Neste episódio a conversa foi entre Danielle Brito-Rodrigues, Edison Iglesias de Oliveira Vidal e nossos hosts Claudia Inhaia e Rodrigo Lima dos Santos sobre um dilema frequente e doloroso na prática: o que fazer quando comer e beber pela boca se tornam difíceis ou inviáveis em uma condição grave de saúde?
Danielle nos apresenta a sua tese de doutorado “Alimentação e hidratação nas condições graves de saúde: validação de uma ferramenta de apoio à decisão”, que nasce da experiência clínica com adultos e idosos com disfagia, inapetência, seletividade e/ou recusa alimentar — e com as “violências silenciosas” que surgem quando a via artificial é indicada sem conversa real com paciente e família. A tese propõe e valida uma FAD (Ferramenta de Apoio à Decisão), pensada para letramento em saúde e tomada de decisão compartilhada, com linguagem clara e informações imparciais sobre opções, riscos e benefícios — para apoiar decisões alinhadas aos valores, metas e preferências da pessoa doente e do seu núcleo de cuidados.
Quais opções a FAD ajuda a colocar na mesa (sem “receita de bolo”)?
• Via oral de conforto / oferta oral segura (foco em conforto, prazer oral e memórias, mais do que “quantidade”)
• Via artificial (sonda/gastro/jejuno) quando a via oral está impedida/prejudicada, com reflexão cuidadosa sobre propósito e benefícios no contexto grave
• Via mista (oral + artificial), incluindo a ideia de teste clínico e reavaliação
• Quando não alimentar: possibilidade de jejum como mecanismo protetor em cenários específicos, além de cuidados de conforto; e via subcutânea para hidratação/medicações quando indicado
Como a ferramenta foi construída e validada?
A pesquisa teve duas fases: (1) validação por especialistas (método e-Delphi) e (2) piloto com usuários (pacientes/familiares/cuidadores) usando escala de conflito decisório antes e depois.A FAD foi considerada útil, com 94% de concordância média dos juízes.
E o que mudou quando as pessoas tiveram acesso à FAD?
No piloto, houve redução discreta da escolha por via artificial exclusiva, aumento da via mista e — o dado mais marcante — a escolha por via oral exclusiva dobrou após a exposição à ferramenta.
Neste episódio, a gente traduz esses achados para o dia a dia: bioética, comunicação, prognóstico, “risk feeding”, sofrimento, culpa, segurança, e como sustentar decisões revisáveis ao longo da trajetória — com o cuidado centrado na pessoa.
Onde encontrar a FAD e a Danille: @apoioadecisao
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