores (é nesta percepção que se aproxima de Zygmunt Bauman como uma chave para compreender o tempo presente), entre a geração dele (Hobsbawm) e a do presente vivido (geração de 1990) o horror da guerra se esvaia das lembranças permitindo um germinar das ideologias radicais que levaram a desumanização e ao horror do século marcado pelas 1ª, 2ª e tantas outras guerras... Neste sentido a leitura do Diário de Anne Frank é obrigatório, assim como a apreciação lenta da obra de Coppola e a problematização do tema Guerra na cultura pop dos HQ's.
A História do Tempo Presente configurou-se como um campo de estudos que analisa as rupturas e permanências entre passado e presente. Mas seria possível precisar sua origem??? A partir de que paradigma??? Se reproduzirmos o paradigma eurocêntrico podemos precisar seu marco no pós Segunda Guerra Mundial. Ainda sob o paradigma eurocêntrico a historiografia institucionalizada marca o ano de 1978 como símbolo com a criação do Instituto de História do Tempo Presente. Mas... se partirmos de um outro paradigma?! Uma epistemologia a partir das encruzilhadas do SUL!!! Então vamos ler o texto de Luiz Carlos Bresser-Pereira: Estado, estado-nação e formas de intermediação política a partir do contato interdisciplinar entre o clássico Os Sertões, o filme Os miseráveis e a HQ - V de vingança.
François Dosse em HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE E HISTORIOGRAFIA historiciza a emergência do campo historiográfico e ao mesmo tempo aponta os problemas e desafios da escrita do Tempo Presente. Mas o quanto é possível retroceder no tempo presente? Quanto da nossa invenção narrativa, invenção de identidades pode manter relação com século XIX? Quanto do século XXI não dá um looping e se reencontra em meados do século XIX? Neste sentido convocamos para o diálogo interdisciplinar Ilusões Perdidas (1837) de Balzac, o filme Narradores de Javé (2003) dirigido por Eliane Caffé e Fonte (1917) de Duchamp.
Durante treze encontros semanais iremos dialogar sobre História, Literatura universal, filmes e outras artes. No nosso primeiro episódio desta nova temporada teremos: o livro Ilusões perdidas – Balzac, o filme Narradores de Javé e a arte de Marcel Duchamp. Todos combinados ao texto História do tempo presente e historiografia de François Dosse
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