O VALOR DA FIRMEZA EM MEIO ASTRIBULAÇÕES
TEXTO
O leitor atento dasEscrituras encontra entre a epístola de Paulo aos Filipenses e sua segundaepístola a Timóteo uma junção de fatos e sentimentos que possui o poder detransportar o leitor bíblico aqueles que foram possivelmente os mais intensosdias vividos por Paulo. Em comum estas epístolas possuem o fato que foram ambasescritas da prisão, relatando, principalmente no caso da segunda carta aTimóteo, os últimos dias do apóstolo antes de sua morte. Outro fato comum quedeve nos chamar a atenção é o tom confiante e disposto de Paulo, mesmo diantedo martírio iminente, fato que nos serve de lição quanto a grande utilidade denossas tribulações para o progresso do evangelho de Cristo, o que faremos bemem examinar com atenção.
Primeiramente, perceba quea atitude de Paulo diante dos perigos e tribulações acabou por contribuir parao progresso do evangelho, uma vez que o destemor demonstrado pelo apóstoloserviu como um elemento de encorajamento a cristãos que também sofriamperseguições, como relatado por ele em sua carta aos filipenses “E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com asminhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (Filipenses1.14). Durante seu período final de aprisionamento Paulo revelou um misto deousadia e paciência que acabou por contagiar seus irmãos na fé. Em momentoalgum o encontramos a demonstrar autocomiseração diante de sua condição, massim um espirito inabalável mesmo diante do martírio.
Uma segunda questão quemerece ser destacada é que o bom exemplo de Paulo diante das tribulações acaboutambém por envergonhar cristãos que vivam de forma contenciosa entre si.Aprendemos pelos relatos em suas epístolas que o apóstolo Paulo foiconstantemente combatido e menosprezado por irmãos que ele mesmo havia conquistadopara Cristo e que, durante seus períodos de aprisionamento, esses irmãos buscavamse sobressair diante das igrejas que o apóstolo havia fundado, fato que opróprio Paulo nos revela em sua carta aos filipenses “Verdade é que alguns pregam aCristo por inveja e contenda, mas outros de boa vontade. Uns, na verdade,anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição asminhas prisões” (Filipenses1.15,16)
Finalmente, é preciso queentendamos que por detrás de toda tribulação enfrentada pelo apóstolo Pauloestava a poderosa mão de Deus dirigindo e encorajando seu povo. O martírio doapóstolo Paulo marcou um período de forte endurecimento do Império Romano contrao cristianismo, de forma que muitos dos leitores primários destas epístolas dePaulo acabaram também por sofrer o martírio, ou seja, foram mortos por nãonegarem sua fé em Jesus Cristo. Sabiamente o Senhor estava, através do exemplode Paulo, preparando aquela geração que pagaria com sua própria vida por sualealdade ao Salvador e que encontraram fortalecimento nas palavras do apóstolodirigida aos filipenses “...antes, com toda confiança, Cristo será,tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pelamorte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1.20,21).
Olhando para nossos dias,não sabemos se em algum tempo o mesmo será também exigido de nós, ou quaisformas de lutas e tribulações teremos de enfrentar até que Cristo venharesgatar sua igreja. O que aprendemos do exemplo de Paulo é que, independenteda forma de tribulação que enfrentemos, glorifica a nosso Senhor que avivenciemos de tal maneira que sirva de encorajamento a todos aqueles que nos rodeiam,sejam eles salvos em Cristo, sejam eles pessoas que terão em nosso exemplo umtestemunho vivo do valor da fé no Salvador, como exorta Paulo em sua epístolaaos coríntios “Portanto, meus amados irmãos, sedefirmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vossotrabalho não é vão no Senhor” (1 Coríntios 15.58).