Aew Galera. Nada melhor pra começar o ano de uma coluna de cultura japonesa falando do Oshogatsu (Ano Novo) na terra do sol nascente, não é verdade?
No Japão, o Oshogatsu é o feriado mais importante, pois é tempo de purificação e renovação devido a cultura budista e xintoísta, e esta época é marcada com 4 dias de feriado mas com um mês de preparação e muitas tradições, rituais, “manias” e etc.
Tudo começa já no inicio de dezembro quando muitas famílias começam a fazer a faxina de inicio de ano, não deixando nenhuma sujeira nem compromisso pendente, isso serve não só pra limpar a casa, mas é simbolicamente uma faxina espiritual, para que se livrem de tudo o que lhes foi de mal e negativo no ano que passou e trazer uma energia renovada para o ano vindouro. Esse evento é nomeado de oosouji (大掃除), até nas empresas também convocam seus funcionários para arrumar o escritório, e os vizinhos ajudam na limpeza do bairro. Depois da limpeza, eles decoram a casa para receber os bons espíritos e afastar os maus. Na entrada é colocado um par de kadomatsu, um arranjo de ramos de pinheiro e bambu que traz boa sorte.
Também é confeccionado o heisoku, uma dobradura sem corte confeccionada em papel japonês (washi). Ele deve ser feito pelo chefe da casa ou, na falta desse, pelo primogênito. As mulheres não podem fazê-lo, pois isso poderia gerar ciúmes na deusa Amaterasu, a quem é dedicado, segundo o xintoismo. Também no dia 30 de dezembro eles fazem uma espécie de arvore de ano novo chamado kagamimochi, os enfeites
são compostos por dois bolinhos de arroz (mochi): um maior, que serve de base, e o menor, que fica sobre ele, e no topo colocam-se um daidai, uma espécie de laranja. O enfeite ainda recebe folhas de matsu (tipo de pinheiro), que é retirado no segundo dia do ano novo.
Com três dias para o Oshogatsu eles começam a preparar um bolinho de arroz chamado mochi tsuki ou só mochi, que é feito quando o arroz cozido é batido e depois se criam bolinhas de arroz com as mãos, para ser comido nas festividades, e como ele é feito de maneira artesanal, muitas famílias e até
comunidades inteiras se reúnem para fazer ele juntos. Eles acreditam que esse bolinho simboliza força e pureza, e como o ultimo dia do ano é um dia de descanso, assim como os três primeiros do ano, e neste período as donas de casa não cozinham, então no penúltimo dia elas preparam uma grande refeição
chamada osechiryouri (御節料理) e guardam em caixas chamadas juubako (重箱) para serem consumidas nesses dias com comidas
que trazem sorte e felicidade. Nos primeiros dias do ano é
comido uma sopa de arroz, vegetais e frutos do mar, chamados ozouni, que acreditam que traz sorte e
a graça dos deuses durante o ano, e um macarrão chamado sobá, que neste caso é chamado de Toshikoshi-sobá – literalmente macarrão da passagem de ano. Esse costume começou no período Edo (1603-1867), quando as pessoas
acreditavam que sobá ajudava a atrair dinheiro. Atualmente este macarrão, por ser fino e longo, simboliza longevidade, pois lembra barba e cabelos brancos dos deuses da longa vida. Além disso, o sobá tem o mesmo som da palavra japonesa que significa perto, ou seja, indica a proximidade do Ano-Novo.
No dia 31 de dezembro é realizada a cerimônia das 108 badaladas no sino chamada de Joya no kane (除夜の鐘), que simboliza o afastamento dos 108 pecados e desejos mundanos do homem no ano que virá , sendo 107 badaladas no dia 31 de dezembro e a ultima exatamente a meia noite do dia primeiro de janeiro, para que o homem possa entrar purificado no novo ano. Depois muitos japoneses acordam bem cedo para ver o Hi no dê, que é o primeiro pôr do sol do novo ano e depois fazem a primeira visita no templo chamada Hatsumode, onde vão para comprar um novo omamori(amuleto de sorte) e deixar o antigo para ser queimado no templo. E no segundo dia do ano, o Palácio Imperial, localizado em Tokyo, abre suas portas para a população no Shin-nen Ippan S...