Nesta semana, o mandante de um dos mais bárbaros crimes do país, Antério Mânica, um dos autores da chacina de Unaí, declarou oficialmente seu apoio à candidatura de Jair Bolsonaro (PL). Condenado pela segunda vez em maio de 2022 a 64 anos de prisão, Mânica segue em liberdade, já que novamente recorreu da decisão da Justiça.
Em janeiro de 2004, o ex-prefeito de Unaí, juntamente com seu irmão Norberto Mânica, ordenou o assassinato de quatro servidores do Ministério do Trabalho que fiscalizavam denúncias de trabalho análogo à escravidão. Os trabalhadores foram executados com tiros na cabeça.
“Ele não tem direito de fazer declaração nenhuma, ele deveria estar preso. Ele deveria estar incomunicável. Foi condenado por duas vezes, em 2015 e 2022, por um conselho de sentença. O crime vai completar 19 anos de impunidade”, se indigna Carlos Calazans, ex-delegado regional do Trabalho, coordenador dos trabalhadores assassinados.
Calazans especula que, em troca, um possível apoio do governo federal poderia garantir aos criminosos vantagens para seguirem impunes. “Para mim, para as viúvas, para os filhos é uma desumanidade, uma crueldade muito grande. A gente ver um cara que matou quatro pais de família, que deixaram sete órfãos, fazer uma declaração dessa. É espezinhar na dor das pessoas”, desabafa.