Memória Capixaba de Fábio Pirajá

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Memória Capixaba de Fábio Pirajá episodes

  • Colônia de Pescadores Portugueses da Praia do Suá (1906)

    Colônia de Pescadores Portugueses da Praia do Suá (1906)Os primeiros moradores da Praia do Suá, pescadores portugueses.
    Eles vieram da cidade de Póvoa de Varzim, no litoral português.
    Sangue lusitano
    Correm nas vias (ou veias?) da Praia do Suá o sangue lusitano. Tudo começou no além-mar, num lugar chamado Póvoa do Varzim, distrito do Porto, na segunda metade do século XIX. Pescadores insatisfeitos com o mar local decidiram tentar a sorte no Brasil. "O mar lá é tão bravo, que se chega a ficar até um mês sem ir pescar, por causa das ondas. Esse litoral é chamado de 'Costa Negra'. Isso dificultava o sustento das famílias", conta Antônio da Silva Terroso, pescador português. Um grupo aportou na então miúda Vitória, vindo a residir no bairro da Capixaba.
    Tempos depois, já na primeira década do século XX, os patrícios decidiram mudar de local. Descontentes com o problema das correntes marítimas no canal da baía, que atrapalhavam a navegação, somado à longa distância entre o Centro e a barra, resolveram baixar remos e redes nos terrenos baldios do Suá, ao norte da capital. "Dava trabalho ir até a boca da barra. Tinha que remar bastante. Por isso, vieram e invadiram aqui", conta José Pedro Rodrigues da Silva, 71 anos, neto e filho de pescador. Seu avô, João Rodrigues da Silva, nascido em Póvoa do Varzim, foi um dos fundadores da colônia, então formada por cerca de quarenta famílias portuguesas.
    O ano provável da ocupação foi o de 1906, de acordo com Maria Assumpção. Sendo as famílias sustentas por lobos-do-mar, e coordenadas pela Colônia de Pesca Z2 (hoje Z5), logo, assentou-se a vocação pesqueira do futuro bairro. No grupo de marujos, os que mais se destacaram na construção do arrabalde, segundo os moradores mais antigos, foram: Torquato Francisco Marques, João Ribeiro, Eugênio Leopoldino Reis, David Maio, José Almiro Rodrigues da Silva, David Fanguetro, o Belmiro, o Lavradeira, além de João Rodrigues da Silva. E mais Antônio Rodrigues Cristelo, com os filhos Aires e Joaquim, e Júlio Diniz com o filho Álvaro — esses chegaram durante a Primeira Guerra Mundial, vindos também de Póvoa do Varzim.

    16 min
  • Filme documentário “Suá, a praia que sumiu” (Thais Helena Leite)

    Filme documentário “Suá, a praia que sumiu” (Thais Helena Leite)
    Um documentário vai recontar a história de uma antiga praia de Vitória que desapareceu com o avanço do aterro. A obra, assinada pela diretora Thais Helena Leite, será lançada em abril na Biblioteca Pública Estadual e promete trazer à tona lembranças e reflexões sobre as mudanças na paisagem da cidade.
    Por meio de imagens de arquivo, fotografias antigas e relatos emocionados de moradores, o filme resgata a memória de um espaço que marcou gerações e acabou cedendo lugar ao desenvolvimento urbano. A proposta é revelar como essas transformações afetaram a vida das pessoas e a construção da identidade local.

    7 min
  • Uma vela a Deus e outra ao Diabo, eis o programa dos irmãos Monteiro

    Uma vela a Deus e outra ao Diabo, eis o programa dos irmãos MonteiroO plano dos vampiros siamesesRevista A. B. C.Uma vela a Deus e outra ao Diabo, eis o programa dos irmãos Monteiro.Circulam agora uns rumores patéticos sobre a vindoura mudança de rendeiro do feudo capixaba.É forçoso mudar de tipo de quatro em quatro anos. A União tem o Espírito Santo incluído no número dos seus Estados e, só por isso, convém aparentar certa seriedade no que também ali se chama política, administração, governo...O Sr. Jerônimo Monteiro adquiriu há muitos anos o privilégio da gestão feudal, com todas as benesses, que chegavam para si, sua parentela e os membros do seu devotado aulicismo. Quando findavam os seus quatro anos, punha um compadre de confiança à frente do governo por igual período e vinha para um dos assentos do Senado, onde já estava o mano mais velho, seu ex-tutor, Bernardino Monteiro. Durante a presidência bocejante do Sr. Wenceslau Brás, o Sr. Jerônimo, apesar de já haver conseguido até um condado honorífico da Santa Sé, não tinha a menor intenção de largar o feudo e, sendo época de mudar de administrador, resolveu substituir o seu obediente amigo coronel Marcondes pelo seu fiel irmão mais velho. Os espírito-santenses clamaram. A justa indignação repercutiu no Catete, onde o Sr. Wenceslau, ouvindo falar de oligarquia, sentiu o clássico horror da ignominiosa palavra.

