Poucas pessoas conseguiram se tornar relevantes dentro cenário musical, tendo uma obra pequena. Agenor de Miranda Araújo Neto, eternizado como Cazuza foi uma delas.
Acompanhado de Roberto Frejat, na guitarra, Maurício Barros nos
teclados, Dé Palmeira no baixo e Guto Goffi na bateria, Cazuza lançou em 1982 o disco de estreia do
Barão Vermelho, que trouxe músicas que se tornariam clássicos como “Down em Mim” e “Bilhetinho Azul”. “Todo Amor que Houver Nesta Vida “acabaria sendo o passaporte pro sucesso ao ser cantada por Caetano Veloso.
Barão Vermelho 2 chegou ao mercado em 1983, trazendo ótimas músicas como “Menina Mimada”, “Largado no Mundo” e “Carne de Pescoço”.
Cazuza e o Barão Vermelho lançaram em 1984 o terceiro disco, Maior Abandonado, recheado de clássicos, a começar pela faixa-título, seguido de “Por que a Gente é Assim” e “Bete Balanço”, que havia feito parte da trilha sonora do filme de mesmo nome. O sucesso do disco credenciou a banda a se apresentar na primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 1985. Cazuza encerra o show com uma a célebre fala “Pro Dia Nascer Feliz: Que o dia nasça lindo pra todo mundo amanhã. Um Brasil novo, com essa rapaziada esperta”.
Durante as gravações do quarto disco do Barão Vermelho, Cazuza
se desliga do grupo, e é ainda em 1985 que ele lança o seu primeiro disco solo, intitulado
Exagerado, música que abria o disco, que traz a singela “Codinome Beija-Flor”, onde Cazuza canta acompanhado de piano e cordas, “Mal Nenhum”, uma parceria dele com Lobão e “Só as Mães São Felizes”, que acabou tendo sua execução nas rádios proibida pela censura.
Só se for a Dois é o disco menos lembrado pelo público. A música título do disco traz uma das melhores letras de Cazuza. No disco também temos o clássico “O Nosso Amor a Gente Inventa”, além de “Solidão que Nada”. Outras duas canções desse disco que valem muito a pena serem ouvidas é "Completamente Blue” e “Vai a Luta”.
Ciente de que estava doente, Cazuza produz o seu testamente
definitivo. Ideologia foi lançado em 1988. Talvez esse disco seja o que resume bem o universo musical de Cazuza. Inicia o disco com um rock em parceria com o velho companheiro Frejat, afirmando que seus heróis morreram de overdose, segue o disco deixando claro que tinha visto
a cara da morte e que ela estava bem viva, em forma de samba-rock pede para que o Brasil mostre a sua cara, pega um trem para as estrelas em parceria com Gilberto Gil, pede piedade para as pessoas caretas e covardes em forma de blues e encerra o disco num pierrot retrocesso meio bossa nova e rock n roll.
Durante a turnê do álbum Ideologia, nasce o disco ao vivo O Tempo Não Para. Nele se encontram sucessos da carreira solo de Cazuza, uma versão intimista para “Todo Amor que Houver Nesta Vida”, a regravação de “Vida Louca Vida”, de Bernardo Vilhena e Lobão, além da música que dá nome ao título, musicada por Arnaldo Brandão.
Já de cadeira de rodas, Cazuza dá a sua cartada final com o disco Burguesia, lançado em 1989. Como quem sabe que não lhe restava muito tempo de vida, Cazuza grava um disco duplo, tendo a participação de praticamente todos os seus parceiros musicais ao longo da vida, como Frejat Leoni, Ezqueiel Neves, além de gravar músicas de Herbert Vianna, Caetano Veloso, Rita Lee e Paulo Coelho, destaque para “Como Já Dizia Djavan”, mais uma parceria de Cazuza com Frejat.
Cazuza saiu de cena no dia 7 de julho de 1990. Um ano antes, num ato de muita coragem para a época, assumiu publicamente que era portador do vírus HIV. Já em 1991, um disco póstumo intitulado Por Aí… foi lançado, trazendo sobras de estúdio, entre elas, uma parceria inédita com o ex-titã Arnaldo Antunes, chamada “Não Há Perdão Para o Chato”, além de versões para músicas de Raul Seixas, da banda gaúcha Nenhum de Nós e da cantora Janis Joplin.
Cazuza dedicou os seus 32 anos de existência à subverter o que
aparentava ser a ordem natural de sua vida.
Cazuza falou pouco, mas disse tudo. O poeta está vivo.
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