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Por onde anda Alves dos Reis? Como terminou a saga da maior burla de que há memória no país? Rui Tavares regressa a 1926 para nos contar a história da prisão do homem que burlou aproximadamente 1% do PIB português e que se tornou num cristão renascido
A história entretanto interrompida, é agora retomada para conhecermos finalmente o seu desfecho. Às portas de 1926, esse ano em que tudo mudaria, há exactamente 100 anos, alguém deteta uma incongruência: duas notas com o mesmo número de série. É o fio da meada que permite começar a compreender o que provocara o enorme desequilíbrio no sistema financeiro português e a misteriosa crise inflacionária.
Preso em Dezembro de 1925, Alves dos Reis não desiste de provar a sua inocência. Em 1930, já o golpe militar de 28 de Maio de 1926 derrubara a República e o Estado mudara de direção – com Salazar no Ministério das Finanças desde 1928 –, ainda Alves dos Reis tentava a partir da prisão provar a sua inocência. Neste episódio, Rui Tavares retoma a saga de Alves dos Reis e o seu papel na descredibilização do sistema político e financeiro que faria ruir a, já em crise, democracia portuguesa. Afinal, o que podia o vilão desta história alegar em sua defesa?
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No primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo, Rui Tavares propõe uma viagem errante no tempo e na geografia ao encontro de pessoas cujas vidas se desencontraram por dois milénios mas que estão ligadas pela música. Do filme “Pulp Fiction” até à Grécia Antiga há muita história que se liga pela linguagem. Recorde este primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo.
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Recorde o episódio em que Rui Tavares nos leva até 1852 e à guerra da Crimeia, para constatar que não há factos irrelevantes.
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No ano de 1924, Alfredo Marceneiro conquista pela primeira vez o primeiro lugar num concurso de fados. “Remorso”, o fado com letra de Linhares Barbosa que interpretou, dá voz a alguém que se consome de culpa, sozinho, numa noite de Natal. Dois anos depois, esse fado, entretanto celebrado por toda a cidade, parece ter adivinhado o crime passional que iria prender a atenção do país.
O que terá prenunciado, afinal, o fado de Marceneiro? Que força tinha a música popular dos anos 20 do século XX, e como circulava entre o teatro de revista, os novos discos de 78 rotações e as partituras vendidas em banca? Neste episódio envolvente, Rui Tavares guia-nos pelas sombrias ruas do Bairro Alto, da Mouraria e do Intendente, mergulha na terrorífica Noite Sangrenta de 1921, entra nos teatros cheios de luz onde Lisboa se divertia em plena crise política e conduz-nos, passo a passo, até à história de um crime amoroso que de tão inesperado e chocante, desviou o olhar coletivo da ditadura que se instalava com o golpe de Estado de 28 de maio de 1926.
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O que faz um padre português no romance O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas? Será mera fantasia do autor ou eco de uma personagem histórica concreta? E, a existir, quem foi ele e como ali foi parar?
Neste episódio, Rui Tavares apresenta a singular vida de José Custódio de Faria, um filho do terramoto de 1755. Goês de origem, deixou Goa e passou por Roma, Lisboa e Paris, ordenando‑se sacerdote em Roma e ficando conhecido como o Abade Faria, o tal padre português de Alexandre Dumas. A sua fama, porém, não veio da vida de sacerdócio, mas do engenho com que se dedicou ao hipnotismo e se tornou um dos pioneiros da hipnose moderna.
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Há, na história, pequenas histórias de mulheres e homens que já não guardamos memória. Viveram o seu tempo sem que as suas biografias ganhassem o relevo que a história premeia ao ser contada. Ainda assim, esses sujeitos da história votados ao anonimato, intervieram decisivamente no curso de acontecimentos impactantes, nos momentos em que a história deu as suas guinadas, mudou de rumo e abriu caminhos que ainda hoje nos alcançam.
Conhecemos bem alguns desses acontecimentos, e de alguns fomos até espectadores. Mas, por detrás dos protagonistas que reconhecemos como centrais – políticos, cientistas, teóricos, entre outros – quantas mulheres e quantos homens terão tido um papel determinante e decisivo?
Neste episódio, vamos seguir os passos de Juan Pujol Garcia, o espião que passou por Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, e espreitar os bastidores dos bastidores do dia 6 de junho de 1944, o dia em que as tropas aliadas desembarcaram na Normandia. Qual o papel de Pujol neste dia em que a história ganhou um pequeno recomeço?
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Inspirando-se na mudança do conceito de “interessante” ao longo do tempo de que nos falou no último episódio, Rui Tavares propõe agora uma leitura dos séculos XVIII e XIX, sublinhando como a distinção entre Iluminismo e Romantismo se manifesta na forma como as pessoas passaram a relacionar-se com a realidade ao seu redor.
