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Para celebrar um ano de na fogueira, quem senta comigo na roda dessa vez é a Cila Santos, a mãe por trás do perfil do Militância Materna News, uma referência quando falamos de mulheres na internet abordado temas acerca da maternidade e mulheres por meio de uma perspectiva feminista. Cila também esteve, durante anos, por trás do portal QG Feminista, focado em feminismo radical e materialista. Também é possível encontrar sobre movimentos de mulheres em outras partes do mundo, a exemplo dos textos sobre o Movimento de Mulheres Curdas.
Cila e eu falamos sobre uma variedade de temas, incluindo aqueles considerados polêmicos como a verdadeira subversão da dominação dos homens sobre as mulheres exige que mulheres tenham o direito de decidir sobre (e fazer) o aborto em qualquer tempo em qualquer hora. Não perde tempo, dá o play e vem com a gente 🔥
O primeiro na fogueira de 2025 está no clima verão mil graus. Celina Lazzari, da MATRIA - Associação de Mulheres Mães e Trabalhadoras do Brasil, a primeira e única organização de mulheres dedicada a defender os direitos de mulheres e meninas baseados no sexo no país, sentou comigo para um papo sincero sobre cancelamento, feminismo, a dura realidade da esquerda brasileira hoje quando o assunto é direitos das mulheres, brechas à direita, críticas, tretas, dificuldades e conquistas do primeiro ano de MATRIA. O papo também foi uma oportunidade para colocar alguns pingos nos is acerca do trabalho da organização e de seu caráter apartidário, que acaba por agregar mulheres dos mais diferentes perfis, ideologias, classes, cores e crenças. Não perde tempo, dá o play e vem com a gente 🔥
Quem senta comigo na fogueira hoje é Gisela Carvalho, conhecida pelo seu perfil Resiliência RJ, que começou como um bar para mulheres lésbicas no Rio de Janeiro.
Quem senta comigo na fogueira hoje é a jornalista, autora e ativista de longa data pelo parto humanizado Andreia Nobre. No nosso papo, passamos por uma série de temas - do abuso sexual infantil à distopia da negação do sexo pela classe médica. Entre um dos casos mais bizarros que Andreia compartilhou está a vez que ela, enquanto na França, apanhou na rua por uma mulher que ouviu sua conversa obre a realidade do sexo com uma colega em um café. Mas este não é o único momento inacreditável da história toda. Para descobrir qual é, dá o play!
Quem senta comigo na fogueira hoje é a Tainara Vasconcellos, professora e historiadora focada em representação imagética da população negra no século XIX. Tainara é recém chegada no feminismo, mas já foi cancelada por ser “feminista demais” antes mesmo de ter seu peak trans, dentro do próprio movimento negro.
Quem senta comigo na fogueira hoje é a Anne Rammi, a . Assim como nossa segunda convidada, a Raquel Marques, ela integrou a Bancada Ativista, um mandato coletivo eleito em 2018 — aquele mesmo que alçou e fincou Erika Hilton na política brasileira. Anne escolheu deixar o mandato após algumas situações se tornarem insustentáveis, entre elas o autoritarismo que não permite o dissenso se estabelecer como norma em determinadas fileiras da esquerda.
No nosso papo, falamos sobre o apagamento da mulher na linguagem e na lei como última fronteira do patriarcado — um fenômeno intrinsecamente relacionado à crise epocal do capitalismo — e sobre a importância de não subsumir a esse refinamento da exploração das mulheres. Afinal, a história nos ensina que o silêncio não protege ninguém e que quanto mais cedemos, mais submissão demandarão de nós.
Como estamos próximas de mais um ciclo eleitoral, também falamos de eleições e a importância de pensar nas mulheres e crianças antes de apertar os números na urna.
O episódio de hoje do na fogueira estreia nosso espaço para conversas das margens contra o mainstream. A ideia é abordar temas como prostituição, tecnologias reprodutivas, transumanismo, ciranda woke, misoginia, a tal morte da esquerda e temas correlatos. Assuntos pouco abordados ou abordados de forma liberal e/ou publicitária, e quase nunca sob uma perspectiva feminista, pela mídia e pela esquerda moderada ou radical.
O papo está aberto, o que significa que você pode ouvir e compartilhar com quem quiser. No entanto, considere apoiar o lado b para que nossa roda não cesse de pautar temas políticos e culturais sem censura e seja capaz de alcançar cada vez mais gente. Quando você apoia financeiramente o lado b, você me permite continuar fazendo esse trabalho. Venha comigo manter a lenha na fogueira para que tenhamos mais conversas das margens contra o mainstream.
