"Situada no centro de Lisboa, a coleção de artes decorativas de António de Medeiros e Almeida (1895-1986) está exposta na casa que o empresário, colecionador e benemérito português habitou e transformou em museu em 1972.
Medeiros e Almeida foi uma figura de prestígio no plano empresarial português, tendo-se destacado em atividades como a importação de automóveis britânicos (Morris / Wolseley / Riley), a aviação comercial (Aeroportuguesa / Sata / Tap) e as indústrias açorianas de açúcar e de álcool (UFAA / Sinaga). O sucesso da sua carreira profissional permitiu-lhe dedicar-se paralelamente à constituição de uma coleção de obras de arte. (...)
A coleção compreende duas áreas museológicas distintas: a ala que foi habitada pelos donos da casa, mantida tal como estava; e a que foi construída sobre o jardim da moradia, constituída por uma sucessão de espaços onde se recriam diferentes ambientes, com recurso a apainelados, tetos pintados e decoração de aparato.
Nas 27 salas do museu expõem-se cerca de 2.000 obras de arte nacionais e internacionais incluindo mobiliário, pintura, escultura, têxteis, ourivesaria, joalharia, cerâmica, leques e arte sacra, num conjunto de objetos que cobre um arco temporal do século II a.C. ao século XX.
A coleção carateriza-se por um gosto muito eclético, de predominância francesa, destacando-se entre o acervo quatro coleções, expostas em salas próprias: a dos Relógios, a de Cerâmica da China, a das Pratas e a dos Leques.
O acervo destaca-se ainda pelo valor histórico-artístico revelado na sua proveniência, incluindo peças como um serviço de chá em prata portuguesa que acompanhou Napoleão Bonaparte no exílio, um relógio de bolso da casa Breguet encomendado pelo general francês Junot que, por ironia do destino, acabou nas mãos do general inglês Duque de Wellington, seu rival. Entre as coleções destacam-se ainda um leque francês com as armas da Imperatriz Eugénia do Montijo, um bidé de porcelana da China encomendado para a família real francesa, um raro e curioso relógio de noite do século XVII ou peças de porcelana encomendadas pelos Portugueses há cerca de 500 anos…
São tantas as histórias, é preciso conhecer o Museu ao vivo!"
Fonte: Museu Medeiros e Almeida