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A maioria de nós percebeu desde muito sendo que havia sempre uma expectativa ao nosso respeito em termos de resultados. O boletim escolar, por exemplo, era quase que um indicador de nossa qualidade enquanto filhos. Por conta disso, hoje queremos sempre ter todos os resultados quase que palpáveis para medirmos o nosso desempenho em todo momento. E é exatamente nisso que precisamos tomar cuidado em nosso maternar, tanto para não esperarmos demais de nós mesmas, quanto dos nossos filhos.
A Fusão Emocional não é algo exclusivo da relação parental. Experimentamos também a Fusão Emocional na nossa relação com nossos parceiros, por exemplo. Essa fusão acontece em nossa tentativa se se interessar pelo outro e atender às suas necessidades.
As crianças naturalmente já apresentam esse comportamento em relação aos seus cuidadores, dentro das limitações delas. A pergunta que fica para nós é se estamos também respondendo com o mesmo interesse. Precisamos entender que essa Fusão precisa ser bilateral.
Muitas vezes o Apego Seguro é mal interpretado e as pessoas confundem achando que a nossa abordagem traz consigo a permissividade. Porém se prestarmos atenção, a permissividade é uma consequência da falta de empenho dos pais em acompanharem o filho. Por outro lado, tudo que temos ensinado sobre Apego Seguro dá trabalho, e muito trabalho. Não é fácil. Enquanto a permissividade vem da fuga daquilo que dá trabalho, que é educar, o Apego Seguro vai na contramão disso.
Apesar de buscarmos ser a nossa melhor versão para os nossos filhos, inúmeras vezes deixamos aflorar a nossa “criança ferida” e erramos em nossa relação parental. É extremamente importante percebermos que em uma relação saudável deve existir a leveza inclusive para o reconhecimento de erros, que somos humanas e podemos sim errar. Entretanto, é igualmente importante que esses erros sejam verbalizados aos nossos filhos como pedido de desculpas para que eles percebam a nossa sinceridade na tentativa de acertar, bem como também entendam que o que é errado deve ser tratado como tal.
Esse é um dos maiores cuidados que precisamos tomar na criação dos nossos filhos: a busca pelo aplauso do outro. Muitas vezes ao querermos agradar o outro ou receber a aprovação das pessoas, deixamos de fazer aquilo que é o melhor para os nossos filhos. Muito cuidado!
Precisamos entender que quanto mais anulamos os anseios e sentimentos de uma criança, aquilo vai se acumulando ao ponto de gerar consequências na fase adulta. Inclusive, muitas das nossas dificuldades na criação de filhos é que passamos toda uma vida nos anulando e achamos inconscientemente que quando seria a fase onde deveríamos olhar para nós, damos a luz alguém que vai precisar da nossa total atenção e dedicação.
É impossível criar filhos de forma respeitosa em relação aos sentimentos deles se não soubermos gerenciar os nossos sentimentos. E isso não tem a ver com sermos perfeitas, mas sim com conhecermos as nossas fraquezas para sermos mais assertivas no gerenciamento delas.
Ao contrário do que muita gente acha, não precisamos intencionalmente expormos nossos filhos a situações de traumas para que eles aprendam a resiliência, pois o nosso próprio processo natural já expõe a criança a situações desafiadoras.
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