Neste episódio da Rádio Terceiro Andar, mergulhamos na profunda conexão entre a dança afro-brasileira, a afirmação identitária e a educação antirracista. O programa explora como o corpo, ao dançar, se torna um corpo-memória, conforme o conceito da pesquisadora Leda Maria Martins, capaz de curar, reinventar e reinscrever a própria história a partir de saberes afro-diaspóricos.
A conversa reflete sobre a dança como uma poderosa ferramenta de transformação social e bem-estar, alinhando-se aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, especificamente o Objetivo 3 (Saúde e Bem-Estar) e o Objetivo 18 (Igualdade Racial).
O episódio conta com a participação de duas expoentes de diferentes gerações da dança afro-brasileira:
Júnia Bertolino: Arte-educadora, capoeirista, bailarina, antropóloga, jornalista e diretora/coreógrafa da Companhia Baobá Minas. Júnia traz a perspectiva histórica e a riqueza do sincretismo de movimentos, citando a obra pioneira Dança Afro – Sincretismo de Movimentos, de Nadir Nóbrega. Ela destaca a dança afro-brasileira como uma manifestação que engloba uma infinidade de estilos — do carimbó ao jongo, das congadas ao samba de roda — e reforça o papel político de manter e valorizar essa tradição.
Negona Dance: Bailarina, estudante de Licenciatura em Dança na UFMG e integrante do grupo Favelinha Dance. Negona aborda a dança a partir da perspectiva do território e da quebrada, que ela define como seu "primeiro ponto de ancestralidade" e um espaço educativo. Ela enfatiza a dança urbana, como o funk, como um caminho de liberdade, sentimento e verdade, capaz de desestruturar lógicas sociais e oferecer outras possibilidades de futuro para a juventude.
O programa reforça que a dança afro-brasileira não é apenas estética, mas um ato de resistência, espiritualidade e vivência coletiva. É um convite para que cada um reconheça no próprio corpo uma fonte de saber e força, continuando a contar a própria história no palco e na vida.
Obras Citadas: Performances do Tempo Espiralar, de Leda Maria Martins, e Dança-Afro: Sincretismo de Movimentos, de Nadir Nóbrega.
Produzido por: Alexssandro Luiz, Alexandre Ribeiro, Beatriz dos Santos e Manasse Mbuti Nzau.
Trabalhos técnicos de Frederico Pessoa, com coordenação de Sônia Caldas Pessoa e Phellipy Jácome. Estagiário docente: João Oliveira.
Crédito da imagem: Cia Baobá Minas - Patrick Arley.