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A compra e a venda de mulheres por homens para o sexo é tão velha quanto a escravidão. Na verdade, escravidão, pobreza e prostituição estão intrinsecamente relacionadas desde as origens. As primeiras prostitutas eram escravas jovens, ocasionalmente alugadas por seus senhores para outros homens em troco de dinheiro. Não raro, essas escravas jovens se tornaram escravas por dívida (dos pais ou da família).
Desde o primeiro milênio antes de Cristo, muito mudou em aparência, mas pouco em estrutura. Enquanto os cafetões se sofisticaram, e agora se escondem dos holofotes e lucram cifras milionárias como “executivos de mídia e tecnologia”, a escravidão moderna e a pobreza seguem sendo as principais causas da prostituição. Essa, por sua vez, está diretamente relacionada à pornografia e ao tráfico humano. Mulheres traficadas são vendidas para sexo e agenciadas para a indústria pornográfica.
O mito que existe alguma face do comércio sexual que é boa é apenas isso, um mito, propagado sobretudo por homens, sejam eles donos de bordéis, agenciadores e/ou traficantes de mulheres e meninas. Não muito diferente é o mito de que vender o corpo e fazer sexo com quem você não quer é um “trabalho como outro qualquer” — embora, é claro, nunca sejam os homens fazendo esse trabalho.
No entanto, demos um passo além na era da precarização neoliberal (ou ultraliberal), e se submeter aos desejos e fetiches sexuais masculinos, por mais degradantes que eles possam ser, para ganhar cerca de duzentos dólares por mês (mil reais num câmbio de 5 para 1) passou a ser chamado de empreendedorismo feminino e liberdade sexual. A mídia, por sua vez, faz o serviço de agência publicitária para atrair cada vez mais mulheres jovens para a prostituição e pornografia.
Mas não ouse falar sobre isso, pois você acabará na fogueira. Provavelmente será chamada de “conservadora de esquerda”, “mal comida”, “frigida”, “odiadora de prostitutas”. Pra que um pouco de história, feminismo e dados se é possível lançar um ad hominem sem ter que ser dar ao trabalho? Como aqui a gente não tem medo nem de fogueira, nem de ad hominem, Isabela e Letícia Graton colaram para mandar a braba: OnlyFans é um misto de pornografia digital com prostituição, o que invariavelmente significa tráfico humano e pedofilia, envolto em mitos forjados pelo Patriarcado 2.0 atraindo meninas jovens e incapazes de dimensionar as consequências de adentrar nessa indústria.
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Para saber mais sobre o tema, confira:
• O podcast O Pessoal é Político;• O instagram Recuse a Clicar;• O filme Eu sou todas as meninas;• O papo da Meghan Murphy com Victoria Sinis, uma ex-agenciadora de mulheres do OnlyFans [em EN]• O recente episódio do podcast da FiLiA sobre comércio sexual [em EN]• O Substack da Julie Bindel [em EN].
A fogueira remete às conversas em roda, onde comemos, conversamos e contamos histórias, do sabat às nossas festas juninas. Ao mesmo tempo, ela é símbolo histórico de perseguição, caça às bruxas e queima de hereges. Aqui no lado b, a fogueira é uma seção em áudio com convidadas e convidados compartilhando sobre perseguição, cancelamento, a vida após o peak trans (na academia e fora dela), o que isso tudo tem a ver com o atual estágio de disrupção das relações bióticas e outros papos de interesse feminista e ecológico. Meu objetivo é navegarmos juntas pela complexidade da caça às bruxas da era ciborgue em meio à crise epocal do capitalismo.
Hoje eu recebo Na Fogueira, ela mesma, ninguém mais ninguém menos que Aleta Valente, artista visual, mãe, feminista e, claro, cancelada. É difícil pensar em uma área onde mulheres são realmente bem vindas, mas nas artes o caminho mais fácil para uma mulher entrar em uma galeria é tirando a roupa - como modelo, não como artista. Kathleen Stock, em seu livro, Material Girls: Por que a realidade importa para o feminismo (p. 242), traz alguns dados que podem apoiar a minha afirmação.
Como revelou um levantamento do coletivo feminista Guerrilla Girls em 1980, “menos de 5% dos artistas nas seções de arte moderna são mulheres, mas 85% dos nus são femininos. Na Galeria Nacional de Londres, atualmente, existem cerca de dez pinturas a óleo de autoria feminina entre as 2.300 da coleção permanente.
No mercado de arte contemporânea, pinturas feitas por mulheres representam cerca de 2% das vendas. Na moda e na publicidade, em 2017, apenas 13,7% das capas de revistas de moda nos EUA foram criadas por mulheres, e diversas revistas femininas não contrataram nenhuma mulher para ensaios de capa.
