Memória Capixaba de Fábio Pirajá

Memória Capixaba de Fábio Pirajá

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Memória Capixaba de Fábio Pirajá episodes

  • Rainor Grecco, o capixaba exterminador de florestas

    Rainor Grecco, o capixaba exterminador de florestasRevista Manchete"Arrasei verdadeiras catedrais ecológicas, santuários de árvores." Esta frase é o cartão de visitas de Rainor Hilton Grecco, hoje, aos setenta anos, um arrependido destruidor de florestas tropicais. Ele mesmo se diz "o carrasco de milhões de árvores". É citado na Enciclopédia Britânica como o terceiro homem que mais derrubou florestas no mundo, quase todas no Brasil. Morando em Vila Velha, Espírito Santo, Grecco confirmou, mês passado, tudo o que diz nesta entrevista assustadora trazida a Caros Amigos por um jornalista italiano que a publicou na imprensa estrangeira alguns anos atrás. Na justificativa de seu passado, Grecco disse-nos uma frase: "Somos todos fruto de uma época, uma mentalidade; o que ontem parecia heroísmo, hoje é crime”. Mas logo adiante colocou outra, sombria: "O pior é que tenho certeza de que a mesma coisa poderia acontecer hoje".Entrevista a Giuseppe BizzarriE possível alguém se confessar publicamente como um assassino de árvores? Até onde é possível uma pessoa que lê credulamente a Bíblia e desfruta com fervor da obra machadiana, suportar em seu curriculum vitae a responsabilidade pela derrubada de pelo menos 20 milhões de árvores? Rainor Grecco, 57 anos, nascido no Espírito Santo, conversador imbatível, ostenta o trágico troféu de ser o maior exterminador de árvores que o mundo já conheceu. Em 38 anos como madeireiro já derrubou árvores em 78 países, inclusive na União Soviética. Cabe-lhe também a autoria, não menos deplorável, de ter comandado, nos últimos 30 anos, o extermínio final da mata atlântica. Hoje ele se encontra, à frente de 200 mil homens, desmatando na Amazônia "a última reserva verde dessa nave espacial chamada Terra".Folheando a Bíblia em sua casa no município de Linhares, Espírito Santo, Rainor Grecco descansa de mais uma temporada na Amazônia, onde encabeça mais de 200 mil madeireiros, todos capitais, todos empenhados na destruição da floresta. Melancólico, ele comenta:"Neste ritmo de devastação, vamos sepultar a última região verde do mundo, antes mesmo de dobrarmos o terceiro milênio."Num recente programa de televisão, o ecologista Augusto Ruschi, conhecido mundialmente pela defesa intransigente de beija-flores e da natureza, pediu um tribunal para julgar "os crimes de Rainor Grecco, desfechados impunemente contra a selva, contra a fauna, contra a vida."

    28 min
  • O Espírito Santo impediu Minas Gerais de ter um litoral?

    O Espírito Santo impediu Minas Gerais de ter um litoral?O verdadeiro motivo pelo qual Minas Gerais não tem litoralMuita gente já ouviu falar que Minas Gerais não tem litoral. Mas afinal, você sabe o motivo disso?Durante o período colonial, Portugal determinava as divisões administrativas de suas colônias por meio de capitanias hereditárias. No início, as terras de Minas Gerais faziam parte da Capitania de São Vicente, depois da Capitania de São Paulo e, por fim, se tornaram uma capitania independente.O interesse de Portugal em Minas Gerais aumentou significativamente após a descoberta de ouro e pedras preciosas na região. Para garantir maior controle sobre a exploração e a extração desses recursos, a Coroa Portuguesa criou a Capitania de Minas Gerais em 1720. A separação de Minas Gerais de São Paulo teve um propósito estratégico: manter o acesso ao mar sob o domínio de outras capitanias leais à Coroa, como Rio de Janeiro e Espírito Santo.Ao não conceder acesso direto ao litoral à nova Capitania de Minas Gerais, a Coroa assegurava que todo o escoamento das riquezas minerais passasse por territórios sob vigilância direta e leal. Dessa forma, era mais fácil cobrar impostos, fiscalizar o transporte e evitar o contrabando.Além disso, a ausência de saída para o mar impedia Minas Gerais de estabelecer rotas comerciais autônomas com outras colônias ou nações, mantendo-a dependente das vias controladas pelo governo português.Hoje, Minas Gerais é conhecida por suas montanhas e suas riquezas históricas, mas permanece sem uma faixa litorânea devido a essa decisão estratégica tomada há mais de três séculos.