    17 min
  • "Quem não é pelo Brasil... é contra o Brasil" (Imperador Dom Pedro II - 1865)

    "Quem não é pelo Brasil... é contra o Brasil" (Imperador Dom Pedro II - 1865)Essa frase poderosa estampava uma charge da revista Semana Ilustrada, publicada em 25 de junho de 1865. Nela, o Imperador Dom Pedro II aparece segurando a balança do poder, que equilibrava os dois principais partidos políticos da época: o Conservador e o Liberal.Ambos unidos em torno de um ideal maior: a defesa do Brasil.Ao fundo, uma referência simbólica: a tomada da fortaleza de Humaitá, um dos momentos decisivos da Guerra do Paraguai."Quem não é pelo Brasil... é contra o Brasil!Diante de um inimigo feroz, que invade nossas terras, que devasta nossos campos e pratica toda a sorte de crueldades... não pode haver duas opiniões.Em face de um tirano que envergonha a grande América Meridional, desaparecem as paixões partidárias, os ódios e as rivalidades mesquinhas.Tudo se funde numa só aspiração: Guerra ao despotismo!Quem não luta pela honra da Nação é inimigo da Pátria.Quem, em frente às forças estrangeiras, não abraça seu antigo adversário político... não ama de verdade o seu País.Na balança do patriotismo, pesam igualmente as ideias divergentes, as mágoas pessoais, as dissidências internas.Tudo deve desaparecer.Só um pensamento deve brilhar em todos os espíritos: a glória do Brasil!O triunfo da honra e da dignidade nacional!Brasileiros! União! Concórdia!Salvemos o grande Império do Brasil!"

    16 min
  • A Província do Espírito Santo (O Cosmorama da Bahia - 1849)

    A Província do Espírito Santo (O Cosmorama da Bahia - 1849)Nada ha que magoe mais o homem que nasceo n'um paiz tão rico, por sua natureza, de todos os misteres, do que o desprezo dos seus governantes.A provincia do Espirito Santo, é um paraiso para o homem que sabe apreciar os dotes da natureza; e tem sido victima da indolencia dos governos. É verdadeiramente um panorama encantador, onde a vista do viandante se extasia, por encontrar soberbas e variadas distracções!!Ricos valles e campinas ferteis de excellentes fructos saborosos, ali se encontram. A commodidade em todos os alimentos que o homem procura para sua subsistencia. Grupos de serras e morros, que offerecem ao naturalista objectos de saudosas recordações. Uma abundancia de carne e peixe para o sustento diario.Suas terras frescas e bellas pouco se embaração com a mão do agricultor; porque a natureza parece dizer-lhe, que pouco basta a arte, que se contenta somente com a semente, que ella fará o resto. Seus rios e corregos são abundantes e perennes.Rios ha tão magestosos, que facilitam o transito de canoas e barcos, para transportarem os generos que abundam no interior.Paiz fertil de madeiras de grande valor, como jacarandá, cedro, tapinhoã, gurubú e outras de igual merecimento.Paiz salubre e muito hygienico pelas posições que existem tanto na cidade da Victoria, como no interior da provincia. Ali existe uma immensidade de grupos de morrinhos que encanta a vista do admirador!Parece que o Ente Supremo, collocou n'essa provincia tudo que havia de bom para os homens!Differentes reclamações teem sido feitas pelos naturaes do paiz, porém tudo tem ficado no mesmo estado!Nasce de cima a corrupção dos povos!É bem verdade, e a essa indolencia e receio de tudo, é que devemos o nosso atrazo. Os governos só se occupam em eleições, (e sem excepção de partidos), só dispõe de algum projecto util quando são elevados á representação perpetua. Isto mesmo dá muitas vezes em acreditar-se, que o homem que figura no ultimo lugar da escala representativa, d'elle nada mais tem a esperar-se; e ha quem diga que, este phraseado é um axioma.A provincia do Espirito Santo, está atrazada em tudo; e a culpa de quem tem sido? Respondam os espectadores!

