Quando estiver velhinha(o) ...
Quando eu estiver velhinha, vou morar um pouco com cada filha (o) , e dar-lhes tantas alegrias... do jeito que elas me deram.
Quero retribuir tudo o que desfrutei delas, fazendo as mesmas coisas.
Escreverei nas paredes com lápis de cores diversas, pularei nos sofás com sapatos e tudo.
Beberei das garrafas e deixarei-as vazias e fora do frigorífico, vou escovar os dentes e deixar a pasta aberta em cima do lavatório.
Vou tomar banho e deixar a toalha molhada em cima da cama.
Vou carregar tudo que é copo e prato, que eu puder, para o quarto.
Vou deixar as minhas roupas espalhadas pelo quarto, e as meias em baixo da cama.
Quando me chamarem para o jantar, que elas prepararem, não vou comer as saladas nem as sopas, vou derramar leite na mesa, na tolha limpinha que acabarem de colocar.
Vou fazer birra para tomar os remédios e, quando se zangarem, corro ― se for capaz!
Sentarei bem perto da TV e vou mudar de canal o tempo todo.
Tirarei os chinelos pela sala e perderei sempre um deles.
Vou fugir e apanhar uns banhos de sol, sem avisar, e mais tarde, à noite, já deitada, vou agradecer a Deus por tudo, fechar os meus olhinhos para dormir, e as minhas filhas vão olhar para mim, com um meio sorriso, e vão dizer:
― Ela é tão doce quando está dormindo!