Como a transformação da perceção, da relação com o “eu”, da função da arte, ao pensamento artístico e estético reconfiguraram o tempo histórico?
As fronteiras entre o útil e o inútil, o interessante e o aborrecido, a destilação e a fermentação são eixos com que Rui Tavares nos instiga a compreender como o olhar estético é fundamental para compreender a história de cada época.
Aqui, não está em causa um evento ou agente histórico, mas a renovação da sensibilidade e das formas de atenção que definem aquilo que cada tempo considera possível ou relevante. A passagem do tempo faz-se também da metamorfose das ideias, dos modos de sentir e das formas de perceber o mundo.
Lista de Músicas utilizadas neste episódio:
Luigi BOCCHERINI. Quinteto n.º 9 em DÓ maior, G. 453, “La ritirata di Madrid”, 1798
Joseph HAYDN. Sinfonia n.º 101 em Ré maior "O Relógio", 1763
Robert SCHUMANN. Adagio e Allegro, Op. 70 (versão para violoncelo e piano), 1849
Piotr Ilitch TCHAIKOVSKY. Eugene Onegin, Op. 24: Act I, Introdução, 1878
Wolfgang Amadeus MOZART. Andante e 5 Variações em Sol maior, K. 501, 1786
Clara SCHUMANN. Romanzen, Op. 21: I. Andante para piano solo, 1853
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Albert Otto Hirschman destacou-se como economista e pensador de importância reconhecida, mas sobretudo como uma figura singularmente interessante. O próprio conceito de “interesse” percorre a sua obra “Paixões e Interesses”, servindo de fio condutor para uma visão inovadora sobre a génese dos valores sociais e económicos.
Neste episódio, a vida de Albert Hirschman é revisitada sob o olhar de Rui Tavares, que percorre a genealogia do termo “interessante” e seus múltiplos sentidos, desde o Renascimento até à contemporaneidade. No entanto, o verdadeiro interesse da trajetória de Hirschman está além da dimensão académica.
Testemunha dos horrores do nazismo, exilado pela guerra, combatente na Guerra Civil de Espanha e interventor decisivo na fuga de intelectuais judeus durante a Segunda Guerra Mundial, Hirschman deixa-nos uma lição de humanidade difícil de esquecer.
No dia em que se evocam os 80 anos do início dos Julgamentos de Nuremberga, recordar Albert Otto Hirschman é invocar uma memória de resistência, empatia e ética imperiosa para os valores humanos.
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Será o poder capaz de corromper qualquer pessoa, ou apenas revela o lado sombrio que já existe no ser humano? Ou, na provocação de Shakespeare: “O poder muda o propósito?“. Neste episódio, voltamos ao teatro, à peça “Medida por Medida”, para explorar as tensões entre caráter, verdade, mentira, medo e confiança nos sistemas de poder.
Rui Tavares mergulha no cinismo que marca a relação atual com a política e questiona: estaremos condenados, como sugere Maquiavel, a desconfiar de todos, acreditando que o poder corrompe inevitavelmente? Assumimos que a aparência substitui a verdade e, perante a mentira, desistimos de procurar algo além do óbvio?
Mas e se, como sugere Montaigne, a política puder ser mais do que temor — um espaço para à confiança, ao reconhecimento e até ao amor cívico?
Este episódio é um convite a pensar se ainda há esperança no espaço político.
Agradecimento ao compositor Carlos Azevedo pela autorização de utilização da peça “Labirintho“, interpretada por Teresa Valente.
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No episódio anterior, Rui Tavares dava-nos conta que o jovem Orson Welles estava a ensaiar a peça “A Morte de Danton” quando gravou a sua versão de “A Guerra dos Mundos”. O que é que esse texto clássico de Georg Büchner sobre a Revolução Francesa nos pode dizer sobre a percepção que temos do tempo durante as revoluções?
Georg Büchner morreu com 23 anos, a idade que tinha então Orson Welles quando representou a peça de teatro “A Morte de Danton”, que conta a história de Georges Danton, um dos líderes da Revolução Francesa. O texto é considerado um percursor do teatro documental, algures entre o romantismo e o realismo. Apesar de hoje ser considerado um texto fundamental da literatura alemã, a peça só foi encenada pela primeira vez em 1902, muitos anos depois da morte do seu autor.
Neste episódio, Rui Tavares traça o contexto histórico da peça, fazendo um paralelo com a percepção do tempo na história, nomeadamente em tempos de revolução: se a textura do tempo muda, que diferença faz vivê-la ao longo de uma vida ou concentrar toda a sua essência em poucos anos de vida, com significado superlativo?
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Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos.
Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa.
A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos.
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