    20 min
  • O Grupo Balão Mágico (Universidade Federal do Espírito Santo - 1984)

    O Grupo Balão Mágico (Universidade Federal do Espírito Santo - 1984)
    O grupo Balão Mágico foi um movimento cultural formado por estudantes de diversos cursos da Universidade Federal do Espírito Santo da década de 80. Os estudantes, que se identificariam com o grupo, utilizavam pichações, vídeos, danças, teatro, performances, intervenções e – o que é mais interessante para esta pesquisa – as publicações, para contestar práticas autoritárias, reivindicar melhorias na estrutura física e no ensino, bem como a democratização da Universidade. Ainda segundo as pesquisadoras, o grupo teria sido formado no início dos anos 80, que coincide, também, com o início da abertura política no Brasil. Utilizavam a ironia e as práticas artísticas como linguagem para ações políticas e militantes,
    baseados na ideia de que assuntos sérios não necessariamente deveriam ser tratados com tanta seriedade.
    O Balão Mágico foi ganhando proporções inesperadas. De um grupo
    inicial de 17 alunos da Comunicação Social, o movimento cresceu e
    começou a gerar polêmica com os seus "happenings" ou performances,
    como forma de criticar a sociedade e a Universidade. Um exemplo foi o
    dia em que os alunos de Comunicação Social fizeram uma marcha à
    Reitoria protestando por novas máquinas de escrever e câmeras de
    vídeo. O Balão Mágico estava lá para apoiar o movimento (BHISE;
    KNOBLAUCH, 2005 p. 94).
    O Questionário Manifesto seria, portanto, uma proposição militante e artística desenvolvida no âmbito acadêmico do curso de Comunicação Social da Ufes, em 1986. Para Bhise e Knoblauch (2005), os alunos desse curso que faziam parte do Balão Mágico, insatisfeitos com a postura autoritária e conservadora de alguns de seus professores, teriam proposto um questionário aos calouros do curso como forma de manifesto, com o intuito de questionar a relação aluno/professor, o autoritarismo, o método e as práticas conservadoras das disciplinas. Em um dos relatos sobre as proposições do grupo diante da instituição, oferecido por um desses
    alunos da época, Cleber Carminati (hoje professor no curso), nota-se a insatisfação:
    “o professor Domingos Freitas Filho, que na época ministrava a disciplina Teoria da Comunicação I [...] nos chamou de alienados, disse que éramos uma geração mal acostumada com a televisão e nos comparou com o grupo infantil de sucesso da época: o Balão Mágico, formado pela Simoni, Jairzinho...” (CARMINATTI in BHISE; KNOBLAUCH, 2005).

    41 min
  • 339 Voluntários da Pátria do Espírito Santo (1865 / 1869)

