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Ao longo do processo de amadurecimento, enfrentaremos continuamente a batalha entre a carne e o espírito, e haverá lutas que conhecimento, experiência ou currículo não serão capazes de vencer. Por isso, precisamos manter vivo o fogo por Deus, abandonar tudo aquilo que não vem dEle e aprender a discernir o que devemos conservar e o que precisamos deixar. Para crescer, precisamos buscar sabedoria em Deus, investir no conhecimento dEle e estar na mesa.
O mundo não precisa apenas ouvir nossos discursos sobre o evangelho, mas enxergar Cristo na forma como vivemos e tratamos uns aos outros. Jesus nos ensina que o amor é a marca visível de seus discípulos (Jo 13.34-35), e Paulo nos lembra que somos cartas vivas, por meio das quais as pessoas leem a mensagem do evangelho (2Co 3.2-3). Somos diferentes, mas fomos unidos pela cruz e chamados a viver o ministério da reconciliação, como embaixadores de Cristo. Por isso, a mesma graça que recebemos deve ser estendida aos outros: nossa vida precisa ser uma vitrine verdadeira da graça, da misericórdia e do amor de Deus.
Deus já revelou quem somos: somos seus filhos, uma nova criação; por isso, não podemos continuar nos amoldando à cultura ao nosso redor, mas somos chamados a manifestar a cultura dos céus por onde passarmos. Isso exige abandonar uma fé individualista e egoísta, que coloca tudo em torno de nós mesmos, e compreender que fazemos parte de um corpo, no qual cada pessoa tem seu lugar e sua função.
Somos chamados a permanecer na presença de Deus, sendo edificados em Cristo para formar uma família espiritual e um sacerdócio santo, cuja missão é manifestar a sua glória. Essa permanência exige vigilância, discernimento e, sobretudo, obediência: não podemos abrir concessões às influências que tentam deslocar Deus do centro nem buscar mais reconhecimento, cargos ou autopromoção do que o próprio Senhor.
Estamos condicionados a esperar curas, imposições de mãos e grandes manifestações, como se a vida fosse dividida entre momentos extraordinários, nos quais algo realmente acontece, e momentos comuns, que servem apenas de passagem. Essa lógica transforma a existência em uma sala de espera e nos impede de perceber que o ordinário não é o contrário do extraordinário. Biblicamente, somos chamados a reconhecer a glória de Deus também nas realidades naturais e comuns da vida: no pão diário, no trabalho, na família, no descanso e na perseverança. Será que existe alguma coisa que Deus está colocando diante de você e que você está desprezando justamente porque parece simples?
Deus confiou a nós um tesouro espiritual (o Evangelho, seus dons e sua graça) que deve ser gasto em amor e serviço “ao mundo”, não guardado para si. A maturidade cristã, evidenciada pela proclamação do Evangelho no cotidiano, nos tira do foco em nós mesmos, cura feridas e nos posiciona para cumprir nossa função no corpo, levando Cristo aos que ainda não O conhecem.
Estamos na casa do Oleiro, e, enquanto Ele nos quebra e aperfeiçoa, remove tudo o que pode ser abalado para que permaneça em nós somente o que é inabalável. É isso que significa ser igreja: ser coluna e fundamento da verdade, vivendo de integridade, santidade, amor e compromisso com a aliança.A verdadeira igreja se revela na forma como cuidamos uns dos outros, preservamos a unidade, buscamos a paz e entendemos que ninguém foi chamado para caminhar sozinho; somos diferentes, mas nos completamos, sustentamos e aperfeiçoamos mutuamente. Essa unidade não nasceu de uma estratégia humana, mas da cruz.
A presença de Deus transforma quem verdadeiramente se encontra com Cristo e precisa ser cultivada diariamente por meio da intimidade com Ele. Essa comunhão é sustentada por uma adoração que vai além de palavras ou rituais, expressando-se em uma vida de entrega, reverência e obediência. Quanto mais conhecemos o Senhor, mais desejamos agradá-Lo e viver em comunhão com Ele. A presença de Deus é o que distingue Seu povo e exige prioridade, renúncia e um coração disposto a buscá-Lo acima de todas as coisas.
A verdadeira fé não é sustentada pelas circunstâncias, mas pela convicção de quem Jesus é. Quando a esperança está firmada nEle, deixamos de depender da intervenção de outras pessoas ou de esperar apenas grandes manifestações para acreditar que Deus está agindo. No entanto, quando condicionamos a ação de Deus apenas ao extraordinário, nosso coração se torna insensível ao seu mover e deixa de perceber sua atuação constante. A sensibilidade espiritual, porém, é fruto de uma fé que permanece firme, reconhecendo que Jesus continua operando hoje com o mesmo poder.
O evangelho não consiste em construir uma imagem de pessoa correta, mas em reconhecer Jesus como único e suficiente Salvador. Nossa confiança não está em nossa capacidade de sermos bons, mas na obra redentora de Cristo e na presença do Espírito Santo em nós. Por isso, a igreja é chamada a viver o evangelho em sua plenitude, tornando-se uma testemunha viva de uma fé genuína, obediente à Palavra e livre da necessidade de agradar aos homens. A beleza da nossa história não está no que conquistamos, mas no fato de que, quando nada éramos, Cristo nos encontrou e nos transformou.
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