Uma das discussões indenitárias mais em baixa atualmente, mas que irá entrar em alta, acreditem, é a de trabalhador. Por muito tempo essa foi a forma como os pobres encontravam o grande sentido de sua vida, e mesmo quando se aposentavam, ou eram demitidos, vinham a entrar em uma espiral de enorme desespero. Isso acontecia, e acontece, mesmo quando vinham a ter recursos próprios para sua sobrevivência, como a atual seguridade social, passavam por uma terrível crise de seu eu.
Quem falou dessa crise ocidental do ser com ele mesmo no século XIX, foi senão o pai, pelo menos o tio-avô do existencialismo, o filósofo cristão SØREN KIERKEGAARD (1813–1855). Nele temos uma das primeiras grandes discussões sobre um dos maiores mistérios comuns da humanidade, a subjetividade do homem comum, ou melhor, da massa em sua individualidade.
Nesse sentido KIERKEGAARD cria um modelo terrível de pensamento, em que o finito imprevisível do cotidiano se contrapõe ao infinito inevitável da morte. Para ele, seria a fé no deus cristão a solução para isso, pois daria sentido a essa dialética entre existência e finitude.
Crenças à parte, o modelo pode ser adaptado para coisa mais materialista: um grande período de rotina e acomodação que ao se repetir durante muito tempo, cria uma falsa noção de ser perpétuo, e assim, por meio da imaginação presa a esse ciclo, inescapável.
Mas como disse anteriormente, “eternidade” não é in-finitude, apenas imprevisibilidade de duração de um período Uma mera quebra na rotina de algo pode decretar o final da eternidade e todo um novo ciclo se inicia, e com ele, o desespero, a perda do sentido do todo, devido ao presente ser uma outra eternidade.
NESSAS DUAS OBRAS O DESEMPREGO E EMPREGO CONVERGEM PARA SE APRESENTAREM COMO UMA NUANCE AGRADÁVEL DO TERRÍVEL DESESPERO.
Essa opinião é sobre isso.