Maria Poesia

Maria Poesia

By Átila B. Afonso Daumas de AbreuArtsBooks
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Maria Poesia episodes

  • VIDA - Augusto Branco

    Vida


    Já perdoei erros quase imperdoáveis,

    tentei substituir pessoas insubstituíveis

    e esquecer pessoas inesquecíveis.


    Já fiz coisas por impulso,

    já me decepcionei com pessoas

    que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,

    mas também já decepcionei alguém.


    Já abracei pra proteger,

    já dei risada quando não podia,

    fiz amigos eternos,

    e amigos que eu nunca mais vi.


    Amei e fui amado,

    mas também já fui rejeitado,

    fui amado e não amei.


    Já gritei e pulei de tanta felicidade,

    já vivi de amor e fiz juras eternas,

    e quebrei a cara muitas vezes!


    Já chorei ouvindo música e vendo fotos,

    já liguei só para escutar uma voz,

    me apaixonei por um sorriso,

    já pensei que fosse morrer de tanta saudade

    e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).


    Mas vivi!

    E ainda vivo!

    Não passo pela vida.

    E você também não deveria passar!


    Viva!


    Bom mesmo é ir à luta com determinação,

    abraçar a vida com paixão,

    perder com classe

    e vencer com ousadia,

    porque o mundo pertence a quem se atreve

    e a vida é muito para ser insignificante.


    Augusto Branco

    3 min
  • SONETO DE FIDELIDADE - VINICIUS DE MORAES

    SONETO DE FIDELIDADE


    De tudo, ao meu amor serei atento

    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

    que mesmo em face do maior encanto

    Dele se encante mais meu pensamento.


    Quero vivê-lo em cada vão momento

    E em seu louvor hei de espalhar meu canto

    E rir meu riso e derramar meu pranto

    Ao seu pesar ou seu contentamento.


    E assim, quando mais tarde me procure

    Quem sabe a morte, angústia de quem vive

    Quem sabe a solidão, fim de quem ama


    Eu possa me dizer do amor (que tive):

    Que não seja imortal, posto que é chama

    Mas que seja infinito enquanto dure.


    VINICIUS DE MORAES

    2 min
  • REDES SOCIAIS - BRÁULIO BESSA

    Lá nas redes sociais

    o mundo é bem diferente,

    dá pra ter milhões de amigos

    e mesmo assim ser carente.

    Tem like, a tal curtida,

    tem todo tipo de vida

    pra todo tipo de gente.


    Tem gente que é tão feliz

    que a vontade é de excluir.

    Tem gente que você segue

    mas nunca vai lhe seguir.

    Tem gente que nem disfarça,

    diz que a vida só tem graça

    com mais gente pra assistir.


    Por falar nisso, tem gente

    que esquece de comer,

    jogando, batendo papo,

    nem sente a fome bater.

    Celular virou fogão,

    pois no toque de um botão

    o rango vem pra você.


    Mudou até a rotina

    de quem tá se alimentando.

    Se a comida for chique,

    vai logo fotografando.

    Porém, repare, meu povo:

    quando é feijão com ovo

    não vejo ninguém postando.


    Esse mundo virtual

    tem feito o povo gastar,

    exibir roupas de marca,

    ir pra festa, viajar,

    e claro, o mais importante,

    que é ter, de instante em instante,

    um retrato pra postar.


    Tem gente que vai pro show

    do artista preferido,

    no final volta pra casa

    sem nada ter assistido,

    pois foi lá só pra filmar.

    Mas pra ver no celular

    nem precisava ter ido.


    Lá nas redes sociais

    todo mundo é honesto,

    é contra a corrupção,

    participa de protesto,

    porém, sem fazer login,

    não é tão bonito assim.

    O real é indigesto…


    Fura a fila, não respeita

    quando o sinal tá fechado,

    tenta corromper um guarda

    quando está sendo multado.

    Depois, quando chega em casa,

    digitando manda brasa

    criticando um deputado.


    Lá nas redes sociais

    a tendência é ser juiz

    e condenar muitas vezes

    sem saber nem o que diz.

    Mas não é nenhum segredo

    que quando se aponta um dedo

    voltam três pro seu nariz.


    Conversar por uma tela

    é tão frio, tão incerto.

    Prefiro pessoalmente,

    pra mim sempre foi o certo.

    Soa meio destoante,

    pois junta quem tá distante

    mas afasta quem tá perto.


    Tem grupos de todo tipo,

    todo tipo de conversa

    com assuntos importantes

    e outros, nem interessa.

    Mas tem uma garantia:

    receber durante o dia

    um cordel do Bráulio Bessa.


    E se você receber

    esse singelo cordel

    que eu escrevi à mão

    num pedaço de papel,

    que tem um tom de humor

    mas no fundo é um clamor

    lhe pedindo pra viver.

    Viva a vida e o real,

    pois a curtida final

    ninguém consegue prever.


    BRÁULIO BESSA - Poesia que transforma

    4 min
  • As sem razões do amor - Carlos Drummond de Andrade

    Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.  Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.  Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.  Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.  


