A história é cíclica. Não foi uma, nem duas, nem dez vezes que você já deve ter ouvido este chavão. A história se repete e, por tal, precisamos compreendê-la para aprendermos no presente os erros do passado a fim de evitá-los no futuro. A história é cíclica. E, olhando-a em retrospecto, muitas vezes parecer ser irônica - por vezes um escárnios, noutras uma piada de mau-gosto. Mas é inegável o fascínio que temos por compreender, afinal, de onde viemos.
Tomemos o... controverso maestro e compositor germânico Wilhelm Richard Wagner. Controverso, veja você, aos olhos de hoje - à sua época, Wagner fora um renomado compositor de óperas, dramas musicais da mais alta estirpe, tendo obras atemporais como o "Coro da Noiva", o fantástico prelúdio de "Tristão e Isolda", ou a tetrologia em formato de ópera "O Anel de Nibelungo". Composta e apresentada entre os anos 1850 e 70, a obra é baseada na mitologia nórdica e germânica e influencia e é influenciada por um momento de necessária construção da identidade nacional alemã, país recém-unificado e fervilhando em um caldeirão de nacionalismo.
Wagner e suas obras foram, por muitas décadas, um exemplo para o povo alemão. A construção forte das raízes míticas deste povo foi trabalhada profundamente na primeira metade do século XX, tendo sido apropriada, por fim, por Hitler - o que leva a muitos, erroneamente, a acusarem o compositor de um "nazista antes de seu tempo". Tal anacronismo, contudo, é superado por sua obra, que transcendeu o tempo, elevando-o a um clássico da música erudita.
Uma das mais reconhecidas passagem desta grande obra é o prelúdio do terceiro ato da segunda ópera, nomeado de As Valquírias. Neste prelúdio, essas guerreiras nórdicas chegam cavalgando para transportar para o Valhala os heróis caídos em batalha. Uma posição de destaque, de mérito. Mas, como sempre coube historicamente às mulheres, de subserviência. Pois a história, ela é cíclica. Até o exato momento em que deixa de sê-lo.
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