O Literato: Carlos Emanuel

O Literato: Carlos Emanuel

By Carlos Emanuel: O literato.ArtsBooks
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O Literato: Carlos Emanuel episodes

  • João Miguel
    Bom dia, Boa tarde, Boa Noite, meu nome é Carlinhos Alves, direto de Fortaleza, com mais uma edição do podcast, O Literato, com resenhas de livros, comentários sobre filmes e séries baseados em literatura escrita, além de entrevistas, de memórias culturais e histórias de músicas e poesias que marcaram todas as épocas.
    No 3° podcast, vamos falar sobre o livro: João Miguel, Romance de 1932, da escritora cearense Rachel de Queiroz, essa edição de n° 13, foi publicada em 1992, pela editora Siciliano.
    A estória se passa em Baturité e mostra o personagem principal, João Miguel, sendo preso, depois de furar um homem em uma festa, quando estava embriagado, que acabou levando a pessoa atingida a óbito.
    No dia 13 de maio de 2017, numa bebedeira no Povoado de Boa Hora, zona rural de Teresina, Antônio Carlos Pereira: vulgo “Carro Veí” desferiu uma facada no pescoço de Wellington, que teve morte dentro de casa, a vítima era seu enteado.
    No dia 20 de março de 2017, no Cerro Verde, na zona rural de Quitandinha, um homem bêbado persegue o irmão, que cansado do alcoolismo da vítima, sacou uma arma e matou o parente.
    Casos como esses são comuns, na sociedade devido a problemas com bebida, você já deve ter visto pessoas que bebem e mudam seu comportamento, riem, choram e falam besteiras, depois quando voltam ao normal, percebe que está de ressaca moral, uma angústia, uma dor, sem saber, o que fizeram.
    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o alcoolismo é uma doença com componentes físicos e mentais. O risco seria influenciado pelo ambiente social, stresse, saúde mental, histórico familiar, grupo étnico e gênero.
    O personagem principal é visto dentro da cadeia, tem sua vida castrada, perdida, o amor que o deixa, Santa, as amizades que lhe ajudam a superar a dor, Filó, Angélica, Zé Milagreiro. O trabalho manual de fazer chapéu. Depois a liberdade, o mundo que não mais lhe pertence.
    Raquel de Queiroz nasceu em Fortaleza em 17 de novembro de 1910, sendo descendente pelo lado materno da família, de José de Alencar, foi à primeira mulher a pertencer à Academia Brasileira de Letras (ABL). Sua obra o Quinze (1927), que refletia a seca e a miséria lhe trouxeram destaque e o seu próprio interesse em questões sociais, o que a levou a ingressar no Bloco Operário Camponês, formando o núcleo que fundaria o Partido Comunista Brasileiro.
    Escreveu durante 30 anos, crônicas para a revista o Cruzeiro e depois para o Jornal Estado de São Paulo. Entres suas obras de destaque estão: As Três Marias, Dôra Doralina, Memorial de Maria Moura, Lampião (peça de teatro).
    De acordo com o escritor e jornalista Antônio Carlos Villaça, João Miguel é: “o romance da frustração e da espera angustiada. É um romance social, com um penetrante aprofundamento da análise psicológica. Raquel recria a vida de uma prisão numa pequena cidade no interior. Há uma mistura de fatalismo, de acaso, de injustiça social, neste romance da solidão humana e, ao mesmo tempo, uma denúncia e um protesto”.
    Quantas pessoas estão presas hoje e o que elas estão sentindo, quem elas deixaram aqui fora? Quais projetos foram perdidos? No Brasil são 711 mil detentos, mas destes 291 mil são provisórios, ou seja, ainda esperam um veredicto para saberem se são culpados ou inocentes.
    Falta legislação no Brasil que defina o tempo que a pessoa pode ficar presa sem ser julgada. O pacto de São José, Convenção Americana de Direitos Humanos fala sobre celeridade nos julgamentos: art. 7:1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. 4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da sua detenção e notificada, sem demora, da acusação formulada contra ela.
    Apesar de conter apenas 128 páginas e 23 breves capítulos, João Miguel nos traz várias reflexões que podem ser levadas em todos os momentos da vida, o que importa é viver e os sentimentos humanos.
    No dia 23 de junho em uma festa de São João em Arcoverde, interior de Pernambuco, o ator Fábio Assunção, completamente embriagado desferiu golpes e quebrou um vidro de uma viatura da polícia militar e foi detido por desacato aos policiais. O ator global que recebeu um ultimato da emissora carioca, já tem um histórico de dependência química.
    Agradecimentos a toda audiência deste podcast. Edição e narração Carlinhos Alves, na busca por desbravar o mundo imaginário, às vezes real e duro e às vezes poético e belo, abraço e até uma próxima vez.
    16 min
  • Bar Do Anísio.