    Carlos Drummond de Andrade

    2 min
  • Pela luz dos olhos teus - Vinícius de Moraes

    Quando a luz dos olhos meus E a luz dos olhos teus Resolvem se encontrar Ai que bom que isso é meu Deus Que frio que me dá o encontro desse olhar Mas se a luz dos olhos teus Resiste aos olhos meus só pra me provocar Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar  Meu amor, juro por Deus Que a luz dos olhos meus já não pode esperar Quero a luz dos olhos meus Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará Pela luz dos olhos teus Eu acho meu amor que só se pode achar Que a luz dos olhos meus precisa se casar.  

    Vinícius de Moraes

    2 min
  • Ausência - Carlos Drummond de Andrade

    Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.  

    Carlos Drummond de Andrade



    1 min
  • Amar - Carlos Drummond de Andrade

    Que pode uma criatura senão

    Entre criaturas, amar?

    Amar e esquecer, amar e malamar

    Amar, desamar, amar?


    Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

    Que pode, pergunto, o ser amoroso

    Sozinho, em rotação universal, senão

    Rodar também, e amar?


    Amar o que o mar traz à praia

    O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha

    É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

    Amar solenemente as palmas do deserto


    O que é entrega ou adoração expectante

    E amar o inóspito, o áspero

    Um vaso sem flor, um chão de ferro

    E o peito inerte, e a rua vista em sonho

    E uma ave de rapina


    Este o nosso destino: Amar sem conta

    Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas

    Doação ilimitada a uma completa ingratidão

    E na concha vazia do amor à procura medrosa


    Paciente, de mais e mais amor

    Amar a nossa falta mesma de amor

    E na secura nossa, amar a água implícita

    E o beijo tácito, e a sede infinita


    Carlos Drummond de Andrade

    2 min
  • Não deixe o amor passar - Selma Soares Albuquerque

    Quando encontrar alguém e esse alguém fizer

    seu coração parar de funcionar por alguns segundos,

    preste atenção: pode ser a pessoa

    mais importante da sua vida.


    Se os olhares se cruzarem e, neste momento,

    houver o mesmo brilho intenso entre eles,

    fique alerta: pode ser a pessoa que você está

    esperando desde o dia em que nasceu.


    Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo

    for apaixonante, e os olhos se encherem

    d'água neste momento, perceba:

    existe algo mágico entre vocês.


    Se o 1º e o último pensamento do seu dia

    for essa pessoa, se a vontade de ficar

    juntos chegar a apertar o coração, agradeça:

    Algo do céu te mandou

    um presente divino: o amor.


    Se um dia tiverem que pedir perdão um

    ao outro por algum motivo e, em troca,

    receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos

    e os gestos valerem mais que mil palavras,

    entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.


    Se por algum motivo você estiver triste,

    se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa

    sofrer o seu sofrimento, chorar as suas

    lágrimas e enxugá-las com ternura, que

    coisa maravilhosa: você poderá contar

    com ela em qualquer momento de sua vida.


    Se você conseguir, em pensamento, sentir

    o cheiro da pessoa como

    se ela estivesse ali do seu lado...


    Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,

    mesmo ela estando de pijamas velhos,

    chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


    Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,

    ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...


    Se você não consegue imaginar, de maneira

    nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...


    Se você tiver a certeza que vai ver a outra

    envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção

    que vai continuar sendo louco por ela...


    Se você preferir fechar os olhos, antes de ver

    a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.


    Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes

    na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.


    Às vezes encontram e, por não prestarem atenção

    nesses sinais, deixam o amor passar,

    sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.


    É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.

    Não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem

    cego para a melhor coisa da vida: o amor!


    Selma Soares Albuquerque

    Carlos Drummond de Andrade

    4 min
  • O amor bate na aorta - Carlos Drummond de Andrade

    Cantiga de amor sem eira nem beira, vira o mundo de cabeça para baixo, suspende a saia das mulheres, tira os óculos dos homens, o amor, seja como for, é o amor.  Meu bem, não chores, hoje tem filme do Carlito.  O amor bate na porta o amor bate na aorta, fui abrir e me constipei. Cardíaco e melancólico, o amor ronca na horta entre pés de laranjeira entre uvas meio verdes e desejos já maduros.  Enre uvas meio verdes, meu amor, não te atormentes. Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos e quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem o amor faz uma cócega o amor desenha uma curva propõe uma geometria.  Amor é bicho instruido.  Olha: o amor pulou o muro o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar Pronto, o amor se estrepou. Daqui estou vendo o sangue que escorre do corpo andrógino. Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca, às vezes sara amanhã.  Daqui estou vendo o amor irritado, desapontado, mas também vejo outras coisas: vejo corpos, vejo almas vejo beijos que se beijam ouço mãos que se conversam e que viajam sem mapa. Vejo muitas outras coisas que não ouso compreender…  

    Carlos Drummond de Andrade

    3 min
  • O teu riso - Pablo Neruda

    Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.  Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce.  A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida.  Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.  À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora.  Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha, ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.  

    Pablo Neruda

    2 min

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Olá! Sou a professora Átila, desde pequena sempre gostei ler e as poesias sempre me encantaram.