
Sign up to save your podcasts
Or


Trechos do livro "No Domínio do Amor", de Dom Miguel Ruiz.
Texto de autoria de Fernando Sepe
Viajo a uma velocidade espantosa no espaço. Parece que não mais sou eu que me movimento, mas sim o espaço “passa por mim”, quadro a quadro; e uma distância inexplicável e incontável é vencida em questões de segundos. Quando novamente consigo centrar-me, vejo que estou em uma casa humilde, um pouco escura, com uma lareira acesa e um velho homem sobre ela debruçada. Percebo que esse homem parece retirar algo da lareira. Esforço-me um pouco e vejo ser uma lâmina incandescente. Finalmente o homem percebe que eu estou próximo e me saúda com um singelo “oi”.
Diz, que estava me esperando, que ele me mostraria uma coisa, algo importante. Começa a martelar a lâmina tentando dar a ela um formato reto, firme, etc. Enquanto vai fazendo isso, começa a cantarolar uma canção. Finalmente termina, fundi a lâmina com um belo cabo dourado e uma bonita espada está formada...
... O velho em pura luz converteu-se e quando vi, o mais belo guerreiro estava a minha frente. Deve ser um Pai Ogum, pensei! E realmente o era.
Primeiramente deu-me a espada e disse, que enquanto o meu coração brilhasse, a minha espada seria invencível pois a Justiça a guiaria.
Disse-me ainda, que apenas a mão do amor pode utilizá-la com sabedoria.
O Escudo também foi me dado. Com ele me protegeria dos ataques externos, contrários a trilha da minha senda. Mas ele tinha um significado maior e lembrava-me, que internamente é onde mora os verdadeiros perigos e contra esses, o escudo não teria força alguma.
Por fim, o mais surpreendente. O caminho luminoso a minha frente sumiu e transformou-se numa bela lança com uma ponta que brilhava como uma linda estrela. Essa lança entrou diretamente em meu peito e lá ficou alojada. Era o caminho reto da Lei. Era a senda de luz que eu teria que trilhar. Ela estava marcada em meu coração e por ela eu viveria eternamente.
Nós, ciganos, temos uma só religião: a da liberdade!
Em troca desta renunciamos à riqueza, ao poder, à ciência e à glória.
Vivemos cada dia como se fosse o último.
Quando se morre, deixa-se tudo: um miserável carroção como um grande império.
E nós cremos que nesse momento é muito melhor ser cigano do que rei.
Nós não pensamos na morte. Não a tememos – eis tudo.
O nosso segredo está no gozar em cada dia as pequenas coisas que a vida nos oferece e que os outros homens não sabem apreciar; uma manhã de sol, um banho na torrente, o contemplar de alguém que se ama.
É difícil compreender estas coisas, eu sei.
Nasce-se cigano.
Agrada-nos caminhar sob as estrelas.
Contam-se estranhas histórias sobre ciganos.
Diz-se que lemos nas estrelas e que possuímos o filtro do amor.
As pessoas não acreditam nas coisas que não sabem explicar-se.
Nós, pelo contrário, não procuramos explicar as coisas em que acreditamos.
A nossa vida é uma vida simples, primitiva: basta-nos ter por teto o céu, um fogo para nos aquecer e as nossas canções quando estamos tristes."
Vittorio Pasqualle Spatzo (poeta cigano)
"Tudo aquilo que deploro eu excluo. Tudo aquilo que recrimino eu excluo. Toda pessoa de quem tenho raiva eu excluo. Toda situação em que me sinto culpado eu excluo. Assim vou me tornando cada vez mais pobre.
O caminho oposto seria o seguinte:
Tudo aquilo que lamento, encaro e digo: sim, assim foi, e coloco isso dentro de mim, com todo o desafio que representa para mim. Eu lhe digo: 'Agora vou fazer algo com você. Vou tomar você como meu amigo ou como minha amiga' - seja o que for".
Bert Hellinger, trecho extraído do livro Um Lugar para os Excluídos, pág. 68, Ed. Atman
Buscar no passado sabedoria e entendimento para o momento presente, e assim co-criarmos um futuro melhor, é este o objetivo dessa reflexão!
From the publisher's feed