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Descreve-se como um pequeno trator a andar pela vida: meio bruta, pouco lamechas, e nada dramática. Diz que se há um problema, foca-se logo na solução. Conta que foi assim que lidou com o cancro, tal como com todos os outros obstáculos que foi encontrando pelo caminho. Catia Goarmon, conhecida por todos de programas de cozinha como Tia Cátia, fez a biopsia que viria a confirmar o cancro da mama no último dia de 2021. Foi operada poucos meses depois, tirou, como costuma dizer, duzentos gramas de mama e fez radioterapia. Ao mesmo tempo que fazia os tratamentos, a mãe, com 81 anos, também foi diagnosticada com um cancro da mama e passaram juntas pela doença. Mas não eram os primeiros casos de cancro na família: o pai morreu quando tinha 50 anos, Cátia foi diagnosticada aos 49 anos e chegou a temer que a história se repetisse. Ainda assim, jura a pés juntos que o cancro não a mudou, nem a tornou uma pessoa melhor. No podcast Tenho Cancro. E Depois?, a Tia Cátia conta a sua história ao lado do médico Diogo Alpuim Costa, que a acompanhou durante o processo.
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Há vidas que parecem não caber numa só vida. Andreia Catarino diz que vence lotarias, mas ao contrário. Sabe o que é estar doente desde a adolescência. Com 42 anos, já teve 4 cancros: um linfoma, um tumor no fígado, cancro da mama e cancro da tiroide. Foram muitos tratamentos, cirurgias e internamentos que a obrigaram a parar, a recomeçar e a acreditar outra vez. Andreia Catarino, jornalista, diz que a sua vida parece um filme onde se está sempre a repetir a mesma cena: o momento em que está sentada numa secretária em frente a um médico a ouvir que tem cancro. Com este histórico, sabia que seria difícil ser mãe, o seu maior sonho. Quando começa a tentar descobre que tem um mioma no útero com 20 centímetros. Ainda assim não desistiu e acabou por conseguir. Depois de uma gravidez de alto risco, teve o Xavier nos seus braços. Com um filho bebé, foi novamente diagnosticada com uma recidiva do cancro da mama. Se tudo isto já parece impossível, Andreia teve ainda de lidar com o desgosto de perder o companheiro, que a deixou depois do diagnóstico. No podcast 'Tenho Cancro. E Depois', relata as várias experiências com o cancro ao lado da oncologista Patrícia Pereira, que a tem acompanhado.
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Aos 39 anos, com um estilo de vida saudável, Helena Costa deparou-se com um cancro no pulmão. Sentiu uma enorme revolta e foi consumida durante uns tempos por uma ansiedade desconcertante. Na altura, as filhas gémeas tinham apenas um ano e meio. A parte mais difícil foi olhar para elas e imaginar que podiam ficar sem a mãe. A atriz conta que o cancro ajudou-a a passar a vida a pente fino, a não perder tempo com aquilo que não a faz feliz. Admite que ainda é muito difícil falar sobre o cancro, porque ainda está a digerir a revolta que sentiu. No podcast 'Tenho Cancro. E Depois?', Helena Costa conta a sua história, ao lado de Fernando Martelo, o cirurgião que a acompanhou.
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Viveu desde muito cedo com o fantasma do cancro na família. Os avós, uma tia e uma prima tiveram, mas o caso que mais a marcou foi o da mãe, que morreu com cancro da mama aos 49 anos. Com tantos casos, sentia que era uma questão de tempo até vir a ter um cancro, mas quando fez 50 anos, sentiu que tinha ultrapassado uma barreira e que já não iria morrer com a mesma idade da mãe, que se tinha livrado deste fantasma. Foi precisamente nesse ano que chegou o diagnóstico: tinha cancro da mama. Vera Pinto Pereira, CEO da EDP Comercial, conta que quando soube que estava doente foi-se abaixo e viveu momentos verdadeiramente assustadores. Com um trabalho tão intenso, com a equipa dependente da sua liderança, diz que preferiu não esconder de ninguém. Admitiu a sua vulnerabilidade e considera que o cancro a tornou mais humana e que a sua equipa passou a vê-la de outra forma. No meio do processo, garante que o apoio da família foi fundamental e o cancro fortaleceu as bases do seu casamento. No podcast 'Tenho Cancro. E Depois?', Vera Pinto Pereira conta a sua história com o cancro, ao lado do marido, Frederico Carneiro.
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Jorge Bento Silva conviveu sempre com o pior da espécie humana. Dedicou toda a carreira à luta contra o terrorismo, esteve décadas na Comissão Europeia a trabalhar de perto nas relações externas com países como Iémen, Iraque, Turquia e Rússia. Fez parte das equipas de segurança que lidaram com os atentados de Madrid, do Charlie Hebdo, do Bataclan e de Nice. Combateu o tráfico de órgãos e de crianças. Diz que para entender o que se passa na cabeça de um terrorista, em qualquer parte do mundo, é preciso ter empatia, abrir as tripas ao sofrimento dos outros. E acredita que esse sofrimento dos outros, que foi acumulando nos últimos 35 anos, foi uma das principais causas do cancro da próstata, que lhe foi diagnosticado há 14 anos. No podcast 'Tenho Cancro. E Depois?', Jorge Bento Silva relata a sua experiência, ao lado do psiquiatra Pedro Macedo.
