MANIA DE HISTORY

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By Luís Carlos LinsEducation
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MANIA DE HISTORY episodes

  • NA LEI OU NA MARRA
    Reportagem de Eduardo Machado, trecho do livro Na trilha do Golpe - 1964 revisitado. Organizadores | Túlio Velho Barreto | Laurindo Ferreira
    8 min
  • MÚSICA E RESISTÊNCIA DURANTE O REGIME MILITAR NO BRASIL
    A Música Popular Brasileira (MPB) sempre foi um dos instrumentos de identidade nacional. Durante o período ditatorial brasileiro (1964-1985), a produção artística adotou certas características fruto exatamente das imposições que o cenário autoritário de então impunha. No entanto, isso não anulou o caráter crítico da produção musical no país.
    Algumas vozes e personalidades foram imortalizadas durante as décadas de 1960, 1970 e 1980. Alguns cantores utilizavam sua personalidade artística para também adotar uma postura política. As letras críticas, desafiadoras e que denunciavam a situação brasileira marcaram a trajetória de tantos cantores e compositores, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina, Milton Nascimento, Geraldo Vandré, entre diversos outros.
    
    Nos primeiros anos de regime, as denúncias sociais e às medidas anti-democráticas marcaram a produção musical. O aumento da miserabilidade com o regime, devido a alguns programas de contenção econômica como o PAEG – Programa de Ação Econômica do Governo – gerou canções como “Pedro Pedreiro” de Chico Buarque:
    Manhã parece carece de esperar também / Para o bem de quem tem bem / De quem não tem vintém / Pedro pedreiro tá esperando a morte / Ou esperando o dia de voltar pro Norte / Pedro não sabe, mas talvez no fundo / Espere alguma coisa mais linda que o mundo / Maior do que o mar / Mas pra que sonhar se dá / Um desespero de esperar demais / Pedro pedreiro quer voltar atrás / Quer ser pedreiro, pobre e nada mais / Sem ficar esperando, esperando, esperando
    Com a instituição do AI-5 (1968), a crítica musical precisou se maquiar para passar pela censura prévia imposta pelo regime. Músicas de duplo sentido – como “Cálice” de Gilberto Gil e Chico Buarque, fazendo referência ao verbo “calar-se” – tentavam driblar a ditadura e seus censores. Diversos cantores adotavam pseudônimos para esconder sua identidade – a de alguns já muito perseguida.
    O final da década de 1960 também protagonizou a emergência da Tropicália, um movimento artístico que propunha uma inovação musical a partir da mesclagem de manifestações brasileiras com algumas vanguardas europeias à época. A mistura da MPB com o Rock’n Roll foi uma das marcas desse sincretismo cultural. Nomes como o de Caetano Veloso subvertiam o padrão tradicionalista da população brasileira.
    Com a crise do regime no final da década de 1970 e o processo de reabertura na década de 1980, a revogação do AI-5 abriu espaço para manifestações mais diretas e abertas aos resquícios do regime. Uma das músicas que marcou esse processo e que se tornou uma espécie de hino democrático no início dos anos 1980 foi “Pra não dizer que não falei das flores” de Geraldo Vandré.
    Pelos campos ha fome em grandes plantações
    Pelas ruas marchando indecisos cordões
    Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
    E acreditam nas flores vencendo o canhão
    Vem vamos embora que esperar não e saber
    Quem sabe faz a hora não espera acontecer
    O perfil crítico da MPB não ficou restrito como uma marca de resistência cultural ao regime ditatorial brasileiro. Até hoje, com o fortalecimento de novos gêneros, como o funk e o rap, a produção musical ainda é um meio de denúncia. Muitos desses cantores citados permanecem em ativa até os dias atuais e, somadas a essas vozes, diversas outras compõe uma das marcas do conceito de brasilidade.
    4 min
  • A PESTE
    A PESTE
    