    18 min
  • A Província do Espírito Santo (O Cosmorama da Bahia - 1849)

    A Província do Espírito Santo (O Cosmorama da Bahia - 1849)Nada ha que magoe mais o homem que nasceo n'um paiz tão rico, por sua natureza, de todos os misteres, do que o desprezo dos seus governantes.A provincia do Espirito Santo, é um paraiso para o homem que sabe apreciar os dotes da natureza; e tem sido victima da indolencia dos governos. É verdadeiramente um panorama encantador, onde a vista do viandante se extasia, por encontrar soberbas e variadas distracções!!Ricos valles e campinas ferteis de excellentes fructos saborosos, ali se encontram. A commodidade em todos os alimentos que o homem procura para sua subsistencia. Grupos de serras e morros, que offerecem ao naturalista objectos de saudosas recordações. Uma abundancia de carne e peixe para o sustento diario.Suas terras frescas e bellas pouco se embaração com a mão do agricultor; porque a natureza parece dizer-lhe, que pouco basta a arte, que se contenta somente com a semente, que ella fará o resto. Seus rios e corregos são abundantes e perennes.Rios ha tão magestosos, que facilitam o transito de canoas e barcos, para transportarem os generos que abundam no interior.Paiz fertil de madeiras de grande valor, como jacarandá, cedro, tapinhoã, gurubú e outras de igual merecimento.Paiz salubre e muito hygienico pelas posições que existem tanto na cidade da Victoria, como no interior da provincia. Ali existe uma immensidade de grupos de morrinhos que encanta a vista do admirador!Parece que o Ente Supremo, collocou n'essa provincia tudo que havia de bom para os homens!Differentes reclamações teem sido feitas pelos naturaes do paiz, porém tudo tem ficado no mesmo estado!Nasce de cima a corrupção dos povos!É bem verdade, e a essa indolencia e receio de tudo, é que devemos o nosso atrazo. Os governos só se occupam em eleições, (e sem excepção de partidos), só dispõe de algum projecto util quando são elevados á representação perpetua. Isto mesmo dá muitas vezes em acreditar-se, que o homem que figura no ultimo lugar da escala representativa, d'elle nada mais tem a esperar-se; e ha quem diga que, este phraseado é um axioma.A provincia do Espirito Santo, está atrazada em tudo; e a culpa de quem tem sido? Respondam os espectadores!

    18 min
  • Vila Velha, antiga Vila do Espírito Santo (1535)

    Vila Velha, antiga Vila do Espírito Santo (1535)No século XVI, quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram à região da atual Vila Velha, a mesma era disputada por três grupos indígenas diferentes: os goitacás (procedentes do sul), os aimorés (procedentes do interior) e os tupiniquins (procedentes do norte). O donatário português da capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho, chegou na atual Prainha (chamada, na época, pelos indígenas, de Piratininga), a bordo da caravela Glória, junto com 60 homens, em 23 de maio de 1535, fundando a então "Vila do Espírito Santo" (atual cidade de Vila Velha), assim chamada por ser domingo de pentecostes.[6] A cidade passou a ser a capital da capitania.Devido aos constantes ataques indígenas, franceses e holandeses à cidade fundada por Coutinho, os portugueses decidiram, em 1551, transferir a capital da capitania para a atual cidade de Vitória, na Ilha de Santo Antônio, na Baía de Vitória.Em 1558, chegou, à Prainha, frei Pedro Palácios, natural de Medina do Rio Seco, na Espanha. Alguns anos mais tarde, foi encarregado da construção de uma ermida no alto do morro da Penha. Palácios encomendou, de Lisboa, uma imagem de Nossa Senhora que daria origem ao culto a Nossa Senhora da Penha. A pequena ermida foi sendo erguida aos poucos até se transformar no Convento da Penha, hoje o monumento religioso mais importante da arquitetura capixaba.Pouco se conhece sobre a história de Vila Velha do século XVI ao século XIX.Neste período, destacam-se o término da construção do Convento da Penha e, ainda, os ataques de holandeses contra as fazendas de açúcar, no século XVII. Sabe-se que a cidade pouco se desenvolveu durante este período, sendo que um relatório do governo da província registrou registrou 2.120 habitantes no lugar em 1827. O acesso à capital, Vitória, cidade que, ao contrário, da primeira cidade do Espírito Santo, encontrava-se em constante desenvolvimento, era bastante dificultado.

    32 min

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