    Bom dia, Boa tarde, Boa Noite, meu nome é Carlinhos Alves, direto de Fortaleza, com mais uma edição do podcast, O Literato, com resenhas de livros, comentários sobre filmes e séries baseados em literatura escrita, além de entrevistas, de memórias culturais e histórias de músicas e poesias que marcaram todas as épocas.
    No 2° podcast, vamos falar sobre o livro: Bar do Anísio: Casa de Liberdades, da jornalista Isabela Bosi, pela editora UFC, de 2013.
    Todos nós já fomos para algum lugar encontrar amigos, bater papo, deixar o tempo passar, ouvir música, cantar juntos enquanto algum amigo dedilha o violão. Nas minhas memórias estão a Ponte dos Ingleses, aonde a noite eu ia lá com meu irmão, alguns colegas, ou paqueras para ver o chocar das ondas nas pedras e o por do sol. Algumas vezes na infância, acompanhando a minha avó Raimunda, e tios e primos íamos, ao Cais Bar, ouvir chorinho e comer bolinha de peixe.
    Quantos de nós já não fomos para algum bar, ao sair da Universidade, os que eu frequentei nunca me saem da mente, como o Bar do Pedrinho, Bar do Mucambo, Pitombeira, Erivaldo do Frango (Montese), Cantinho Acadêmico, são alguns deles bem movimentados pelos intelectuais e políticos a maioria de esquerda.
    Ai, sempre vinha alguém falando do Bar do Anísio e sem eu me tocar que nem existia mais. Foi quando nesses últimos dias do mês de maio de 2017 chegou a minhas mãos esse livro no formato digital, pois estava disponível para ler no ISSUU. Vinha lendo ele sempre dentro de terminais de ônibus, à noite na volta para casa.
    Pouco mais de 140 páginas, que faz parte do Trabalho de Conclusão do Curso da autora, no Curso de Comunicação Social, da Universidade Federal do Ceará (UFC), um livro reportagem, com orientação de Ronaldo Salgado.
    O Bar do Anísio fechou suas portas em 1985, para dar lugar à modernidade que chegava, onde seria construído o Hotel Scala. Dentro do livro, a fala de Rogaciano Leite sobre esse momento de despedida desse amigo de uma geração: “O Anísio: a história afetiva de uma geração”, “No local, será erguido um novo edifício... um flat moderno de 26 andares e 226 apartamentos...”
    A história do livro fala sobre esse Bar do Anísio, que em plena ditadura militar, foi local de encontro de pessoas jovens e questionadoras, como Augusto Borges, Cláudio Pereira, Belchior, Fagner, Fausto Nilo, Sérgio Pinheiro, Ednardo, Rodger de Rogério. Nele foram compostas músicas que marcaram uma época do Pessoal do Ceará, dali surgiu o movimento Massafera, O Bloco de Carnaval Spaia Brasa.
    Anísio Muniz era ascensorista do Hotel Diogo e morava no Parque Araxá, antes tinha morado no Arraial Maria Moura, aquele dos retirantes que vinham do interior e não podiam entrar na cidade. Anísio acabou indo morar na Beira Mar, para ajudar na cura da doença da sua filha Nizia e acabou abrindo uma casa de vendas de comidas que depois virou lugar de venda de cerveja e aos poucos, os universitários foram descobrindo e vindo de vários lugares da capital.
    A autora fala na página 13: “Não sei como era seu jeito de andar, ou de falar. Não posso afirmar com segurança o que o sorriso dele passava... minhas lembranças não incluem essa figura singular da boemia cearense. Ou melhor, não incluíam até eu iniciar esse livro...”
    Gilmar de Carvalho que escreve o prefácio do livro diz, que: “O acaso joga um papel importante. Foi assim que nasceu o Bar do Anísio. A família foi para a praia em busca de saúde. O bar nasceu para servir cervejinhas para os amigos. As comidas eram os petiscos que sua esposa fazia. Filhos e filhas atendiam a mesa. Em tempos que antecipavam planejamento, marketing e design, o Bar do Anísio tinha tudo para dar errado, mas deu certo”.
    Isabela Bosi é carioca, 28 anos, em 2017, voltou à cidade maravilhosa para fazer mestrado em Memória Social, antes de ir, em 2013/2014 fez parte do Projeto Pra Você, que deixava cartas em pontos de ônibus, praças e vários locais da cidade de Fortaleza, onde desconhecidos liam e se emocionavam.
    Hoje são poucos os lugares que em Fortaleza o dono do bar é amigo do frequentador e as pessoas se sentem amigas uma das outras, ainda existem, mas são pouquíssimos.
    Agradecimentos a toda audiência deste podcast. Edição e narração Carlinhos Alves, na busca por desbravar o mundo imaginário, às vezes real e duro e às vezes poético e belo, abraço e até uma próxima vez.
