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A maioria de nós não foi ensinada a gerenciar conflitos, a lidar com o contraditório e com as diferenças. E o resultado a gente consegue ver nas relações ed amizade, na política, no trabalho e nas relações familiares. Por conta disso, torna-se um desafio ter que lidar com os conflitos entre os filhos. Porém é extremamente necessário desenvolver e treinar essa habilidade para que eles cresçam entendendo que os conflitos acontecem e que podem ser gerenciados.
Com a chegada do segundo filho, é um novo nascimento como mãe também. Com isso, precisamos estar atentas na nossa forma de falar e agir, pois podem afetar muito o emocional do nosso primeiro filho. Vamos aqui falar um pouco sobre como podemos repensar a nossa abordagem, do ponto de vista do nosso filho.
Você já observou que antes de uma criança nascer, todos estão falando dela? Sempre que alguém conversa com você enquanto gestante, vai falar da criança. Até mesmo nós estamos completamente voltadas para essa etapa da vida. Mas já parou para imaginar qual o sentimento do irmãozinho em relação a isso? Pense bem, todos falando do irmão dele que nem nasceu ainda e ninguém mais fala dele, que está ali na frente de todos. Precisamos tomar certos cuidados em relação a isso.
Será que existem ações nossas que potencializam ou não a polarização dos nossos filhos? Um dos aspectos que temos que considerar é que quando juntamos todos os filhos e fazemos tudo do mesmo jeito (colocamos todos no mesmo pacote), estamos fazendo alguém ser tratado como gostaria e outro como não gostaria, porque os filhos são diferentes. E muitas vezes quando estamos tratando todos do jeito que melhor nos convém, aquele filho que se adaptou melhor leva vantagem em relação ao outro que não é tão compatível com aquele estilo e acaba se sentindo preterido. Esse é um dos gatilhos para a rivalidade.
Hoje vamos falar um pouco sobre uma questão que é muito vista como normal, mas que muitas vezes é negligenciada pelos pais. Frases como “irmãos brigam bastante mesmo” acabam normalizando uma situação em que muitas vezes o outro está em sofrimento. Você já parou para pensar que a condução dos pais tem um peso fundamental nesse aspecto? Que podemos estar agindo de uma forma que gera competição ou polarização nos nossos filhos?
Toda criança vai passar por traumas na vida dela, inclusive na infância. Algumas mais, outras menos. Não podemos evitar os traumas. Porém podemos modificar a forma em que nossos filhos os vivenciam. A Fusão Emocional está completamente ligada a isso, pois nos dá a competência de conhecer tanto aquele indivíduo que quando algo não vai bem conseguimos perceber rapidamente parar entrarmos com uma abordagem assertiva, de forma que aquela situação adversa será vivenciada de uma maneira muito melhor do que se formos negligentes. Com isso, a criança acaba aprendendo de uma maneira muito melhor sobre como lidar com situações adversas e isso fará toda diferença em sua vida adulta.
Como na maioria das vezes estamos em déficit com relação ao suprimento das nossas necessidades emocionais, podemos correr para dois extremos: ou para uma postura egoísta de buscar colocar todas as minhas necessidades na frente das necessidades dos nossos filhos e acabamos ignorando as necessidades deles, ou então partimos desesperadamente na busca de atender todas as necessidades dos nossos filhos esquecendo completamente das nossas, o que é também um tremendo erro.
Como seres humanos, temos alguns instintos muito bem definidos. Um deles é a necessidade de recebermos desde bebês alguns estímulos como previsibilidade, segurança, afeto, diversão. Estes estímulos, quando não recebidos dos pais ou até mesmo violentados pelos pais ou cuidadores, não são esquecidos por aquela criança. Eles ficam guardados em um lugar que será acessado ao longo da vida, na tentativa de que sejam supridos por outros indivíduos como amigos e parceiros(as), que por sua vez não serão capazes de suprir tudo aquilo que deveria ter sido suprido em uma vida inteira. E com isso, estamos sempre em déficit. Este é um dos maiores desafios da maternidade, pois agora teremos que prover exatamente aquilo que estamos em falta. Porém o mais bonito de tudo isso é que, se estivermos atentas, a própria criança vai nos ajudar a nos encontrar com nós mesmas.
Continuando um pouco mais sobre o que falamos no episódio passado, muitas vezes somos tão movidas a resultados que queremos promover tudo de melhor para os nossos filhos, entretanto no excesso de vontade de cumprir tudo em cada mínima vírgula, podemos estar pecando em submeter os nossos filhos a uma violência imposta pelo nosso perfeccionismo.
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