Edmilson Belafronte pergunta:
Padre Cido, gostaria que o sr. me explicasse sobre os dons de falar em línguas, faço parte da intercessão num grupo de oração da Rcc, e quando as pessoas oram em línguas, confesso que não aceito muito, pois o apostolo Paulo em Coríntios faz restrições, tire minhas dúvidas por favor, sou católico de coração, amo a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, amém!
Edmilson, que bom que você tocou neste assunto. Tantas vezes eu já falei nele neste constante diálogo com o povo de Deus. Muitas vezes fui compreendido, muitas vezes não.
Certa vez eu questionei alguém da RCC sobre este dom das línguas. Por que rezar falando de forma : desconexa e aparentemente sem sentido? A resposta foi: “é um dom do Espírito Santo.; é uma manifestação do Espírito Santo”. E eu disse: e o que a pessoa está dizendo para a comunidade? Resposta: eu não sei. Não tenho o dom da interpretação. Isso é brincadeira, não é mesmo?
Sabe, Edmilson, uma das coisas mais lindas que aconteceu em Pentecostes foi o Espírito Santo fazer com que milhares de pessoas de língua diferentes se em tendessem como se falassem uma única língua. Hoje, o que se observa em certos grupos de oração é o contrário de Pentecostes: ninguém se entende, ninguém escuta o outro. Não é para pensar?
Você leu Coríntios e sabe bem o que Paulo fala sobre o dom das línguas, chegando mesmo a mandar as pessoas a calar a boca. E, a propósito, a Igreja do Brasil, numa instruções à RCC pediu que se evitassem esse tipo de orar e outros que podem até serem confundidos com histeria coletiva. Ficar com a Igreja, sentir com a Igreja é o caminho para se ficar bem. A RCC é um dom de Deus para a Igreja. Ela tem que deixar de lado esses exageros que, infelizmente, até já produziu uma Igreja cismática, separada da nossa chamada “Igreja Católica Carismática”. Que tristeza, não é mesmo, Edmilson.
Meu irmão, eu não quero ser o Dono da verdade. Deixo apenas aqui esses questionamentos que, espero, ajudem a minha amada Igreja a ser sempre mais amada, respeitada e unida.