    339 Voluntários da Pátria do Espírito Santo (1865 / 1869)Abaixo está uma extração de nomes de soldados que serviram como "voluntários da pátria" na Guerra do Paraguai, juntamente com informações adicionais encontradas em textos de jornais do século XIX e início do século XX, com foco no estado do Espírito Santo:Relação de Voluntários da Pátria do Espírito Santo na Guerra do Paraguai:João Antunes Barbosa Brandão: Tenente-coronel, escrivão do Juízo Federal. Alistou-se como Voluntário da Pátria e fez toda a campanha. Obteve as honras de tenente honorário do exército.Manoel dos Passos Ferreira Junior: Sargento de Voluntários da Pátria.João Frederico Pruss: Ex-sargento quartel mestre do extincto 35º corpo de Voluntários da Pátria.Manoel dos Passos Ferreira: Tenente de voluntários da PátriaJoaquim Marcellino da Silva: Anspeçada reformado de Voluntários da Pátria.Francisco Corrêa Guterra: Ex-1º sargento do 27º corpo de voluntários da pátria.José Gomes da Silva: Ex-praças de Voluntários da Pátria.João Juvencio de Alcântara: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Francisco de Paula Lima: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Anselmo Silvestre Dutra: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Silverio da Silva Pereira: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Saturnino Pereira Cardozo: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Antonio Teixeira Pinto: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Benedicto Pereira Duarte: Ex-praças de Voluntários da Pátria.José Lourenço de Brito: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Gerencio Amancio de Mendonça: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Francisco Ferraris: Ex-praças de Voluntários da Pátria.João Hilário de Sousa: Ex-praças de Voluntários da Pátria.José Soares Barbosa: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Laudino Rodrigues do Amaral: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Antonio Martins dos Santos: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Manoel Luiz da França: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Lino Ferreira do Rosario: Praça reformada do 23º corpo de voluntários.Manoel Gomes da Victoria: Ex-praça de Voluntários da Pátria.Manoel da Costa Ferreira: Ex-praça de Voluntários da Pátria.Manoel Pereira da Victoria: Ex-praça de Voluntários da Pátria.Thomáz Ferreira Guabiraba: Ex-praças de Voluntários da Pátria.Carlos Encas de Magalhães Bastos: Ex-praças de Voluntários da Pátria.João Pereira da Silva: Ex-praça de voluntários da pátria.João Pereira da Silva: Ex--praça de Voluntários da Pátria.Christovão Pedro Moreira: Ex praça de voluntários da pátria.Informações Adicionais:Prêmios e Soldos: Os pagamentos de prêmios aos voluntários da pátria deveriam ser escriturados.Terras: Havia distribuição de terras para os voluntários, seguindo critérios estabelecidos em decretos.Assistência: As famílias dos voluntários recebiam algum tipo de assistência ou consideração especial.Reconhecimento: Os atos de bravura e serviço eram reconhecidos com medalhas e honrarias.Seja membro deste canal e ganhe benefícios:https://www.youtube.com/channel/UCdAHk1a2IDQTUEoXuBcgwZQ/join______________📜✨ Memória Capixaba - Preservando a História e Cultura Capixaba ✨📜👨‍💻 Trabalho de pesquisa e organização desenvolvido por Fábio Pirajá 👨‍💻Pesquisa, restauração, transcrição, digitalização, produção e edição - tudo realizado com paixão por Fábio Pirajá.

    22 min
  • Os 300 Voluntários da Pátria do Espírito Santo

    Os 300 Voluntários da Pátria do Espírito Santo (1864 / 1870)A proclamação lopista teria resposta. A 7 de Janeiro de 1865, o nosso Diario Official imprimia decreto organizando corpos para o serviço de guerra em circumstancias extraordinarias sob a denominação de voluntarios da Patria.Todo o ministerio de 31 de Agosto-Furtado, Liberato Barroso, Dias Vieira, Carneiro de Campos, Pinto Lima, Beaurepaire Rohan e Jesuino Marcondes-subscreveu o famoso decreto que ninguem deixou de lêr apezar do Diario Official ser em geral gazeta secreta.No Diario era o decreto precedido de justificação segundo alguns da lavia de Liberato Baricso declarando "o Brasil arrastado a luta armada em paizes estrangeiros em que a honra e a integridade do Imperio estavam envolvidas pelo mais inqualificavel procedimento de vizinhos ingratos."Começou logo a chamada dos batalhões de voluntarios ao que o governo imperial denominou "pontos de honra determinados pela patria'Ministro da Guerra paisano houve, o conselheiro Jaguaribe, para dizer-nos do acudir dos batalhões de voluntarios, ministro que ao deixar pasta declarava "não poder por mais tempo supportar as despezas do cargo e não querer arruinar os seus parcos haveres". Escrupulos de 1872.Lista de estados e número de voluntários (aproximado):Piauhy: Aproximadamente 1.000 (junto com Santa Catarina)Santa Catarina: Aproximadamente 1.000 (junto com Piauí)Minas Gerais: 800Paraná: 500Rio Grande do Norte: 500Rio Grande do Sul: 400Espírito Santo: 300Bahia: 7.000Pernambuco: 4.000Rio de Janeiro: 3.000São Paulo: 2.000Alagoas: 1.000Ceará: 1.000Maranhão: 1.000Pará: 1.000Sergipe: 1.000Goyaz: 0Total de Voluntários (aproximado): 24.500

