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o Seu amor dura para sempre 29


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Domingo de Ramos

Leitura bíblica

Lucas 19.28-44, Salmo 118.25-29, Zacarias 9.9.

Adoro o exercício de fazer algo de novo. Gosto de ler os mesmos grandes livros, uma e outra vez. Gosto de ver os mesmos programas de televisão, ou de ver os mesmos filmes, e de os explorar para novas jóias. Tenho relido todos os romances de Jane Austen ao longo dos últimos anos, e cada livro tem sido um deleite. Se os livros são prismas, então cada nova  conhecimentos saltam uns dos outros como luz, tornando a experiência mais rica e mais brilhante cada vez que leio.

Por vezes, ler as Escrituras é assim, particularmente ler passagens especiais como a de hoje de Lucas 19. Talvez esta seja a primeira vez que lê a história da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, dando início à série final de acontecimentos antes da Sua morte. Talvez a tenha lido dezenas de vezes, e, ao lê-la, os seus olhos saltaram sobre ela, ligando-se apenas com as palavras-chave que sabe esperar.
Porque a Escritura é um meio de graça, ela lê-nos tanto quanto nós a lemos. Como um prisma, ela capta luz, não importa quando a olhamos, e ilumina algo mais profundo e mais rico. A Escritura é viva e activa, o que significa que se a abordarmos com oração, o Espírito Santo nos guiará, e sempre nos revelará algo.
Posso imaginar os gritos da multidão que aplaudiu Jesus: agudos, altos, alegres, cheios de paixão, curtos. "Bendito seja o rei, que vem em nome do Senhor!" gritaram, atirando as suas vestes ao chão para que o Seu burro passasse por cima. Pouco tempo depois, as multidões gritavam algo diferente: "Crucifica-o!"
Mas parece que Jesus deu uma resposta à multidão: ligada a uma compreensão mais profunda do Seu propósito. As suas declarações fazem referência ao Antigo Testamento: "as pedras clamarão" de Habacuque 2; e "Lá virá o tempo em que os teus inimigos farão uma muralha em volta de ti e te cercarão por todos os lados." (Lucas 19.43), de Isaías 29, Jeremias 6, e Ezequiel 4.
A declaração de Jesus: "Se tu também compreendesses, ao menos hoje, aquilo que te pode dar a paz! Mas por agora não conseguirás entender!" (Lucas 19.42). Ele estava a falar para Jerusalém, a cidade que Ele amava. Estava a falar às multidões que O aclamavam e aos fariseus que O desafiavam. Ele falava com autoridade, que seria rapidamente seguida com raiva quando Ele limpasse o templo.
Quaresma, Semana Santa e Páscoa, são uma sinfonia, cheia de celebração e de luto. Nós aplaudimos, choramos. Celebramos, abstemo-nos. Vivemos a plenitude da vida, da morte e da esperança eterna. Somos o povo da Páscoa, mas temos toda a história nos nossos ossos. E cada vez que a lemos, sentimo-la mais e mais profundamente: a dor, a alegria, e a esperança gloriosa.

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