O pop e a música mais bem trabalhada, em temos técnicos e melódicos, não sabem gerir muito bem a ideia de permanência num relacionamento de forma geral.
Dificilmente estes estilos narram o durante o amor, ou seja, o momento em que o amor está fluindo, no qual o seus envolvidos (podem ser dois ou mais) estão superando suas empatias sexuais e sentimentais individuais para se tornarem uma espécie de unidade afetiva correlata.
Neste sentido não estou falando de todo o amor, e sim do amor dos amantes, aquele que tende a nos atrair e a nos cativar a um estranho sistema conjunto, desequilibrado, e por isso mesmo, flexível e pronto para resistir aos desmandos da vida.
Esta relação tensa, quando se equilibra, tende a se desfazer: as pessoas envolvidas no amor procuram-se nas necessidade e qualidades dialéticas, e assim podem superar o que sozinhos não conseguiriam tão rapidamente.
SENDO MAIS DIRETO, UM ROMANCE, É UM PROJETO EM COMUM, NÃO NECESSARIAMENTE IDÊNTICO, QUE MANTÉM OS AMANTES JUNTOS.
Quando o projeto termina, os amantes se separam, não por falta de se amarem, ou por se odiarem, e sim, por simplesmente quererem, como disseram outras duas cantoras, Dido (1971) e Bjork (1965) deixarem de serem o que são e se tornarem as caçadoras novamente: ambos os amantes, não importa o sexo biológico, deveriam criar uma espécie de ideal maternal (como acalento de si e orgulho de seu sacrifício) para parirem a si mesmos novamente e assim escolherem a sua nova caçada selvagem.
E nesse instante, tenro, terno, terrível, transformador, transfigurado, olhamos para nossos antigos amantes e lembramos algo que não é mais verdade, que se resume na fala de Marisa Monte (1967) em seu show de divulgação de seu álbum, PORTAS (2021); durante uma das canções, ao responder a uma das falas/refrões das músicas, que dizia algo como “eu era o seu amor”, ela responde, meio melancólica, meia séria, meia sorridente como alguém que enterrou algo amado que ficou muito tempo doente, o seguinte:
Monte é essa interprete do “é, eu era”. E aqui resenho esse amargo e libertador sepultamento de algo amado.
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