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Há mais de 30 anos que lida de perto com quem enfrenta doença graves: tem a missão de fazer tudo o que está ao seu alcance para diminuir o sofrimento dos doentes, e apoiar as famílias. A médica Isabel Galriça Neto é uma referência incontornável nos cuidados paliativos em Portugal, foi deputada pelo CDS-PP e tem sido uma voz ativa contra a eutanásia. No ano passado, foi-lhe diagnosticado um cancro da mama triplo negativo, o mais grave. Rejeita a ideia de que o cancro é uma guerra, não gosta do conceito de vencedor ou vencido. Diz que houve dias que não conseguiu sair da cama e que pela primeira vez na vida não teve força para rezar. No podcast 'Tenho Cancro. E Depois?', conta a sua história ao lado da médica Mónica Nave, que a acompanhou durante os tratamentos.
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Se ter um cancro é duro na vida adulta, como é ter na adolescência? Estar fechado num quarto de hospital, entre mil exames e tratamentos. Perder festas, noitadas e passeios entre amigos. Viver o primeiro amor à distância, com o peso do cancro. Aos 15 anos, Inês Marinho reparou que tinha um inchaço na clavícula. Diziam-lhe para não valorizar, para não ser dramática, mas sentia que era grave: chegou mesmo a dizer ao pai que sabia que era um cancro. Os exames confirmaram a sua intuição e foi diagnosticada com um linfoma. Agora com 27 anos, é conhecida pelo seu trabalho como ativista no combate à violência sexual. Criou a associação 'Não Partilhes', depois de ver a sua vida intimida partilhada na internet. No podcast 'Tenho Cancro. E Depois?', ao lado da enfermeira Ana Lúcia Silva, que a acompanhou durante os tratamentos, Inês Marinho aborda os dilemas, as dificuldades e as alegrias que viveu durante o cancro. Apesar da gravidade da situação, considera que foi a melhor fase da sua vida: antes da doença, era uma adolescente com pensamentos derrotistas e até suicidas. Após o diagnóstico, percebeu que afinal não queria morrer. E fez tudo para se agarrar à vida e sobreviver à doença.
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Para um apresentador de televisão, com tantos anos de experiência, o cancro não é um tema tabu. Habituado a fazer entrevistas a doentes oncológicos, a ouvir histórias difíceis, diz que quando se deparou com o diagnóstico soube ter a tranquilidade necessária para enfrentar o problema. Conhecido de todos os portugueses pelas décadas em televisão, em programas como 'Quem Quer Ser Milionário?' e 'Praça da Alegria', Jorge Gabriel foi diagnosticado com um cancro da pele em 2011, quando tinha 42 anos. Soube que tinha um sinal estranho, perto das costelas, graças ao dermatologista Osvaldo Correia, que tinha estado a entrevistar. Foi visto ainda no estúdio de televisão, dias depois soube que tinha um melanoma.
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Ao contrário da maioria dos doentes oncológicos, Joana Gonçalves diz que o cancro não a tornou uma pessoa melhor, que a doença não lhe deu nada, que só lhe tirou. Considera que a positividade não salva ninguém, que o que salva são mesmo os tratamentos e os médicos. A empresária descobriu um cancro da mama triplo negativo, no ano passado, tinha 36 anos. Encontrou na música e na dança a alegria para lidar com os dias verdadeiramente infernais de quimioterapia. Socorreu-se do amor dos mais próximos: o companheiro, Luís Pedro Nunes, comentador da SIC; o seu grande amigo, o humorista Herman José; e todos os outros com quem chorou e riu durante o último ano. Joana, loira de olhos claro, viveu sempre com o rótulo de mulher bonita: com cancro a autoestima que tinha desapareceu e ainda está a tentar recuperá-la. Recentemente lançou o livro 'O Cancro é uma M*rda', onde partilha sem filtros a sua experiência.
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Aos 31 anos foi diagnosticado com um cancro no testículo. Concluiu os tratamentos e, quando já achava que estava livre da doença, veio de novo o choque. O cancro tinha voltado e ainda com mais força: já estava espalhado pelo corpo. Novo ciclo de tratamentos e foi dado novamente como curado. O problema é que seis meses depois, voltou a saber que o cancro tinha regressado pela terceira vez. Teve de fazer dois transplantes de medula, hemodiálise e depois um transplante renal. João da Silva, jornalista, agarrou-se à vida. Não deixou de fazer desporto, tornou-se vegetariano e um homem mais espiritual. Tem dado a cara pelo cancro e tem falado em inúmeras palestras, sem medo, sobre os momentos mais difíceis da sua vida. No podcast 'Tenho Cancro. E Depois?', conta a sua história ao lado do homem que considera seu santo, o professor José Luís Passos Coelho, oncologista que acompanhou todo o tratamento no IPO.
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Histórias de quem sobreviveu a um diagnóstico de cancro, de quem olhou a doença de frente e não a viu como um fim. Conversas intimistas, que revelam outro lado que desconhecíamos, de luta e de sofrimento, mas também de persistência e superação.
Todas as semanas a jornalista Sara Tainha convida figuras públicas e especialistas para reforçarem a esperança e a confiança de todos os que vivem com a doença.
'Tenho Cancro. E Depois?' é um projeto editorial da SIC Notícias e do Expresso, com o apoio da Novartis e da Germano de Sousa, com sonoplastia de Gustavo Carvalho, fotografia de Matilde Fieschi e Nuno Fox, capa de Tiago Pereira Santos e apoio à produção de Joana Henriques e João Filipe Lopes.
A música deste podcast foi cedida pelos Dead Combo em memória de Pedro Gonçalves.
Se quiser saber mais sobre este tema vá ao site do Tenho Cancro. E depois? e veja reportagens e artigos