    16 min
  • Os Negócios da Capitania do Espírito Santo (1627 a 1649)

    Os Negócios da Capitania do Espírito Santo (1627 a 1649)Após a expulsão dos holandeses, a Capitania do Espírito Santo, em 1627, enfrentou a pressão do Provedor-mor da Bahia para regularizar e quitar os tributos atrasados.Essa subordinação gerou descontentamento, evidenciado por uma disputa na cobrança de dízimos. Um morador local havia arrematado a cobrança por 3850 cruzados anuais, mas a arrematação foi anulada em favor de uma oferta menor (2500 cruzados) feita na Bahia. Para compensar, a Provedoria determinou que o arrematante de fora pagasse um adicional de 50 cruzados pelo triênio do contrato, além da sua oferta original. Paralelamente, eram cobrados impostos sobre o açúcar: nove tostões por arroba do branco e 500 réis por arroba do "mascavado".Apesar das proibições, a acumulação de cargos e salários persistia, especialmente entre os militares que serviam como Capitães-mores. Além do salário pago pela donataria (100 mil réis), eles continuavam a receber seus soldos regulares e, em alguns casos, até o pagamento de um pagem do ginete. Outros acumulavam a função de Ouvidor, mesmo sendo proibido aos Governadores.Gastos extraordinários e sem controle comprometiam ainda mais as frágeis finanças da Capitania, já limitadas pelas diretrizes orçamentárias estabelecidas no início do século.Apesar dos problemas, a Capitania mostrava sinais de prosperidade. Em 1629, Manoel de Melo trouxe 43 escravos de São Paulo para serem vendidos no Espírito Santo, conforme registrado pelos jesuítas. Além disso, os franciscanos, em 1630, transformaram a capela original no Santuário da Penha.Em 1631, o Capitão-mór, governando em nome da Coroa, doou terras aos carmelitas em Macaé e Paraíba (na Capitania do Rio, reincorporada à Coroa), atuando como sesmeiro nas terras entre o Espírito Santo e Cabo Frio.O texto abrange principalmente o período entre 1627 e 1649, com algumas referências a eventos anteriores e posteriores.1617: Carta Régia incentivando a exploração de minas.1627: Exigências do Provedor-mor da Bahia sobre tributos; divergências na nomeação do Capitão-mór.1628: Participação de Frederico de Melo Coutinho na expedição ao Guairá.1629: Manoel de Melo traz escravos de São Paulo.1630: Transformação da capela no Santuário da Penha.1631: Doação de terras aos carmelitas; mapa da costa do Espírito Santo com engenhos e fortes.1632: Frederico de Melo Coutinho é juiz ordinário em São Paulo.1633: Morte de Frederico de Melo Coutinho.1634: Expedição dos jesuítas em busca de esmeraldas.1637: Ampliação da ermida da Penha e calçamento da ladeira.1639: João Dias Guedes afirma a existência de minas de ouro.1640: Tentativa de invasão holandesa e restauração da independência de Portugal.A partir de 1640: Sucessivas quebras no valor da moeda portuguesa.1643: Ambrosio de Aguiar Coutinho herda a donataria.1647: Proibição de trabalho indígena sem remuneração.1648: Padre Antônio Vieira descreve o Espírito Santo; reconquista da Angola.1649: Criação da Companhia Geral de Comércio do Brasil.1694: Fundação da Casa da Moeda (mencionada como evento posterior).