    A grande peste
    A doença foi levada para a Europa por ratos e pulgas. Uma em cada três pessoas morreu em menos de cinco anos. Nunca, nenhuma guerra ou catástrofe matou tanta gente em tão pouco tempo: 25 milhões de pessoas
    por Voltaire Schilling
    Os sintomas não deixavam dúvidas. Atacada por uma febre de 40 graus, a vítima sentia crescer na virilha ou na axila um inchaço que assumia a forma de um doloroso furúnculo do tamanho de um ovo ou de uma laranja. Insônia e delírios complementavam o mal-estar, fazendo com que o infeliz temesse tanto o sono como o despertar. No segundo ou no terceiro dia, seu corpo estaria tomado por esses bubões. Se tivesse sorte, os caroços se abririam em pus, dimuinuindo a dor e a febre. Aí surgiriam as manchas pretas na pele. Ardendo, com feridas por todo o corpo, o condenado sentia-se como se na ante-sala do inferno. Era a peste negra ou peste bubônica.
    O aspecto do desgraçado tornava-o repelente. Os olhos inchados pelas infecções e os membros cobertos pelas pústulas deixavam claro que a sua hora chegara e nada no mundo o salvaria. Neste momento de agonia, nos estertores de uma tremedeira sem-fim, ninguém mais se aproximava dele. Nem pai, nem mãe, nem irmão ou amigo que se apiedasse. Todos debandavam, temendo a contaminação. Cerca de uma semana depois dos primeiros sintomas, a vítima estava morta. Com poucas variações, foi assim que 25 milhões de pessoas morreram abatidas pela peste entre 1347 a 1351.
    Ainda mais rápida que a doença corriam as histórias sobre ela. As primeiras notícias da peste vinham da Ásia, onde ela já fazia vítimas. Os relatos dos viajantes da rota da seda – que ligava a Europa à China – davam conta de mortes por causa da doença por volta de 1330, no deserto de Gobi. Aparentemente, a peste vivia nas tocas de roedores silvestres na região entre a China e a Índia. Ela permaneceu ali por milhares de anos, passando de roedor para roedor, carregada pelas pulgas, isolada naquela imensidão. Não podia ir muito longe, já que seus hospedeiros não costumam fazer longas viagens e mesmo as pessoas que ocasionalmente eram infectadas não se afastam muito de casa. No entanto, o mundo nunca fora tão pequeno, quanto no século 13. Uma tropa de nômades mongóis pode ter acampado próximo a uma toca de ratos, ou um deles pode ter se juntado a uma caravana, ou, ainda, uma minúscula pulga pode ter ido do dorso de um roedor para as roupas de um mensageiro que cruzava as estepes.
    Nunca saberemos. O certo é que ela chegou à península da Criméia, no Mar Negro. Ali, no porto de Kaffa, a doença apareceu após um ataque de mongóis da Horda de Ouro. O lugar era freqüentado por mercadores genoveses e venezianos, que aportavam seus navios à espera de bons negócios. Sem saber que podiam estar infectados, os marinheiros alçaram velas para retornar à Europa. Passaram por Constantinopla e, em seguida, já abalados pelo efeito epidêmico, rumaram para o porto de Messina, na Sicília.
    Além dos homens doentes, o navio transportava ratos. Milhares deles. E, claro, ocultas nos pêlos dos roedores, uma impressionante carga de pulgas. Ali, todos foram vetores da contaminação, já que uma vez que chega ao hospedeiro, a peste desenvolve dois tipos de epidemia: a bubônica e a pneumônica. A primeira expande-se pelo sangue, gerando os bubões nas ínguas e as ulcerações pelo corpo. Mas, mantendo-se na corrente sangüínea, só pode ser transmitida pela picada da pulga ou pela mordida do rato. A outra forma, no entanto, invade os pulmões, destruindo-os, provocando a expectoração. Essa forma pode ser trasmitida também pelos humanos, já que a cada vez que tossem lançam milhares de bacilos no ar.
    A peste negra não era uma completa desconhecida em terras européias. Em 541, uma epidemia havia atingido as costas do Mar Mediterrâneo. Dessa vez, porém, ela encontrou um ambiente diferente, muito mais atraente para seu apetite. A população da Europa crescera muito nos séculos anteriores e havia mais gente do que comida disponível. Nos anos que
    24 min
  • JUDEUS EXPULSOS DO RECIFE QUE AJUDARAM A FUNDAR NOVA YORK
    A bordo do navio Valk, cerca de 600 judeus deixaram Recife, em Pernambuco, expulsos pelos portugueses. Era o fim da ocupação holandesa no Brasil e também da liberdade de praticar sua religião.
