As ações asiáticas encerraram a quarta-feira em queda, enquanto os futuros em Wall Street operam estáveis, em razão das preocupações renovadas com o crescimento econômico, à medida que as políticas monetárias cada vez mais apertadas se mostram necessárias em grande parte do mundo para combater a alta inflação.
As ações europeias vão caindo pela primeira vez em quatro dias, refletindo o comprometimento chinês em permanecer com sua abordagem zero para o coronavírus. Os contratos dos EUA se estabilizaram depois que uma queda liderada pelos papéis ligados à tecnologia atingiu em cheio o S&P 500 na sessão de ontem.
A inflação espanhola subiu inesperadamente para um novo recorde , frustrando as esperanças de que a inflação na quarta maior economia da zona do euro tenha atingido o pico e encorajando os formuladores de políticas do Banco Central Europeu, que pressionam por aumentos mais agressivos nos juros.
Os investidores têm se mostrado céticos em relação à capacidade do Federal Reserve em evitar uma recessão econômica contundente em meio a fortes aumentos nas taxas de juros e a queda da confiança do consumidor alimentou ainda mais as preocupações de que os EUA possam de fato entrar em recessão.
Autoridades americanas procuraram minimizar este risco: o presidente do Fed de Nova York, John Williams, e Mary Daly, de São Francisco, reconheceram o alto risco inflacionário, mas insistiram que o soft landing ainda é possível.
O presidente do Fed, Jerome Powell, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, além do gerente geral do Banco de Compensações Internacionais, Agustin Carstens, devem falar em um painel em um fórum do BCE mais tarde.
Por aqui, depois de diversos anúncios frustrados e revisões de propostas que pretendiam segurar os preços dos combustíveis, o governo federal decidiu abandonar o texto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 16 que defendia até esta terça-feira, 28, para apoiar agora outro texto que já havia sido criticado duramente, a PEC 1, apresentada em fevereiro deste ano pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT).
Na prática, um texto pretendido pelo governo será apensado à PEC 1, que já previa uma série de medidas voltadas à população, como o pagamento de um vale-caminhoneiro, subsídios ao transporte público, aumento da cobertura do vale-gás e do Auxílio Brasil. É tudo o que o governo Bolsonaro passou a defender na semana passada, quando abandonou a ideia de bancar os cofres dos Estados que aceitassem zerar a cobrança de ICMS sobre os combustíveis. Em fevereiro, porém, o posicionamento foi outro.
Naquela ocasião, a equipe econômica chegou a apelidar a proposta de “PEC Kamikaze”, ao projetar que as medidas, previstas para dois anos, e não somente até dezembro deste ano, teriam impacto de mais de R$ 100 bilhões. Por isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe insistiram, naquele momento, pela aprovação de uma medida que resultasse na redução de tributos apenas para o óleo diesel. A equipe do ministro chegou a classificar a medida como “suicida”. O governo fez pressão e acabou não votando o texto.
“Não era a PEC Kamikaze do Paulo Guedes? Ele falou isso, que era uma proposta irresponsável. Quero ver o nome que ele vai dar agora”, disse ao Estadão o senador Carlos Fávaro. “Não adianta fazer nada de forma afoita, querer mudar do nada a política de preços da Petrobras, desonerar o ICMS dos Estados, viram que nada disso funcionou. Perceberam que não dá para ter resposta mirabolante e que têm que dar uma resposta para a população. Kamikaze é criança passando fome, é gente pegando osso pra comer. Kamikaze é essa política ortodoxa de só pagar lucro para banqueiro”, criticou.
Carlos Fávaro disse que há acordo entre os líderes de bancadas para que o texto final, que ainda é desconhecido e que será apresentado nesta quarta-feira, 29, após dois adiamentos, vá à votação no plenário do Senado. A intenção é aprovar o texto para que, no dia s