No coração de Glória do Goitá, no agreste pernambucano, nasceu uma trajetória que transformou o mamulengo e abriu novos caminhos para as mulheres dentro dessa arte popular. A artesã, bonequeira e mamulengueira Edjane Maria Ferreira de Lima, conhecida como Mestra Titinha, teve seu primeiro contato com a brincadeira no ano 2000, através de um projeto do Centro de Revitalização do Mamulengo de Pernambuco.O aprendizado começou com a confecção dos bonecos e, com o apoio do Mestre Zé de Vina, vieram as técnicas de manipulação, criação de enredos e montagem de cenários. Da parceria e da vontade de manter viva a tradição, nasceu o grupo Mamulengo Nova Geração, em 2008, que foi conquistando reconhecimento ao longo dos anos.Titinha ainda aprendeu a esculpir bonecos com o sogro, Mestre Zé Lopes, e a manipulação com os mestres Zé de Vina e Bila. Mas havia um obstáculo: se apresentar como mestra em uma arte dominada pelos homens. O preconceito não a intimidou. Em 2020, ela criou o Mamulengo Flor do Mulungu, grupo formado apenas por mulheres, quebrando barreiras e ocupando um espaço antes negado a elas.Hoje, Mestra Titinha lidera uma equipe que reúne sua filha Jennifer como contramestra, Jacilene Félix no papel de Mateus, Catirina no zabumba, Genilda Félix no triângulo e Stefani no ganzar. Juntas, elas mostram, no riso e na batida da brincadeira, que lugar de mulher é onde ela quiser – inclusive no palco do mamulengo.Neste episódio, você vai conhecer a história, os desafios e as conquistas dessa mestra que transformou resistência em arte e o mamulengo em palco de emancipação feminina.