Neste episódio de Safoda, fomos em excursão a Espanha — mais precisamente a Merdancho, terra de presunto seco, carros coloridos e espanhóis que falam português como se estivessem a fazer muita força.
A missão era simples: descobrir as grandes diferenças entre Portugal e nuestros hermanos.
Rapidamente percebemos que eles são mais espalhafatosos, ganham mais, pagam menos e vendem ração a preços capazes de justificar uma viagem internacional.
O cão, obrigado a passar todo o percurso no chão do autocarro por alegada incompatibilidade entre unhas e bancos de napa, exigiu justiça. Primeiro, propôs encher os lugares vagos com sacas de ração espanhola. Depois, anunciou a criação do Sindicato do Cão Bonzinho, uma organização dedicada a dar voz aos cães e a combater o domínio dos gatos vadios.
Daniel Rafael recordou, com emoção, a importante contribuição cultural das cassetes VHS espanholas para a sua adolescência. João Vítor falou de carros, caramelo e amor. E o senhor Viriato apresentou um plano diplomático simples: levar o rei de Espanha para Portugal, ensiná-lo a falar português e esperar que todo o país abandone aquele português mal pronunciado a que chamam espanhol.
Quando pensávamos que a situação já não podia ficar mais internacional, apareceu Dolores de Merdancho.
Dolores gosta de portuguesas de bigode, não compreende porque só há homens no grupo e acabou convidada para uma futura entrevista — depois de umas canhas e umas tapas, naturalmente.
No final, não sabíamos se tínhamos feito turismo, fundado um sindicato, preparado uma invasão linguística ou iniciado um incidente diplomático.
Mas é isso o Safoda.
Às vezes, atravessa-se a fronteira à procura de cultura.
Às vezes, volta-se com ração barata, uma perna de Ramón e o contacto de uma espanhola.
E a única coisa a dizer é…
hasta luego —
e safoda.