    29 min
  • Jesuítas no Brasil Revisão Histórica da Catequese - Parte II (Jornal do Recife 1913)

    Jesuítas no Brasil Revisão Histórica da Catequese Parte II (Jornal do Recife 1913)Os jesuítas evitavam comunicação com o Itapemirim, pois a jornada era mais longa e exposta, exigindo a travessia de diversos arraiais e povoados ao longo de seis léguas, além de três rios em suas barras próximas ao mar.A ambição e a cobiça desses religiosos estavam inscritas em caracteres misteriosos nas rugas de suas testas.Ao estudar a história da Capitania do Espírito Santo, percebe-se a opulência dos catequistas e a miséria de seus habitantes, até a expulsão dos jesuítas. Sobre isso, Gomes Netto observa que Vasco Fernandes Coutinho, donatário da capitania, era tão pobre que precisou vender a quinta parte de seus bens, tomar dinheiro emprestado e ceder um terço do Estado em troca de um navio com provisões para transportar apenas 60 colonos. Se o fidalgo era assim pobre, o que se poderia dizer dos colonos? Eram, provavelmente, mendigos.Os colonos já estavam estabelecidos na região havia 16 anos quando chegaram os jesuítas, e a única edificação relevante era algumas casas na Vila do Espírito Santo (hoje Vila Velha), o que comprova que os primeiros povoadores não haviam enriquecido. Dessa forma, a população da época podia ser dividida em duas classes: uma paupérrima, composta pelo donatário e os colonos, e outra opulenta, formada apenas pelos padres da Companhia de Jesus. A prova dessa disparidade é que, imediatamente após sua chegada, os jesuítas construíram em Vitória um magnífico convento, denominado Colégio, obra tão sólida que resistiu por mais de 320 anos sem deterioração significativa.Essa riqueza se devia, em grande parte, ao apoio de figuras influentes, como o padre jesuíta francês Lavalette, célebre por suas atividades especulativas. Ele monopolizou o comércio das ilhas Martinica e Dominica e protagonizou um escândalo financeiro ao falir, deixando uma dívida superior a três milhões de francos. Esse evento foi um prenúncio da queda da Ordem.Gomes Netto conclui sua análise com a seguinte reflexão:"Os jesuítas foram mais poderosos que os reis absolutos, mas não puderam deter o braço do destino. Suas ambições geraram sua própria ruína, sendo condenados pela sociedade. O anjo cego da punição os varreu do solo americano com o látego da proscrição, afastando esses lobos de batina."A história confirma que a exploração desse capítulo obscuro foi sustentada pela fé cega da época, tentando elevar figuras como Nóbrega e Anchieta à condição de heróis. No entanto, sua verdadeira missão não era a catequese, mas sim a extração do ouro da Capitania do Espírito Santo para o engrandecimento da Ordem Jesuíta.O fracasso do projeto de catequese foi tão evidente que a Coroa Portuguesa, percebendo a farsa e o dano causado por esses padres, os expulsou não apenas do Brasil, mas de todos os territórios portugueses.Anchieta e Nóbrega, afinal, não passaram de meros jesuítas.

