Nasceu Renato Manfredini Júnior, no Rio de Janeiro. Morou, dos 7 aos 10 anos, em Nova Iorque (por causa do trabalho do seu pai), mas passou parte da adolescência e juventude na capital do País.
Ainda na adolescência (entre os 15 e os 17 anos), foi acometido por uma doença óssea que o manteve preso à cama por grande parte desse tempo, mas também fez com que ele se aproximasse ainda mais dos livros e da música, o que deu à sua obra (especialmente as suas letras) uma nuance poética.
O primeiro Álbum da Legião foi lançado em 1985 em um cenário político em que se destacava o fim dos 21 anos de ditadura militar no Brasil.
Destacam-se, músicas como “Por enquanto”, em que é mostrada uma temática que constantemente está presente na obra de Renato Russo, que é a brevidade das relações e a finitude da vida e “Ainda é cedo”.
“Tanta gente já foi embora da minha vida por causa disso. Porque eu sou mandão, ‘com a melhor das intenções’”.
Ele fala isso nos momentos finais da música, depois canta partes de Gimme Shelter, Pretty Vacant, Satisfaction, Jumping Jack Flash, Rock Around The Clock e Blue Suede Shoes. E quando voltam aos acordes de “Ainda é cedo”, ele diz: “ela gostava de todas essas músicas… Você está em algum lugar, eu sei… foi para você”.
No Álbum Dois, de 1986, a Legião Urbana se consolida no cenário pop nacional, com músicas de acordes simples e letras pungentes. Nesse álbum, músicas como “Será”, cuja estrofe de cunho contestador depois foi romantizada em outras versões, além da simplicidade genial de Eduardo e Mônica, com a descrição da história de amor de um casal que se completa “que nem feijão com arroz”, ainda estão presentes os versos melancólicos e dramáticos de músicas como Tempo Perdido.
O ecletismo de Renato Russo pode ser observado especialmente na música Faroeste Caboclo, que, segundo ele mesmo, é uma espécie de junção entre estilos que vão desde Raul Seixas até a literatura de Cordel.
O terceiro Álbum da Legião – As Quatro Estações (1989) – traz à tona parte da figura complexa que foi Renato Russo. Se, geralmente, os fãs costumam achar que sua música reflete muito daquilo que ele viveu e sentiu, versos como “Parece cocaína/Mas é só tristeza” dão uma amostra das conturbações emocionais sempre presentes em sua vida.
A época do lançamento desse álbum coincide com a descoberta de que ele era soropositivo. Às vezes é possível quase sentir seus temores (que nascem do “cansaço e da solidão”)...
Com o lançamento desse álbum, o cantor assumiu publicamente sua homossexualidade. Assim, o rapaz nascido em uma família tradicional e católica cantou aos quatro cantos do país que gostava de “meninos e meninas”, e muitos entoaram esses versos com ele.
É difícil definir o Renato, ele parece ser mais complexo que todas as letras que criou, ainda que em meio a referências tão heterogêneas que vão desde Camões até as passagens bíblicas.
Em “Teatro dos Vampiros”, Renato disse “sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto […] Esse é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante e a primeira vez é sempre a última chance”.
O álbum “O Descobrimento do Brasil” foi lançado em 1993. A crítica à podridão política e a situação precária da Segurança e da Educação do Brasil pode ser sentida nos versos cortantes de Perfeição.
Ao lançar seu primeiro disco solo, The Stonewall Celebration Concert (referência aos conflitos violentos entre a polícia de Nova Iorque e a comunidade LGBT, no bar Stonewall Inn, em 1969), Renato assume uma face angustiada de quem se despede contra a vontade.
Em Via Láctea, música do último álbum que gravou com a Legião, ele disse que “Hoje a tristeza não é passageira... Quando tudo está perdido, eu me sinto tão sozinho. Quando tudo está perdido, não quero mais ser quem eu sou”. E, ao final, agradece “obrigado por pensar em mim”.
Realização: https://linktr.ee/ModatoGMS