Em 2016, lá no Modefica, eu também dei a letra: em uma indústria formada majoritariamente por mulheres, nas semanas de moda internacional mais importantes, menos da metade dos estilistas apresentando suas coleções eram mulheres. Se pegarmos as informações de outra indústria onde imagem é tudo, a da publicidade, apenas 29% dos funcionários são mulheres e 12% dos diretores de criação são mulheres.
Se a maior parte das pessoas criando a cultura que chega na mão das pessoas são homens, não espanta que, para todos os lados para onde olhamos, o que vemos é pura objetificação feminina responsável por reduzir mulheres a um produto, parcial ou totalmente desprovido de humanidade e consciência. Eu desafio qualquer pessoa a encontrar representações semelhantes em quantidade e forma à objetificação feminina e à alusão à violência que vemos na cultura contemporânea de sujeitos que compõe outros grupos sociais — como homens da classe trabalhadora, homens negros, homens gays e homens transidentificados como mulheres.
Se a maior parte das pessoas criando a cultura que chega na mão das pessoas são homens, não espanta que, para todos os lados para onde olhamos, o que vemos é pura objetificação feminina responsável por reduzir mulheres a um produto, parcial ou totalmente desprovido de humanidade e consciência.
Isso porque, como diz Stock, a mulher como um tipo de ideal visual “é perpetuamente representada como um conjunto de superfícies externas permutáveis por qualquer conjunto de superfícies de aparência semelhante, mas cuja vida interior é de importância insignificante”. A consolidação da compreensão mulher enquanto objeto portador de um determinado conjunto de aparências aceito como feminino em um determinada época no imaginário social e político é o que permite a ficção - misógina - de que homens que adotam um conjunto de aparências aceito como feminino em um determinada época são, de fato, mulheres.
Nos ambientes artísticos-culturais, onde a objetificação feminina é estruturante do próprio trabalho que se faz, se recusar a aceitar a redução das mulheres a um conjunto de elementos estéticos tem um preço alto. Aleta precisou ficar alguns meses em outra cidade com a sua filha por segurança. De volta ao Rio de Janeiro, a vida não ficou mais fácil, Aleta segue enfrentando ostracismo, agressão online, ameaças de morte, estupro e violência física. O que mudou de lá para cá, porém, é que o bonde rad se fortaleceu, Aleta encontrou apoio em outras mulheres e está tocando a vida para o desgosto dos canceladores. Dá um play e vem com a gente nesse papo.
Você pode acompanhar o trabalho da Aleta no @ex_miss_febem_.
Quem senta comigo na fogueira hoje é a Raquel Marques e eu não tenho dúvidas que parte de vocês conhece sua trajetória na Bancada Ativista, um mandato coletivo eleito em 2018 que, entre outras coisas, lançou e fincou Erika Hilton na política brasileira. O limite da audácia que serviu para finalmente jogar Raquel na fogueira foi sua publicação no Facebook, em mais um dia santo do movimento trans em meio a tantos outros, dizendo algo como: seria bom se a esquerda se importasse com mulheres e crianças assim como se importa com pessoas trans.
Todos nós podemos concordar que não há ofensa, menos ainda fundamento para exigir retratação e expulsão, mas, como sabemos, razoabilidade não é o forte do movimento transativista e a única opção é dizer amém sem nunca questionar. À época, o assunto ganhou atenção midiática e textos na Folha de S. Paulo. Como conta Raquel, a experiência serviu para muitas coisas, entre elas deixar de enxergar a política institucional como saída e os mandatos coletivos como melhor alternativa. Dá o play.
A fogueira remete às conversas em roda, onde comemos, conversamos e contamos histórias, do sabat às nossas festas juninas. Ao mesmo tempo, ela é símbolo histórico de perseguição, caça às bruxas e queima de hereges. Aqui no lado b, a fogueira é uma seção em áudio com convidadas e convidados compartilhando sobre perseguição, cancelamento, a vida após o peak trans (na academia e fora dela), o que isso tudo tem a ver com o atual estágio de disrupção das relações bióticas e outros papos de interesse feminista e ecológico. Meu objetivo é navegarmos juntas pela complexidade da caça às bruxas da era ciborgue em meio à crise epocal do capitalismo.
A nossa convidada de estreia começou a perceber que havia algo errado com a narrativa hegemônica da esquerda quando, nas eleições de 2022, ela foi hostilizada por questionar o quanto mulheres trans podem realmente representar politicamente as mulheres, sobretudo porque estas estão ocupando as cotas femininas no Congresso. De lá para seu peak trans foi um pulo - e para o aumento da hostilidade horizontal também.
Acompanhe o trabalho de Mariana Waechter no Instagram @mari.waechter. Você pode sugerir pessoas para sentarem na fogueira nos comentários ou neste formulário.
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