    27 min
  • Gentílicos dos Municípios do Espírito Santo

    Gentílicos dos Municípios do Espírito SantoO termo *capixaba* originalmente se referia apenas aos habitantes da cidade de Vitória, mas, com o tempo, passou a designar todos os nascidos no Espírito Santo. Não há um ato oficial ou um decreto que tenha formalizado essa mudança, pois foi um processo linguístico e cultural.A ampliação do significado ocorreu gradativamente ao longo do século XX, especialmente a partir da década de 1950, quando o termo passou a ser amplamente aceito para todos os nascidos no estado. Antes disso, os habitantes do interior eram chamados de *espiritossantenses* ou *capixabas do interior*. Hoje, *espiritossantense* ainda é um gentílico válido, mas raramente usado no dia a dia.______________O gentílico oficial de quem nasce no Espírito Santo é **espírito-santense**.No entanto, o termo **capixaba** se popularizou e é amplamente utilizado como sinônimo, tornando-se o mais comum no uso cotidiano. Enquanto *espírito-santense* é mais formal e aparece em documentos oficiais, *capixaba* é a forma mais usada na cultura e na identidade do estado.

    15 min
  • Jesuítas no Brasil: Revisão Histórica da Catequese (Jornal do Recife - 1913)

    Jesuítas no Brasil: Revisão Histórica da Catequese (Jornal do Recife - 1913)E' usual infelizmente, sem o livre exame, dizer-se que o Brazil muito deve, pela catechese dos incolas, aos padres da Companhia de Jesus, durante os primeiros tempos coloniaes.Os nomes de Nobrega e Anchieta sempre juntos, como os irmãos siamezes, parécendo a muitos, ser um ou mais de um individuo, apparecem na Historia e ne Poesia, como uns semi-deuses da Mythlogia hellenica, realçando com o seu esplendor de virtudes os mais luminosos feitos n'essa gloriosa campanha de civilisação.Para perpetuar a memoria de um desses Briareus, Anchieta, o Brazil de antanho, não podendo erigir um templo a esse semi-deus, jesuita, nem erguer-lhe uma estatua que dominasse o vasto territorio da Santa Cruz e a amplidão dos mares, como o colosso de Rhodes, den o seu nome a uma das florescentes villas da capitania do hoje Estado do Espirito Santo, onde primeiro aportaram e se estabeleceram esses Apostolos do Bem.E' um engano historico. O Jesuita nunca, foi e nem poderá ser util a Humanidade. O jesuitismo é antes a luva atirada a face do sublime apostolo, o meigo admiravel philosopho que expirou sobre o Calvario, na abominavel morte de cruz, decretada por um "Pontifice" do que uma associação religiosa com os fins de perpetuar a admiravel doutrina do Christianismo.Basta para estudar as consequencias d'esta seita temivel que se ha alastrado por sobre a Terra, deixando após a sua passagem a dor, o luto, a pilhagem e a prostituição, ver que o seu fundador o famigerado Ignacio de Loyola, fora um libertino, como foram os Tenorios e os Casanova, seus compatriotas, fazendo-se frade, depois de ter quebrado uraa perna e não poder mais ser o escalador de muros e o "enfant gate" das muchachas hespanholas.Enxotados de todos os paizes como nefastos ao Estado e a Sociedade em geral e do seio da propria Egreja, os jesuitas não podendo medrar mais em parte alguma, tomaram diversas denominações, por grupos, espalhando-se em todos os paises, com os nomes de salesianos, redemptoristas, maristas e quejandos outros.Não pretendo descortinar n'estas linhas o dominio nefasto d'essa seita que se rege pela satanica "Monita Secreta" e bem longe estou de tal pretenção; apenas desejo elucidar com documentos irrefutaveis, a mentira historica de que a catechese dos incolas nos tempos coloniaes, muito deve aos jesultas. O Brazil tem gasto quantias fabulosas n'esse ramo de serviço nacional em resultado outro, a não ser o de encher a sacola desses falsos apostolos do bem que hypocritamente batem com n'a mão no peito em signal de contricção, com o pescoço rodeado de amuletos ou talismans, e na outra sustenta o veneno e o punhal traiçoeiro.Referindo-se ao serviço de catechese dos Indios, nos primeiros tempos da colonia, assim se expressa o éscriptor Gomes Netto, quanto ás minas da capitania onde primeiro aportaram os jesuitas encarragados dessa missão.

    34 min

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