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Hoje voltamos à série de episódio sobre Livros Clássicos e mergulhar nas páginas de uma das obras mais influentes da última década. O autor deste livro, um urbanista e designer experiente, nos convida a repensar a lógica que moldou as cidades modernas desde o pós-guerra, desafiando a hegemonia do automóvel e propondo que a vitalidade de um centro urbano depende, acima de tudo, do pedestre. A ideia é explorar como a caminhabilidade não é apenas uma escolha estética ou um luxo, mas uma solução prática para crises econômicas, de saúde e ambientais, mostrando os passos necessários para transformar essa teoria em realidade nas nossas ruas. Hoje falamos do livro Cidade Caminhável de Jeff Speck!
PARTICIPA: Daniela Almeida é arquiteta e urbanista pela Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF) e doutora pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), tendo como temas de pesquisa caminhabilidade e mobilidade urbana. Hoje contribui como pesquisadora no grupo Virtus.Lab, da UFJF, investigando a relação entre urbanismo e saúde e a sustentabilidade e justiça social do espaço urbano.
A história do urbanismo é um campo complexo e multifacetado, repleto de debates e interpretações que moldam nossa compreensão das cidades e de seu desenvolvimento ao longo do tempo. O episódio 225 do Arquicast oferece uma oportunidade para o assunto ao abordarmos um dos livros mais influentes sobre os métodos utilizados pelos historiadores do urbanismo. Trata-se do livro clássico “O Urbanismo: utopias e realidades”, de Françoise Choay.
A obra traz uma perspectiva holística que engloba as dimensões sociais, culturais e políticas das cidades. Uma das questões centrais discutidas no episódio é a evolução dos modelos propostos pela autora, de interpretação do urbanismo ao longo do tempo. Inicialmente, são apresentados modelos dicotômicos, como o pré-urbanismo e o urbanismo, que dividem o desenvolvimento do pensamento urbanístico em fases distintas.
Participam do episódio Patrícia Junqueira, doutora em Arquitetura e Urbanismo pelo NPGAU/UFMG e professora da UFOP, também Carlos Eduardo Ribeiro, doutor em “Artes Cênicas” pela UNIRIO e Professor Adjunto do Departamento de Projeto, História e Teoria da UFJF. Conforme a discussão avança, percebe-se uma tendência em direção a uma compreensão mais complexa e fluida, que reconhece a interconexão de diferentes influências e correntes de pensamento utilizadas para a construção desse cenário. Françoise Choay é uma figura central nesse debate historiográfico, seus escritos destacam a importância de analisar o urbanismo não apenas como uma sequência linear de eventos, mas como um processo dinâmico, moldado por uma variedade de fatores sociais, culturais e políticos, como podemos perceber quando a autora classifica e organiza os chamados modelos “progressistas” e “culturalistas”, além dos demais que a autora apresenta de forma muito atualizada à época em que o livro foi escrito, tendências que seriam consolidadas no século XXI como a “Antrópolis”.
Embora suas ideias tenham sido amplamente difundidas e reconhecidas, muitas vezes foram simplificadas ou descontextualizadas, perdendo parte de sua riqueza e complexidade original, levantando questões importantes sobre a forma como as teorias e abordagens historiográficas são transmitidas e aplicadas no campo do urbanismo, ressaltando a necessidade de contextualizá-la historicamente.
Ao explorar as contribuições de pensadores como Françoise Choay e suas influências sobre o campo, os participantes nos convidam a repensar nossas próprias abordagens e perspectivas sobre o urbanismo e seu papel na sociedade contemporânea. Dessa forma, o episódio oferece uma possibilidade para melhor entendermos as complexidades das cidades e seu desenvolvimento ao longo do tempo. Não deixe de ouvir!
