"Aquele que NÃO CONHECEU PECADO, ele (DEUS) O FEZ PECADO por nós; para que, nele (em CRISTO), fôssemos feitos JUSTIÇA DE DEUS".
(2Coríntios 5.21-ARA). I.INTRODUÇÃO:
Desde o princípio da humanidade o homem, pecador, busca sua Auto Justificação (p. Ex. Adão em sua tentativa de se justificar perante Deus, sobre sua desobediência, atribuindo a culpa à mulher). A Doutrina da Justificação é central no Evangelho e sua base é a constatação cabal e inquestionável de que "Não há justo, nem um sequer"; "todos pecaram" e que "o salário do pecado é a morte" (Rm 3.10, 23; 6.23). Estas são afirmações inequívocas, inquestionáveis, a respeito do homem, em sua natureza corrompida pelo pecado. Diante de Deus o homem é injustificável, indesculpável (Rm 1.18-20), está separado de Deus (morto - Ef 2.1) e, consequentemente, destinado à condenação
("filhos da ira" - Ef 2.3).
A justificacão do homem, pecador, é a essência do Evangelho, o fundamento da teologia cristã, revelada na Palavra de Deus (Romanos 1.17 ..."a justiça de Deus se revela no Evangelho"...). A justificacão é um ato exclusivo de Deus, realizado EM e ATRAVÉS de Jesus Cristo, cujo resultado é a reconciliação (PAZ) do homem com o próprio Deus que o justifica em Cristo (Romanos 5.1).
É uma DECLARAÇÃO LEGAL na qual Deus perdoa o pecador de todos os seus pecados, aceita e considera o pecador como JUSTO diante de si mesmo.
II. COMO OCORRE A JUSTIFICAÇÃO?
O texto de 2 Coríntios (5.21) é uma maravilhosa e completa síntese do Evangelho e apresenta três afirmações fundamentais e absolutas sobre o CARÁTER, a MISSÃO e a CONSUMAÇÃO da obra salvadora de Cristo: 1. "NÃO CONHECEU PECADO": o verbo traduzido por conhecer, no Grego (GNÓSKÓ), significa aprender por experiência pessoal. O autor da epístola aos Hebreus declara:
"Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas SEM PECADO (
Hb 4.15).
Jesus Cristo é o UNIGÊNITO Filho de Deus, GERADO (sem pecado), não criado. Esta essência do caráter de Cristo foi explendidamente afirmada no Credo Niceno (Concílio de Nicéia, 325), em oposição à heresia ariana): "Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis; creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho UNIGÊNITO de Deus,
nascido do Pai
antes de todos os séculos;
Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
GERADO, NÃO CRIADO,
CONSUBSTANCIAL ao Pai".
2. "TORNOU-SE (PELA VONTADE E PROPÓSITO DE DEUS) PECADO POR NÓS": o verbo tornar-se, no
Grego (POIEÓ) significa fazer, agir, causar, executar. Só podemos entender plenamente essa afirmação do Apóstolo Paulo ao examinarmos atentamente Romanos, 8:
"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora IMPOSSÍVEL À LEI, no que estava enferma pela carne, isso FEZ DEUS enviando o seu próprio Filho em SEMELHANÇA DE CARNE PECAMINOSA e no tocante ao pecado; e, com efeito, CONDENOU DEUS, NA CARNE, O PECADO"
(Romanos 8.1-3).
3. "TORNOU-SE (PELA SUA MORTE NA CRUZ) JUSTIÇA DE DEUS":
a palavra grega para justiça (DIKAIOSUNÉ) significa: aprovação divina, justiça divina (na qual Deus é a FONTE e o AUTOR da mesma). Citando novamente Hebreus: "Olhando firmemente para o AUTOR e CONSUMADOR da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus" (Hb 12.2). Este é o cerne (centro) do Evangelho: o Salvador, sem pecado, tomou sobre si os nossos pecados, para que possamos ter a justiça de Deus (reconciliação, paz, comunhão, conhecimento de Deus, presença de Deus, vida eterna.
III. CONCLUSÃO:
Jesus Cristo, ao ser gerado, o foi sem pecado; ao encarnar, viveu sem pecado; ao ser crucificado, tornou-se pecado (por nós); ao morrer, consumou a justiça de Deus (em nós).