    16 min
  • Artes da tradição: Mestre do Povo
    Bom dia, Boa tarde, Boa Noite, meu nome é Carlinhos Alves, direto de Fortaleza, com mais uma edição do podcast, O Literato, com resenhas de livros, comentários sobre filmes e séries baseados em literatura escrita, além de entrevistas, de memórias culturais e histórias de músicas e poesias que marcaram todas as épocas.
    Na 1° edição, vamos falar sobre o livro Artes da Tradição: Mestres do Povo, escrito por Gilmar de Carvalho e fotografia de Francisco Sousa.
    Nos últimos tempos têm surgido na TV, diversos programas jornalísticos com reportagens especiais, que saem do tradicional, do lead da notícia, da pirâmide invertida e entram na atmosfera de ser mais uma vivência do repórter, no meio da história que ele está contando, nesse caso, os exemplos se multiplicam, eu cito aqui, no Ceará, o quadro Nosso Ceará, feito pelo jornalista Rodrigo Vargas, que mostra personagens inusitados. A TV Record faz muito isso e um dos destaques foi de Renata Alves, vencedora do prêmio BNB de Jornalismo de 2005, que viajou o Brasil mostrando pessoas e casos curiosos.
    O livro Mestres do Povo reúne 50 reportagens, que foram veiculadas, por Gilmar de Carvalho em 2003, no Jornal Diário do Nordeste. De acordo com o professor e mestre em Comunicação Social, “foram mais de 20 mil quilômetros rodados em ônibus, carroceria de D-10, topics, moto-táxis e alguns no Fiat Uno Mile, vermelho, de 1996”.
    A obra fala sobre gastronomia, em Viçosa do Ceará, com Alfredo e dona Teresinha, alfenis de dona Socorro, queijada de Roberto e Lenilse e Raimundo dos Queijos. Foi ouvir a sanfona de Chico Paes, as rabecas de Antônio Hortênsio, José Oliveira e Raimundo Veríssimo. Nessas viagens ele encontrou ainda no caminho, “os pifes” de Raimundo Aniceto e seu Alfredo.
    São diversas histórias de gente popular, que o próprio autor diz seguir algumas indicações e pistas: “Umas pessoas indicavam outras, ouvíamos nossas intuições e assim foi possível tecer esta trama de textos e imagens”.
    Passou por São Gonçalo e viu a dança de Miraíma, reisado do Panteca em Sobral, lapinha de dona Tataí, o coco e a caninha verde do litoral e viola de João Alexandre. Teve o maracatu de Zé Rainha, a pomba gira da dona Neide, o pajé Barbosa, o tucum de dona Do Carmo.
    No prefácio do livro, Luís Humberto Marcos, comenta que o trabalho, “trata-se de uma escrita clara, não rebuscada, e que, com observação cirúrgica, apresenta os elementos essenciais caracterizados de cada situação e personagem. A força narrativa torna quase presentes as personagens e recantos de cada estória... ouve-se a rainha vaqueira, sente-se o cheiro da paçoca de dona Djanira... ouvem-se histórias de cordel...”
    Para quem não conhece, Gilmar de Carvalho é professor do Curso de Comunicação Social da UFC. Conhecido pela publicação do perfil de Patativa do Assaré, do poeta Manoel Caboclo e do violeiro Neco Martins e também do livro o Ceará de Ednardo. Quem acompanha as notícias culturais dos jornais do Ceará sempre o vê comentando sobre a visão da cultura popular. Ele é figura presente em documentários da TV Ceará e TV Assembleia comentando sobre essa visão cultural da sociedade cearense.
    Já o fotógrafo Francisco Sousa é de Santarém (PA) e filho de imigrantes cearenses, que escaparam da seca em 1958. É guia de turismo nacional. Você quando puder ter acesso ao livro, vai poder ver as imagens, desse artista, que também é formado em filosofia.
    As estórias dos homens e mulheres que constroem a arte e a culinária cearense passam por Limoeiro do Norte para conhecer o barro de Braúnas, ou mesmo para visualizar as máscaras heráldicas de Cícera Fonseca.
    É tempo de descoberta da nossa cultura e entrar nesse universo, pela escrita de Gilmar, que nos trás memórias afetivas, de tempos remotos, como nos apitos eróticos de Zé Celestino, os bonecos de Wagner de Ocara. Eu achei impressionante a rainha vaqueira de Canindé e a Pharmacia Iracema, que com mais de cem anos está ainda em atividade.
    Artes da Tradição: Mestres do Povo tem sua edição pela UFC/UECE, editora Leo, em 2005, ele é uma ótima oportunidade para conhecer os talentos locais, que muitas vezes não são reconhecidos pelo poder público.
    Agradecimentos a toda audiência deste podcast. Edição e narração Carlinhos Alves, na busca por desbravar o mundo imaginário, às vezes real e duro e às vezes poético e belo, abraço e até uma próxima vez.
    16 min

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Esse podcast visa falar sobre literatura escrita, cinema, ficção, principalmente com foco na arte do Ceará