Sejam Bem-Vindos ao 1º episódio do Momento Literário, um podcast semanal, cultural e gratuito. Todas as semanas com estórias diferentes, à quarta-feira, e de carácter fraturante. Um podcast onde a rotina e a poesia estabelecem pontes. Hoje, sobre futebol.
O Futebol é o desporto de massas, o desporto do povo. Nenhuma outra modalidade desportiva, nem no presente, nem no passado, espelhou com tanta nitidez, a sociedade que representa, para o bem e para o mal, no nosso, ou noutros países.
Os episódios históricos que assim o demonstram são infinitos: em 1942, plena segunda-guerra mundial, os conquistadores organizam um jogo de futebol, contra os conquistados. Nazis de raça pura, e ucranianos famintos capturados na invasão do seu país. O Dínamo de Kiev contra a supremacia branca, o Flakelf, uma equipa de futebol associada à força aérea Alemã.
No dia do jogo o clima não era de festa, mas antes de guerra. O Estádio encheu, e o público, ao rubro, totalmente doido, celebrava cada golo da equipa da casa, como se da própria liberdade se tratasse. A supremacia foi para o intervalo a perder por 3-1.
Dois oficiais do exército pessoal de Hitler, as SS, foram no decorrer do intervalo, ao balneário dos jogadores do dínamo, e avisaram – ou a derrota, ou a derrota. O Dínamo ganhou 5 – 3, e a festa nas bancadas foi de tal ordem, que ninguém ouviu o fuzilamento de uma equipa inteira no balneário. A vitória custou a vida aos jogadores do Dínamo, e o jogo, agendado enquanto amigável, conhecido como o da morte.
Hoje sobra-lhes uma estátua, e a independência, mesmo que turbulenta, da Ucrânia.
Esta história não é um caso único no passado do desporto; também o golo com a mão de Maradona, a famosa Mão de Deus, foi um grito de revolta na Argentina contra a Inglaterra, enquanto rapazes argentinos eram massacrados por soldados Britânicos na guerra das Malvinas. Ainda durante a II Guerra Mundial, Franco, o ditador Espanhol, apertou a mão a Hitler, quando este lhe pediu a vitória Alemã na final do mundial. E até, mesmo que menos violentas, as trapacices contemporâneas de Michel Platini.
Apesar de nos dias de hoje o mundo do futebol, e correspondendo à nossa atual sociedade, corresponde unicamente aos interesses de grandes grupos financeiros, e o que move a bola não é a vontade, mas sim as transações, existe um jovem Português, que fora das quatro linhas, deu um brilharete, não de bola, mas de coragem, ao defender, através do meio dos falidos, a verdade desportiva.
Está preso há cerca de um ano, e talvez, o crime capital de Rui Pinto, não tenha sido o de extorsão, mas antes, o de ter ofendido a supremacia, o clube da nação, e sair, assim como os jogadores do dínamo, a vencer para o intervalo.