    Eles queriam voltar à terra natal — a Holanda, onde o culto do judaísmo era permitido devido ao calvinismo. De lá haviam chegado mais de duas décadas antes, quando os holandeses conquistaram parte do Nordeste brasileiro — de olho na produção e comércio do açúcar.
    Mas uma tempestade desviou-os do caminho e o navio foi saqueado por piratas.
    O grupo foi resgatado por uma fragata francesa e levado à Jamaica, então colônia espanhola, e acabou preso por causa da Inquisição espanhola.
    Mas, graças à intervenção do governo holandês, foram libertados e, por motivos financeiros, parte deles seguiu para um destino mais próximo do que a Europa: a colônia holandesa de Nova Amsterdã, atual Nova York, então um mero entreposto comercial.
    Ali formaram a primeira comunidade judaica da América do Norte e contribuíram para o desenvolvimento da cidade. Atualmente, Nova York é a segunda cidade com o maior número de judeus no mundo, atrás apenas de Tel Aviv, em Israel.
    Legenda da foto,Vista de Mauritsstad (Recife) em 1645
    Mas essa história rocambolesca não começa em 1654, ano em que Portugal derrotou os holandeses e retomou o controle do Nordeste, provocando, por consequência, a expulsão dos judeus, temerosos com a Inquisição.
    Legenda da foto,Cerco holandês a Olinda e ao Recife
    Imigração judaica
    A imigração judaica ao Brasil remonta à época do descobrimento, com os chamados “cristãos novos”, judeus que foram obrigados a se converter ao cristianismo na Península Ibérica devido à perseguição pela Igreja Católica.
    Na então maior colônia portuguesa, alguns deles abdicaram das práticas judaicas. Outros as mantinham às escondidas.
    Legenda da foto,Livro de Daniela Levy foi resultado de 10 anos de pesquisas
    Mas foi em fevereiro de 1630 com a ocupação holandesa que os judeus dos Países Baixos, alguns dos quais descendentes dos que haviam fugido da Península Ibérica rumo à Holanda, chegaram ao Brasil, diz à BBC News Brasil a historiadora Daniela Levy, autora do livro De Recife para Manhattan: Os judeus na formação de Nova York (Editora Planeta), que demandou 10 anos de pesquisa. Levy investigou inicialmente o tema para sua dissertação de mestrado, na Universidade de São Paulo (USP).
    “Os judeus que vieram ao Brasil eram descendentes dos cristãos novos que se mudaram para a Holanda um século depois da conversão forçada pela Inquisição. Naquele país, eles puderam retornar ao judaísmo, recuperando tradições e reorganizando-se enquanto comunidade”, explica Levy.
    5 min
  • SIGNIFICADO DOS MESES DO ANO
    JANEIRO
    Januarius era uma homenagem ao deus Jano, o senhor dos solstícios, encarregado de iniciar o inverno e o verão.
    FEVEREIRO
    O nome se referia a um rito de purificação, que em latim se chamava februa. Logo, Februarius era o mês de realizar essa cerimônia realizada pelos romanos, sacrificando animais em homenagem aos deuses do panteão.
    MARÇO
    Dedicado a Marte, o deus da guerra. A homenagem, porém, tinha outra motivação. Martius era o mês da semeadura nos campos.
    ABRIL
    Pode ter surgido para celebrar a deusa do amor, Vênus. Outra hipótese é a de que tenha se originado de aperio, “abrir” em latim. Seria a época do desabrochar da primavera.
    MAIO
    Homenagem a Maia, uma das deusas da primavera. Seu filho era o deus Mercúrio, pai da medicina e das ciências ocultas. Maio era chamado por Ovídio de “o mês do conhecimento”.
    JUNHO
    Faz alusão a Juno, a esposa de Júpiter. Se havia uma entidade poderosa no panteão romano, era ela, a guardiã do casamento e do bem-estar de todas as mulheres.
    JULHO
    Chamava-se Quinctilis e era simplesmente o nome do quinto mês do antigo calendário romano. Até que, em 44 a.C. o senado romano mudou o nome para Julius, em homagem a Júlio César.
    AGOSTO
    Antes era sextilis, “o sexto mês”. De acordo com o historiador Suetônio, o nome Augusto foi adotado em 27 a.C., em homenagem ao primeiro imperador romano, César Augusto (63 A.C. – 14 d.C.).
    SETEMBRO A DEZEMBRO
    Para os últimos quatro meses do ano, a explicação é simples: setembro vem de Septem, que em latim significa “sete”. Era, portanto, o sétimo mês do calendário antigo. A mesma lógica se repete até o fim do ano. Outubro veio de October (oitavo), novembro de November (nono) e dezembro de December (décimo mês)
    3 min

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