Oi pessoal! Este é o Arquicast 205, e o episódio de hoje é mais um da nossa série Livros Clássicos. Nós vamos conversar sobre o livro “Do diagrama às experiências, rumo a uma arquitetura de ação”, lançado em 2017 pela Editora Gustavo Gili, de autoria do Josep Maria Montaner, que inclusive já participou de um cast com a gente – o episódio número 157, em que conversamos sobre o livro Política e Arquitetura.
Montaner é um arquiteto e professor espanhol, reconhecido internacionalmente por suas contribuições no campo da arquitetura contemporânea devido a seus escritos e pesquisas sobre teoria e crítica arquitetônica. Esse livro se insere entre os debates sobre arquitetura do fim do século XX e início do século XXI, diante da influência de diversos campos do conhecimento (psicologia, antropologia, sociologia, linguística, filosofia) sobre a teoria e a prática arquitetônicas e da valorização do contexto e da experiência do usuário no processo de projeto. É nessa perspectiva que o diagrama, como ferramenta de representação, passou a incorporar novas possibilidades e significados, tanto no ensino em arquitetura e urbanismo como na prática profissional. Para conversar com a gente e ampliar o debate sobre os temas abordados no livro, convidamos a Graziela Nivoloni.
Bom cast!
O Arquicast apresenta mais um episódio da série livros clássicos. O autor dessa obra nasceu em Copenhague em 1974, e começou a estudar arquitetura na Royal Academy em 1993. Interessado em se tornar cartunista, se inscreveu na escola de arquitetura com a ideia de amplificar suas habilidades de desenho, mas com o passar dos anos resolveu continuar seus estudos em Barcelona. Bjarke Ingels trabalhou três anos no OMA em Roterdã e logo em seguida co-fundou o PLOT Architects. Em 2005 funda seu atual escritório, o Bjarke Ingels Group (BIG) e, quatro anos depois, lança seu “manifesto”: o livro intitulado “Yes is More”.
O episódio propõe discutir o livro à luz da sua influência e linguagem. Não necessariamente um clássico, “Yes is More” é, no entanto, uma obra relevante para os caminhos da arquitetura no século XXI. Nele, após um preâmbulo digno de uma peça publicitária, são apresentados 30 projetos do escritório em formato de história em quadrinhos. Bjarke Ingels marca de forma contundente, com sua estratégia de comunicação, um lugar na história da arquitetura contemporânea, além de amplificar sua presença no mercado global de arquitetura.
Durante a conversa, o convidado Bernardo Vieira, arquiteto professor da UERJ e fã de quadrinhos, indica que as narrativas são construídas, especialmente na descrição dos projetos, possuem o intuito de relevar o árduo trabalho de bastidores, muitas vezes oculto do público que se interessa pelo assunto. Cadu Rocha, arquiteto especialista em pesquisa sobre linguagem e novas mídias, reforça o caráter heterogêneo da obra, com elementos dos quadrinhos, mas também de magazine, dado às escolhas gráficas, tipográficas e de formatos.
É nítida a filiação “estilística” comunicativa com Rem Koolhaas, no que pode ser entendido como uma fase pós-crítica da arquitetura, onde os elementos ordinários, as notícias e a amplitude das influências do campo econômico e político nos projetos assumem protagonismo nas escolhas que os projetistas precisam realizar, bem como os elementos culturais que muitas vezes são fortemente incorporados ao projeto.
Dentre os diversos projetos citados na conversa, destaca-se especialmente o primeiro da lista, que indica a ideia de um ecossistema de possibilidades aplicadas ao processo. Um elemento tipológico que é transportado de contexto e escala a fim de atender uma demanda cultural e icônica no “People Building”. Analisar a obra sem considerar o atual momento em que as imagens instantâneas e o apreço por narrativas fantásticas impulsionam a produção artística, seria desconsiderar o real significado da publicação.
Quer participar dessa discussão com a gente? Escute o episódio, comente em nosso site e redes sociais o que você acha dessa obra para o campo da crítica em arquitetura.
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