A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão cautelar da importação, produção, distribuição e comercialização do carbendazim, um agrotóxico amplamente utilizado no país para combater fungos em plantações de feijão, arroz, soja, frutas cítricas e outras culturas agrícolas. Para avaliar a medida, ouvimos dois especialistas da Unicamp.
O professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp, José Luiz da Costa, coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CiaTOX), explica que apesar de estar entre os 20 agrotóxicos mais utilizados no Brasil, o carbendazim há muitos anos é proibido em outros países da Europa, assim como na Austrália e nos Estados Unidos. “O banimento acontece nesses países por causa da suspeita do carbendazim de ser carcinogênico e de causar embrofetotoxicidade, ou seja, recai sobre ele a suspeita de causar câncer e de alterar a reprodução”, contextualiza.
Já a professora do Instituto de Química (IQ) da Unicamp e coordenadora do Laboratório de Química Ambiental, Cassiana Montagner, vem realizando diversos estudos com o fungicida, com foco na detecção de resíduos do agrotóxico na água. “Nossos estudos são uns dos poucos que temos no Brasil a respeito da ocorrência e da dinâmica do carbendazim para a saúde da vida aquática”, avalia ela, demonstrando grande preocupação com sua presença em diferentes regiões do país.
Após a suspensão cautelar do carbendazim, foi aberta uma consulta pública para subsidiar as discussões sobre o banimento definitivo do agrotóxico, que segue aberta a contribuições até o dia 11 de julho, pelo site da Anvisa: https://pesquisa.anvisa.gov.br/index.php/398348?newtest=Y&lang=pt-BR
*Atualização: A proibição definitiva do carbendazim no Brasil foi aprovada pela Anvisa em 08 de agosto de 2022 por unanimidade.
___
Produção, reportagem e edição de áudio: Juliana Franco (Rádio Unicamp)