Encerrado o ciclo eleitoral, a Câmara volta ao ritmo normal de votações. Várias matérias aguardam a decisão dos deputados, como cinco medidas provisórias que vencem até o final do ano.
Estão na pauta a MP 1128, que permite aos bancos, a partir de 2025, deduzir de impostos e contribuições as perdas decorrentes de empréstimos não pagos e operações com empresas em processo de falência ou recuperação judicial; a MP 1129, que ampliou o período de vigência do Plano Nacional de Cultura; a MP 1.130, que liberou 27 bilhões de reais do orçamento para o pagamento de auxílios e compensação aos estados pela redução do ICMS da gasolina; a MP 1131, que destina quase onze bilhões de reais para auxílio a caminhoneiros e taxistas; e a MP 1132, que ampliou de 35 para 40% a margem do crédito consignado para servidores.
Outra medida provisória, que ainda não chegou ao plenário, já é alvo de polêmicas. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) pede a devolução dessa MP.
"Queremos cobrar, mais uma vez, do Presidente Rodrigo Pacheco a devolução da Medida Provisória nº 1.135, de 2022, que tenta, de forma inconstitucional, esvaziar as leis da cultura: a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo. Há o compromisso do Senador Rodrigo Pacheco como também do Senador Eduardo Gomes de garantir a validade da decisão do Congresso, da Lei Aldir Blanc, da Lei Paulo Gustavo. Nós queremos ver isso acontecer."
Definidos os rumos do próximo governo, o Congresso deve retomar ainda este ano a agenda de reformas. É o que defende o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).
"A reforma administrativa está pronta pra ir a plenário. O texto está pronto e aprovado pela comissão especial. A reforma tributária seja qual for o governo, se ela não acontecer nos primeiros quatro meses, cinco meses, é difícil que ela aconteça. E é importante que ela aconteça. Com elas, aí a gente vai pra outras discussões, de desvinculação de desindexação do orçamento, para que o Congresso e o governo tenham mais liberdade de tratar de alguns assuntos que são importantes e estão engessados."
Esses temas prometem polarizar os debates no plenário. O deputado Ricardo Silva (PSD-SP) é um dos que vota contra o texto da reforma administrativa aprovado na comissão especial.
"Desde já digo "não" à reforma administrativa, que é péssima para o Brasil, não apenas para o servidor. É péssima para o Brasil. Temos que falar sobre isso. Nesta tribuna está um servidor público do Tribunal de Justiça, com muito orgulho, para defender os justos interesses do povo brasileiro."
Já a deputada paulista Adriana Ventura (Novo-SP) considera inadiável a aprovação da reforma.
"Nós precisamos discutir os privilégios da elite do funcionalismo, precisamos discutir, sim, estabilidade, precisamos discutir, sim, o corporativismo absurdo, o inchaço da máquina pública. Não pagamos mais contas, não temos dinheiro para investir em nada e temos uma máquina ineficiente."
O deputado cearense Danilo Forte (UNIÃO-CE) prevê grandes embates para a aprovação da reforma tributária.
"Desde o período da Constituinte se fala em reforma tributária neste País. E nós presenciamos o quanto é difícil fazer reforma tributária devido aos lobbies de interesses, que permanecem até hoje se digladiando, tentando tirar, cada vez mais, um pouco do suor do sofrido povo brasileiro."
Outro assunto ainda pendente é o pagamento do piso dos profissionais da enfermagem. Quem explica é a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC):
"Nós precisamos deliberar sobre as fontes de financiamento do piso nacional da enfermagem. Falo isso porque eu fui a primeira, ainda no ano passado, a apresentar o projeto de lei da desoneração da folha, entre outros que foram apresentados. E temos inúmeros projetos aqui na Casa que precisam ser deliberados."
Aguarda decisão do Senado projeto aprovado na Câmara permitindo estados e municípios usarem recursos dos fundos da Saúde e da Assistência Social para essa despesa. Na Câmara, o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-C